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Um dos maiores desafios deste século é desenvolver modelos de desenvolvimento social e econômico que tenham como sua base a conservação da biodiversidade. Esses modelos são especialmente importantes em países como o Brasil, detentores de grande parte das espécies existentes no planeta.

O desenvolvimento sustentável de um país requer um planejamento sistemático de conservação, com metas de conservação bem definidas e métodos consistentes de análise. Para isso, informações precisas sobre a distribuição das espécies são fundamentais. Nesse processo, nem todas as espécies são iguais. As espécies com distribuição restrita têm muito mais possibilidades de serem extintas por um evento catastrófico qualquer ou pela ocupação humana desordenada do que espécies amplamente distribuídas.

Por isso, elas devem receber maior atenção por parte de toda a sociedade. O argumento é simples: se protegermos as áreas onde as espécies de distribuição restrita ocorrem, estaremos protegendo também populações de outras espécies que possuem distribuições mais extensas. Dessa forma, usando o território de forma mais eficiente.

A Universidade Estadual de Feira de Santana e a Conservação Internacional juntaram forças com 170 cientistas de 55 instituições para revelar o até então desconhecido mundo das plantas raras do Brasil. O Brasil possui entre 35 e 55 mil espécies de plantas. As espécies consideradas como raras são aquelas que possuem distribuição menor do que 10.000 km2. Foram reconhecidas 2.291 espécies de plantas raras brasileiras, muitas das quais se encontram à beira da extinção. As distribuições das espécies de plantas raras ajudam também a delimitar 752 áreas que são chave para garantir a conservação da diversidade de plantas brasileiras. Essas áreas devem ser reconhecidas por toda a sociedade brasileira como prioridades imediatas para um trabalho intenso de conservação.

Este projeto está apenas em sua primeira fase. A publicação do livro Plantas Raras do Brasil e a construção desta página são os primeiros resultados do projeto. A meta em longo prazo é a publicação de atualizações anuais do livro, contendo tanto correções e atualizações dos dados apresentados como novas informações sobre espécies e famílias que não foram analisadas nesta primeira fase.

O projeto foi realizado com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation e de André Esteves (membro do Conselho Deliberativo da Conservação Internacional). A Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (FIDESA) gerenciou os recursos e as bolsas oferecidas aos pesquisadores.

Da BBC Brasil

A melhor maneira de evitar o desmatamento de florestas tropicais envolve uma mistura de duas ideias: o estabelecimento claro dos direitos de propriedade sobre a terra e um incentivo econômico para que esses proprietários não cortem as árvores, diz artigo publicado na revista britânica The Economist que chega às bancas nesta sexta-feira.

Segundo a revista, “Se essas políticas podem funcionar em algum lugar, é no Brasil, que possui 60% da maior floresta tropical do mundo. O Brasil tem motivos poderosos para preservar a Amazônia”.

“O desmatamento causa danos terríveis à reputação de um país que é pioneiro em energia renovável. Ele põe em risco a fábrica de chuvas da Amazônia, que permite ao Brasil ser um dos maiores exportadores de produtos agrícolas”, afirma a reportagem.

Segundo a revista, o Brasil, pelo menos, tem leis que restringem o desmatamento, além de um sofisticado sistema de monitoramento, mas “o problema é implementar a lei numa vasta área, onde muitos dos moradores não gostam das regras”.

“O primeiro passo é um registro próprio de terras confirmando quem possui o quê. Cerca de 15% a 20% da Amazônia pertence a proprietários privados, que deveriam manter 80% da floresta intactos (apesar de isso não ocorrer com frequência)”.

“A maior parte restante é de terras federais, mas na prática, está lá para quem quiser: títulos de propriedade são forjados, pessoas são mortas e o desmatamento se acelera por causa de disputas.”

Segundo o artigo, a lei aprovada este mês no Congresso, que legitima a propriedade de terrenos de até 1.500 hectares ocupados antes de 2005 e proíbe registros posteriores, tenta por fim “à bagunça”.

A lei arrisca beneficiar proprietários que usaram de violência para tomar posse da terra, diz a Economist, e o governo deveria complementar a lei com a decisão de tornar o resto da Amazônia em propriedade pública, como parques ou reservas.

“No momento faz sentido econômico cortar árvores: aqueles que o fazem podem vender madeira e transformar a terra em fazendas e ranchos para a criação de gado. Então a segunda ideia para salvar as florestas se baseia em mudar incentivos econômicos, pagando as pessoas para que não cortem árvores – uma ideia conhecida no jargão da diplomacia de mudanças climáticas como ‘redução de emissões por desmatamento e degradação’ (REDD, na sigla em inglês).”

“Como os países ricos já desmataram suas florestas enquanto se desenvolviam, parece justo que eles agora paguem parte deste custo”, afirma a Economist.

Apesar das dificuldades, vale tentar, diz a revista, simplesmente porque evitar o desmatamento é extremamente eficiente para desacelerar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa.

“O REDD merece um lugar no acordo mundial sobre clima a ser negociado em Copenhague em dezembro, para substituir o Protocolo de Kyoto que expira em 2012(…) Mas eles (esquemas de créditos de carbono) só têm alguma chance de funcionar se os países onde operarem definirem claramente os direitos sobre terras florestais. Mesmo com falhas, a tentativa do Brasil em fazê-lo é um passo adiante”, conclui o artigo.

A melhor maneira de evitar o desmatamento de florestas tropicais envolve uma mistura de duas ideias: o estabelecimento claro dos direitos de propriedade sobre a terra e um incentivo econômico para que esses proprietários não cortem as árvores, diz artigo publicado na revista britânica The Economist que chega às bancas nesta sexta-feira.

Segundo a revista, “Se essas políticas podem funcionar em algum lugar, é no Brasil, que possui 60% da maior floresta tropical do mundo. O Brasil tem motivos poderosos para preservar a Amazônia”.

“O desmatamento causa danos terríveis à reputação de um país que é pioneiro em energia renovável. Ele põe em risco a fábrica de chuvas da Amazônia, que permite ao Brasil ser um dos maiores exportadores de produtos agrícolas”, afirma a reportagem.

Segundo a revista, o Brasil, pelo menos, tem leis que restringem o desmatamento, além de um sofisticado sistema de monitoramento, mas “o problema é implementar a lei numa vasta área, onde muitos dos moradores não gostam das regras”.

“O primeiro passo é um registro próprio de terras confirmando quem possui o quê. Cerca de 15% a 20% da Amazônia pertence a proprietários privados, que deveriam manter 80% da floresta intactos (apesar de isso não ocorrer com frequência)”.

“A maior parte restante é de terras federais, mas na prática, está lá para quem quiser: títulos de propriedade são forjados, pessoas são mortas e o desmatamento se acelera por causa de disputas.”

Segundo o artigo, a lei aprovada este mês no Congresso, que legitima a propriedade de terrenos de até 1.500 hectares ocupados antes de 2005 e proíbe registros posteriores, tenta por fim “à bagunça”.

A lei arrisca beneficiar proprietários que usaram de violência para tomar posse da terra, diz a Economist, e o governo deveria complementar a lei com a decisão de tornar o resto da Amazônia em propriedade pública, como parques ou reservas.

“No momento faz sentido econômico cortar árvores: aqueles que o fazem podem vender madeira e transformar a terra em fazendas e ranchos para a criação de gado. Então a segunda ideia para salvar as florestas se baseia em mudar incentivos econômicos, pagando as pessoas para que não cortem árvores – uma ideia conhecida no jargão da diplomacia de mudanças climáticas como ‘redução de emissões por desmatamento e degradação’ (REDD, na sigla em inglês).”

“Como os países ricos já desmataram suas florestas enquanto se desenvolviam, parece justo que eles agora paguem parte deste custo”, afirma a Economist.

Apesar das dificuldades, vale tentar, diz a revista, simplesmente porque evitar o desmatamento é extremamente eficiente para desacelerar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa.

“O REDD merece um lugar no acordo mundial sobre clima a ser negociado em Copenhague em dezembro, para substituir o Protocolo de Kyoto que expira em 2012(…) Mas eles (esquemas de créditos de carbono) só têm alguma chance de funcionar se os países onde operarem definirem claramente os direitos sobre terras florestais. Mesmo com falhas, a tentativa do Brasil em fazê-lo é um passo adiante”, conclui o artigo.

O Brasil e a Rússia devem ser os únicos grandes países do mundo a atingir 2050 com um balanço positivo entre crescimento da economia e conservação dos recursos naturais. No caso brasileiro, a matriz energética mais limpa e as florestas dão ao País mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios nesse campo. É o que mostra estudo da Universidade de São Paulo (USP), que calculou o balanço dos países em relação às mudanças climáticas. Por Andrea Vialli, do O Estado de S.Paulo, 24/09/2008.

Com base na metodologia contábil empresarial, a pesquisa avaliou o estoque de recursos naturais e o saldo entre as emissões e capturas de gases causadores de efeito estufa em sete países – Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão – até 2050.

“No cenário previsto para 2050, o Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões, patrimônio suficiente para continuar crescendo e ainda contribuir positivamente para a Terra com cotas excedentes de carbono, provenientes de energia limpa e recursos florestais” diz José Roberto Kassai, professor de contabilidade da faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) e um dos responsáveis pelo estudo, que envolveu seis pesquisadores da USP.

O mundo, segundo o estudo, terá um déficit econômico-ambiental estimado em US$ 15,3 trilhões, ou 23,7% do PIB mundial. “Só Brasil e Rússia terão condições de continuar crescendo sem maiores pressões sobre o meio ambiente”, avalia. O estudo completo será divulgado em outubro, na Câmara Americana do Comércio (Amcham).

Para Kassai, o balanço positivo para o País pode se traduzir em oportunidades de negócios. “Se o Brasil souber aproveitar esse trunfo, poderá receber volumosos investimentos estrangeiros, tanto para projetos de geração de créditos de carbono quanto em compensações financeiras para manter as florestas intactas.”

LUCROS

Muitas empresas já estão lucrando no mercado de créditos de carbono, que vem ganhando impulso desde 2005. A fabricante de papel Klabin concluiu, em abril, a venda do seu segundo lote de créditos de carbono. A empresa substitui o óleo combustível por gás natural nas caldeiras da fábrica em Piracicaba (SP). A venda dos créditos trouxe receita adicional de 1,5 milhão.

“O gás natural é 26% menos poluente que o óleo” , diz Júlio Nogueira, gerente-corporativo de meio ambiente da Klabin. Segundo ele, novos projetos estão em curso. Na nova fábrica de papel da empresa, inaugurada na semana passada, no Paraná, uma das caldeiras será alimentada só com restos de madeira da própria fábrica e do pólo madeireiro da região. “Esse projeto tem um potencial de gerar créditos equivalentes a até 100 mil toneladas de CO2 por ano.”

A petroquímica Solvay Indupa, em Santo André, faturou US$ 1,4 milhão com uma venda de créditos na semana passada, também proveniente da troca de óleo combustível por gás natural. “Geramos receita extra com uma vantagem ambiental enorme, já que o gás não emite gases de enxofre”, diz Carlos Nardocci, assessor da direção industrial.

O ESTUDO DA USP

Amostra: Sete países que representam 68% do PIB e 50% da população do mundo

Metodologia: Usando a equação básica da contabilidade empresarial (ativo – passivo = patrimônio líquido), os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país. Ou seja, qual o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais

Resultados: Somente Brasil e Rússia terão patrimônio líquido ambiental com superávit em 2050. O Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões e a Rússia, de US$ 156 bilhões. Países como os EUA e China serão os maiores deficitários ambientais, com US$ 2,72 trilhões e US$ 3,26 trilhões, respectivamente. O mundo como um todo terá um ‘déficit’ ambiental de US$ 15,3 trilhões

[EcoDebate, 25/09/2008]