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Do UOL Notícias
Em São Paulo

Médicos e psicólogos acompanharam sessões de interrogatórios da CIA com práticas de torturas para permitir que o uso da violência fosse o mais alto possível dentro dos parâmetros de “segurança”, o que representa uma violação também à ética desses profissionais, que juram proteger a vida humana.

A denúncia está em um relatório escrito pelo grupo Médicos pelos Direitos Humanos (PHR, na sigla em inglês), a partir de documentos da inteligência norte-americana que relatam práticas de interrogatório utilizadas contra suspeitos de atos terroristas. Segundo o PHR, há indícios de que tenham sido realizados até mesmo experimentos humanos ilegais para avaliar a reação dos detidos à tortura.

“Profissionais de saúde desempenharam um papel central no desenvolvimento, na implementação e na elaboração de justificativas para a prática de tortura”, afirma o relatório “Aiding Torture”.

“Médicos e psicólogos se envolveram em desenhar e monitorar dolorosas técnicas de interrogatório. Tal participação médica em tortura é uma clara violação da ética médica”, prossegue o documento. “O monitoramento de técnicas de interrogatório por profissionais médicos para determinar sua efetividade usa presos como objetos humanos sem consentimento e, portanto, se aproxima de experimentação ilegal”.

O relatório acrescenta que, “seguindo os requerimentos, todos os interrogatórios eram monitorados em tempo real por profissionais da saúde”, que mediam, por exemplo, o nível de oxigênio no sangue do interrogado durante uma simulação de afogamento. “Dessa forma, médicos eram usados para calibrar a dor e o sofrimento físico e mental”.

Advogados da CIA também estariam envolvidos na burocracia da tortura. O documento revela que esses profissionais deveriam reportar à agência se as práticas dos agentes poderiam ser classificadas como “tortura”. Para isso, os advogados recorriam aos médicos, responsáveis por analisar os “níveis de dor”. Casos como a simulação de afogamento, por exemplo, foram descritos como “não doloroso fisicamente”, o que facilitava a legitimação dessa prática do ponto de vista legal.

As denúncias feitas pelo grupo de médicos chega depois da divulgação de um relatório secreto da CIA, escrito em 2004, no qual são relatadas duras práticas contra os presos. Para conseguir informações, agentes ameaçaram os detidos com armas e furadeiras; prometiam estuprar e matar parentes dos interrogados; simulavam execuções em ambientes contíguos à sala do interrogatório; confinavam os suspeitos em caixas. 

Documento secreto da CIA sobre práticas de tortura

  • Arte UOL

Além da violência direta, a análise feita pelos Médicos pelos Direitos Humanos acrescenta que outras práticas aparentemente mais leves também tinham forte impacto psicológico entre os detidos, tais como raspagem forçada de barba e cabelo, manipulação da dieta, aplicação de vendas e uso obrigado de fraldas. A longo prazo, esse tipo de tratamento levavam a uma situação de debilidade mental e estresse traumático, denuncia o PHR.

Investigações
Depois que o relatório secreto da CIA veio a público, na última semana, o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, nomeou o promotor John Durham para investigar se os interrogatórios com suspeitos de terrorismo foram ilegais.

“Concluí que a informação disponível justifica a abertura de uma investigação preliminar sobre de violaram as leis relacionadas com os interrogatórios de determinados presos em localidades no exterior”, afirmou o procurador-geral em um comunicado.

Durham, que recebeu a tarefa de conduzir as investigações, já está familiarizado com o tema. Desde 2008, o promotor analisa a destruição pela CIA de 92 vídeos contendo interrogatórios de prisioneiros.

O tema também mobiliza o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que aprovou a criação de uma unidade especial de interrogatório no combate ao terrorismo.

A nova unidade, que deve ser supervisionado de perto pela Casa Branca, terá como objetivo garantir que os futuros interrogatórios estejam de acordo com o manual do exército dos EUA.

É um documentário histórico, mas é muito bom para lembrarmos de onde viemos. Uma panorama do poder das comunicações no Brasil, desde a Tupi até a eleição de Fernando Collor, com direito a imagens históricas do Lula. A parte 4 é imperdível, praticamente um documentário especial sobre a dura história do lula e da esquerda, mesmo em regime “democrático”.

 

Beyond Citizen Kane (Além do Cidadão Kane) – BBC (audio em PT) com voz de Eduardo Coutinho. 1993. 

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Beyond Citizen Kane

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 
Muito Além do Cidadão Kane (BR)
 Reino Unido
1993 ı cor / p&b ı 105 min
Direção Simon Hartog
Roteiro/Guião Simon Hartog

Género Documentário
Idioma Inglês e Português

Beyond Citizen Kane (no BrasilMuito Além do Cidadão Kane) é um documentário televisivo britânico de Simon Hartog produzido em 1993 para o Canal 4 do Reino Unido. A obra detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, seu poder e suas relações políticas. O ex-presidente e fundador da Globo Roberto Marinho foi o principal alvo das críticas do documentário, sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criado em 1941 por Orson Welles para Cidadão Kane, um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o documentário, a Globo emprega a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme.

Sinopse

O documentário acompanha o envolvimento e o apoio da Globo à ditadura militar, sua parceria ilegal com o grupo americano Time Warner (naquela época, Time-Life), algumas práticas de manipulação da emissora de Marinho (incluindo o auxílio dado à tentativa de fraude nas eleições fluminenses de 1982 para impedir a vitória de Leonel Brizola, a cobertura tendenciosa do movimento das Diretas-Já, em 1984, quando a emissora noticiou um importante comício como um evento de comemoração ao aniversário de São Paulo, e a edição, para o Jornal Nacional, do debate do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 1989, de modo a favorecer o candidato Fernando Collor de Mello frente a Luís Inácio Lula da Silva), além de uma controversa negociação envolvendo ações da NEC Corporation e contratos governamentais à época em que José Sarney era presidente da República.

O documentário apresenta depoimentos de destacadas personalidades brasileiras, como o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda, os políticos Leonel Brizola e Antônio Carlos Magalhães, o publicitário Washington Olivetto, os jornalistas Walter ClarkArmando Nogueira e Gabriel Priolli e o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Controvérsia sobre direitos britânicos

O documentário foi transmitido pela primeira vez em setembro de 1993 no Canal 4 do Reino Unido. A transmissão foi adiada em cerca de um ano, pois a Rede Globo contestou, baseando-se em leis britânicas, os produtores de Muito Além do Cidadão Kanepelo uso sem permissão de pequenos fragmentos de programas da emissora para fins de “observação crítica e de revisão”.

Durante este período, o diretor Simon Hartog morreu após uma longa enfermidade. O processo de edição do documentário foi assumido por seu co-produtor, John Ellis. Quando pôde ser finalmente transmitido, cópias do documentário foram disponibilizadas pelo Canal 4 ao custo de produção. Muitas dessas cópias foram enviadas ao Brasil através da comunidade brasileira residente na Grã-Bretanha.

Banimento no Brasil

A primeira exibição pública do filme no Brasil ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), em março de 1994. Um dia antes da estréia, a Polícia Militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando, em caso de desobediência, multar a administração do MAM-RJ. O secretário de cultura acabou sendo despedido três dias depois.

Durante os anos noventa, o filme foi mostrado ilegalmente em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. [1] Em 1995, a Globo entrou com um pedido na Justiça para tentar apreender as cópias disponíveis nos arquivos daUniversidade de São Paulo (USP), mas o pedido foi negado. O filme teve acesso restrito a grupos universitários e só se tornou amplamente visto a partir do ano 2000, graças à popularização da internet.

Distribuição e fenômeno na internet

A Rede Globo tentou comprar os direitos de exibição do programa no Brasil, provavelmente para tentar impedir sua exibição. Entretanto, antes de morrer, Hartog tinha feito um acordo com organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não caíssem nas mãos da Globo, a fim de que pudesse ser amplamente conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. A Globo perdeu o interesse em comprar o filme quando os advogados da emissora descobriram isso, mas até hoje uma decisão judicial proíbe a exibição de Beyond Citizen Kane no Brasil.

Entretanto, muitas cópias ilegais em VHS e DVD do filme vem circulando no país desde então. O documentário está disponível na internet, por meio de redes peer-to-peer e de sítios de partilha de vídeos como o YouTube e o Google Video (onde foi visto quase 600 mil vezes).

Contrariando a crença popular, existem sim cópias legais do filme disponíveis no Brasil, embora em sua grande maioria em bibliotecas e coleções particulares.

Livro

Quando era funcionário do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) à época do lançamento do documentário, Geraldo Anhaia Mello havia promovido exibições públicas do mesmo. Quando soube, o então secretário de cultura da cidade, Ricardo Ohtake, proibiu as exibições, com a alegação de que a cópia do acervo era pirata. O pedido de proibição veio de Luiz Antônio Fleury Filho, então governador do São Paulo. Mello se encarregou de fazer cópias do documentário e, juntamente com outras pessoas, de sua dublagem e distribuição. O livro, que veio logo depois, se trata de uma transcrição em português do roteiro e das entrevistas, exceto alguns trechos de entrevistas de rua ou cenas do acervo da Globo. Os trechos não-dublados no vídeo estão presentes na transcrição.

Ver também

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El País
Miguel Mora
Em Roma (Itália)
O tantã dos tambores não para. Depois de seu périplo africano e da polêmica sobre a Aids e os preservativos, afirmar que Joseph Ratzinger é um papa cada vez mais questionado é uma obviedade. Fora da Igreja não param as críticas e os ataques. Na França e na Alemanha as pesquisas entre católicos já registram a palavra “demissão” e governos, cidadãos e ONGs demonstram claramente seu descontentamento. Dentro do Vaticano as coisas estão iguais ou piores. O papa alemão foi eleito pelos cardeais por sua alta inteligência. Mas, como diz o veterano vaticanista e escritor Giancarlo Zizola, “estes primeiros quatro anos de papado sugerem que, por mais que sua inteligência seja finíssima, ela não basta para governar a Igreja”.

“Ratzinger é um prisioneiro da cúria, vive em uma espécie de Avignon, distante dos episcopados nacionais, sem apoio além do de sua pequena camarilha”, explica Zizola, autor do livro “Santità e potere. Dal Concilio a Benedetto XVI. El Vaticano visto dal interno” [Santidade e poder. Do concílio a Bento 16. O Vaticano visto por dentro]. O sacerdote e jornalista Filippo di Giacomo, durante 11 anos missionário no Congo, hoje juiz vicário em Roma, acredita que a crise que vive o Vaticano “reflete uma doença crônica de sete séculos: seu sistema de governo não funciona nem é colegiado”. “A cúria moderna é uma máquina gigantesca, inoperante e inútil. Há 35 cardeais em Roma. Estão divididos em grupos, confrontados, e se dedicam a conspirar e cooptar afins pelos corredores”, indica Di Giacomo.

Trata-se de uma batalha a toda regra, na qual os lados se misturam e se confundem. A revolta explodiu com o perdão aos bispos lefebvrianos. Um amplo grupo de bispos e teólogos moderados e conciliares (alemães, franceses e sobretudo latino-americanos), cansados de não serem levados em conta, fez ver seu descontentamento ao papa. Em resposta, este repreendeu a cúria por não atuar de forma “colegiada e exemplar”.

Zizola lembra que Wojtyla [João Paulo 2º] tentou revelar uma fratura que já existia, à base de carisma e de comunicação. Seu papado cresceu com a televisão e se transformou em uma espécie de Show de Truman, a primeira encíclica católica: o vimos envelhecer, derrubar o Muro de Berlim, sofrer atentados, viajar, beijar o chão do planeta várias vezes, agonizar ao vivo. Mas nem ele foi capaz de reformar o sistema de governo. “Preferiu escapar de Roma e esconder a crise da Igreja e o vazio de governo”, diz Zizola.

Enquanto Wojtyla viajava, Ratzinger estuda e escreve. Muito mais isolado e na defensiva, o papa suporta mal que o contrariem. Sua carta aos bispos revelou que lhe desagradam sobretudo o desamor, a intriga, “o ódio e a hostilidade”. Seu texto desenha uma cúria conspiradora, que aspira a mandar tanto ou mais que ele, que move os cordões na sombra, que filtra notícias, escondendo a mão, para se fazer valer. A sensibilidade peculiar de Ratzinger é uma parte do problema. Trata-se de um “pastor alemão” como intitulou “Il Manifesto” quando foi nomeado, ou é “um cordeiro no meio de lobos”, segundo a expressão do Evangelho de Mateus?

Di Giacomo despachou com ele muitas vezes quando dirigia a Congregação para a Doutrina da Fé: “Você pode lhe dizer qualquer coisa, desde que não eleve a voz. Se a aumentar meio tom, ele fazia seu sorriso estranho, fechava o caderno e ia embora. Diante dele não se pode ofender ninguém. É um democrata-cristão bávaro, e estes são raros. Podem ter ideias avançadas, mas se os outros não as seguem se assustam e freiam. Ratzinger é qualquer coisa menos um aventureiro. Por isso saiu da Universidade de Tübingen no dia em que encontrou os estudantes protestando atirados no chão. É um monge, e ninguém lhe disse há tempo que o mundo midiático não é uma classe universitária”.

Em um texto publicado pela revista religiosa “Il Regno”, Zizola lembrou que em 1965 o bispo brasileiro Hélder Câmara anunciou ao mundo durante o concílio a reforma da monarquia pontifícia, criando um senado composto por cardeais, patriarcas e bispos eleitos pelas conferências episcopais, para ajudar o papa no governo e convocar a cada dez anos um concílio ecumênico.

A reforma nunca foi feita. A cúria, a corte púrpura, essa entidade invisível e luxuosamente vestida, cujo poder sobrevive aos papas, jamais aceitou a democratização. Hoje dentro da cúria ninguém confia em ninguém. De um lado estão os influentes homens “do serviço”, como se autodenominam os diplomatas da secretaria de estado dirigida por Tarcisio Bertone, o único que despacha diariamente com Ratzinger; de outro, os intelectuais orgânicos (jornalistas, professores, juristas, reitores…), alguns papistas e não muitos; e depois há a variada salada cardinalícia e episcopal dirigida pelos “dicastérios” [grandes organizações]: nove congregações, 11 conselhos pontifícios, três tribunais e três oficinas. “Nos dicastérios estão os casos piedosos”, diz Filippo Di Giacomo. “Desde Paulo 6º, o papa que internacionalizou a cúria e a recheou de excelência com os melhores cérebros dessa época, a decadência da equipe de governo foi constante. Wojtyla chegou a Roma em 1978 cheio de ódio contra a cúria, porque ninguém escutava os bispos do Leste Europeu, e trouxe todos os fracassados, os que não serviam para as dioceses”, conta Di Giacomo. “López Trujillo, Castrillón Hoyos, Martínez Somalo, Martino, Barragán, Milingo… gente insignificante. Depois tornou bispo seu secretário e lhe disse: ‘Dessas bestas você cuida’.”

Poderá este papa, mais tímido ainda, apaziguar esse rebanho de “gálatas que mordem e devoram”? Segundo Zizola, “o papa trabalhou durante o concílio na fronteira da renovação e sabe que o grande problema é a participação nula dos bispos no governo da Igreja. Alguns cardeais lembram que os bispos eram consultados mais frequentemente na época de Pio 12, antes do concílio, do que atualmente”.

Perto do papa, concordam Zizola e Di Giacomo, está o deserto. Quatro freiras americanas que dirigem o departamento de informática e evitam que os hackers entrem no site. Seu secretário, o belo, alto e bávaro Georg Genswein, é considerado um zero à esquerda. “É um cretino”, afirma sem rodeios um membro da cúria. O porta-voz, o amável jesuíta Federico Lombardi, e seus dois ajudantes não dão conta de apagar incêndios e que segundo se diz serão substituídos em junho.

Os homens de confiança são ainda menos. O cardeal alemão Lehman, que culpou os mensageiros pelo desastre Williamson; Bertone, o secretário de Estado que também deixará seu lugar em breve devido à idade. Antonio Cañizares, prefeito da estratégica, segundo a visão de Ratzinger, Congregação para o Culto Divino. E o lituano Audrys Juozas Backis, que poderá substituir Bertone. Muito poucos para um homem de 81 anos com uma enorme carga de trabalho. “O grau de complexidade do cargo, com 1,1 bilhão de católicos, 6 mil bispos na ativa, relações ecumênicas e interreligiosas, viagens, encíclicas e relações de Estado, é insustentável para um homem só, inteligente como Ratzinger ou carismático como Wojtyla”, diz Zizola.

Por isso há muitos bispos em guerra. Enquanto Ratzinger salta de um pântano para outro, a Igreja moderada, progressista e conciliar não aguenta mais. Segundo Zizola, o poder da Opus Dei, como nos tempos de Wojtyla e Navarro Valls, continua enorme. Di Giacomo não acredita que seja tanto. Mas a máquina de enredar está funcionando. Com o perdão dos lefebvrianos, o papa desprezou as correntes de sinal oposto, especialmente a Teologia da Libertação, que o mesmo freou há 25 anos. Ao fundo, já se fala em um possível substituto, o cardeal de Honduras Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga. Mas isso a cúria decidirá.

Tao 道(pronuncia-se tao, mas na grafia chinesa Pinyin escreve-se Dao) significa, traduzindo literalmente, o Caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o Absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as «dez mil coisas» que existem no Universo foram criadas.

É um conceito muito antigo, adotado como princípio fundamental do taoísmo, doutrina fundada por Lao Zi.

Índice

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Tao é a espontaneidade natural

O conceito de Tao é algo que só pode ser apreendido por intuição. É algo muito simples, mas não pode ser explicado. É o que existe e o que inexiste. Só que nós temos demasiados conceitos dentro da cabeça para o entender como um todo uno.

O Tao é o Caminho da espontaneidade natural. É o que produz todas as coisas que existem. O Te 德 (a Virtude) é o modo de caminhar espontâneo que dá às coisas a sua perfeição.

O Tao não transcende o mundo; o Tao é a totalidade da espontaneidade ou «naturalidade» de todas as coisas. Cada coisa é simplesmente o que é e faz. Por isso, o Tao não faz nada; não precisa de o fazer para que tudo o que deve ser feito seja feito. Mas, ao mesmo tempo, tudo que cada coisa é e faz espontaneamente é o Tao. Por isso, o Tao «faz tudo ao fazer nada».

O Tao produz as coisas e é o Te que as sustenta. As coisas surgem espontaneamente e agem espontaneamente. Cada coisa tem o seu modo espontâneo e natural de ser. E todas as coisas são felizes desde que evoluam de acordo com a sua natureza. São as modificações nas suas naturezas que causam a dor e o sofrimento.

O modo de caminhar taoista

Se entendermos bem a natureza das coisas e conseguirmos esquecer tudo o que aprendemos que tenta ir contra ela, conseguimos fazer tudo o que é possível, com o mínimo esforço. Porque acabamos por deixar as coisas seguirem o seu curso natural. Não fazemos nada (claramente por nossa vontade própria) mas nada fica por fazer.

Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.48) – O Livro do Caminho e da sua Virtude

Devemos agir de acordo com a nossa vontade apenas dentro dos limites da nossa natureza e sem tentar fazer o que vai para além dela. Devemos usar o que é naturalmente útil e fazer o que espontaneamente podemos fazer sem interferir na nossa natureza. E não tentar fazer aquilo que não podemos fazer ou tentar saber aquilo que não podemos saber. A felicidade é essa “não-ação” perfeita (wu wei 無為 ).

Para conseguirmos entender o curso natural das coisas e seguirmos o Caminho temos que conseguir desaprender muitos conceitos. Para os podermos desaprender é preciso que antes os tenhamos aprendido. Mas temos que passar a um estado muito parecido com o estado inicial em que estavamos antes de o termos aprendido.

Se abrirmos os olhos de repente, há um brevíssimo momento durante o qual o nosso cérebro ainda não analisou o que está a ver. Ainda não distinguiu as cores e as formas nem descodificou o que se está a passar à nossa frente. Os taoistas procuram viver o mais perto possível desse estado. É uma renúncia à análise, sempre imperfeita, da realidade.

Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.11)

Ver também

 

Leia o Tao Te Ching em português, traduzido pelo time da wikisource

Leia o Tao Teh King em inglês, traduzido por Aleister Crowley

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