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Cientistas caçam asteroides que ameaçam a Terra

Publicado: setembro 28, 2009 por Yogi em Nature, Science, Tech, Tudo

 

DAVID SHIGA
da New Scientist

O ponto fraco que se movimenta devagar no céu parece sem perigo. O telescópio no topo da montanha que o detectou aponta que ele está se tornando uma ameaça muito séria, no entanto. É um asteroide, um jamais visto antes.

Asteroide chega à posição mais próxima da Terra, diz astrônomo
Nasa não tem verba para caçar asteroides mortais, diz relatório
Observatório vai monitorar asteroides que possam se chocar

Pesquisas rápidas com telescópios descobrem milhares de asteroides a cada ano, mas há algo muito peculiar sobre este. O software do telescópio decide acordar vários astrônomos com uma mensagem de texto, que eles jamais esperaram receber. O asteroide está em rota de colisão com a Terra. É do tamanho de um edifício. Grande o bastante para arrasar uma cidade inteira. E, claro, ele estará aqui em três dias.

Por mais inverossímil que possa parecer, o cenário é bastante plausível. Certamente, é realista o suficiente para que a força aérea dos Estados Unidos recentemente reunisse cientistas, oficiais militares e responsáveis por setores de atendimento à emergência pela primeira vez, a fim de avaliar a capacidade do país para enfrentar o fenômeno, caso ele ocorra.

Os especialistas foram convidados a imaginar como as respectivas organizações responderiam no caso de um asteroide imaginário, chamado Innoculatus, colidir com a Terra após um alerta de três dias. O asteroide consistia em duas partes: um amontoado de escombros de 270 metros de diâmetro destinado a cair no oceano Atlântico, na costa oeste da África, e uma rocha de 50 metros, no melhor estilo Hollywood, diretamente em Washington.

O exercício, que ocorreu em dezembro de 2008, expôs o arrepiante perigo que os asteroides proporcionam. Não somente inexiste um plano para um possível choque de asteroides, como também nossos sistemas de alerta antecipado –que poderia fazer uma diferença entre a vida e a morte– são totalmente inadequados. A reunião criou apenas a chamada de conscientização que o organizador Peter Garreston esperava criar. Há bastante tempo, ele estava preocupado quanto à ameaça de um impacto. “Como contribuinte, eu apreciaria minha Força Aérea dando uma olhada em algo que seria, certamente, tão mau como terrorismo nuclear em uma cidade e, potencialmente, um evento de extermínio de uma civilização”, observa Garreston.

A última rocha espacial que poderia nos deixar em calafrios era a TC3 2008. O objeto, do tamanho de um carro, explodiu na atmosfera sobre o Sudão em outubro do ano passado. Um telescópio captou a imagem do asteroide apenas 20 horas antes do impacto -em uma distância de 500 mil km-e os astrônomos disseram que tivemos sorte por receber qualquer aviso.

Felizmente, o TC3 2008 era demasiadamente pequeno para causar qualquer dano no chão, mas ele demonstrou como somos cegos para observar objetos grandes o suficiente para causar danos sérios. Mal começamos a rastrear os milhões de asteroides que cruzam o céu nas vizinhanças da Terra, tampouco aqueles que, com o impacto, têm um poder destrutivo semelhante ao de uma bomba nuclear.

Impactos de asteroides não são tão raros como se pode pensar. É amplamente aceito que um asteroide ou cometa, cujo diâmetro variava entre 30 ou 50 metros, explodiu sobre Tunguska, na Sibéria, em 1908, achatando árvores em dezenas de quilômetros ao redor. A chance de um impacto semelhante é de 1 em 500 a cada ano. Dito de outra forma, isso significa 10% de chances de um impacto nos próximos 50 anos.

“Asteroides de 50 metros me assustam até a morte”, disse Timothy Spahr, diretor do Minor Planet Center, em Massachussets. “Posso ver facilmente um objeto de 50 metros caindo em três dias, e causando um pandemônio absoluto.”

Durante o exercício da força aérea dos Estados Unidos, os cientistas participantes explicaram que, com aviso tão pequeno, não haveria esperança de prevenir o impacto. Mesmo que o Inoculatus fosse menor que os 50 metros propostos, pesaria centenas de milhares de toneladas, o que exigiria um enorme impulso para mudar a sua trajetória consideravelmente. Para desviar o rumo de um asteroide, a força teria que ser aplicada com anos de antecedência.

Na verdade, uma arma nuclear pioraria as coisas: ao quebrar o asteroide em pedaços, alguns deles poderiam causar danos -até mesmo a partir da criação de uma tempestade de meteoros com potencial de destruir os satélites em órbita na Terra.

Esteja preparado

“Até agora, os EUA têm a maior parte da responsabilidade de lidar com o problema. É hora de outros países assumirem partes iguais a respeito do assunto”, diz Richard Crowther, do Conselho de Ciência e Tecnologia do Reino Unido.

LSST Corporation
Telescópio que será aplicado para monitorar asteroides ainda não tem verba para construção
Telescópio que será aplicado para monitorar asteroides e outros corpos não tem verba

O auxílio vêm de dois novos observatórios norte-americanos, projetados para pesquisar de todo o céu visível de suas localizações, em um período curto de dias. O Telescópio de Pesquisa Panorâmica e Sistema de Resposta Rápida (Pan-Starrs, na sigla em inglês) será composto por quatro telescópios de 1,8 metro –o primeiro deles já está funcionando no Havaí. Há planos para construção de um telescópio de 8,4 metros no Chile em 2015 –mas o projeto ainda está levantando fundos. Os equipamentos vão melhorar as chances de uma detecção precoce, e vão estender em até um mês o aviso de identificação de objetos com 30 metros de diâmetro.

Impactos de asteroides são muito mais raros que furacões e terremotos -mas têm o potencial de causar danos muito maiores. “Não se trata de algo que precise de bilhões de dólares por ano em gastos, mas deve ter alguma prioridade na lista de coisas com as quais deveríamos estar preocupados”, diz Irwin Shapiro, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, em Massachussetts. O dinheiro seria aplicado para dar uma ideia mais nítida sobre quando o próximo asteroide poderia cair. “Pelo que sabemos hoje”, observa, “poderia ser na próxima semana.”

 

Setenta anos da morte de Freud

Publicado: setembro 24, 2009 por Yogi em Culture, Nature, Philosophy, Tudo
As hipóteses formuladas pelo criador da teoria psicanalítica marcaram a cultura contemporânea

Sigmund Freud (1856-1939)

Sigmund Freud é um dos personagens mais citados do último século. Coleciona tanto títulos como críticas e discordâncias: enquanto uns o consideram o “descobridor do inconsciente” outros já o qualificaram como charlatão e embusteiro intelectual. Mas o célebre neurologista, que morreu em 23 de setembro de 1939, há exatos 70 anos, não foi o primeiro a voltar sua atenção para a atividade psíquica. No âmbito da filosofia, desde o Iluminismo já era de conhecimento geral a existência de uma esfera na qual se desenrolam processos psíquicos inconscientes que co-determinam o que pensamos e sentimos, assim como o que fazemos ou deixamos de fazer. Os românticos do início do século XIX chegaram mesmo a basear nesse conhecimento toda sua produção intelectual. Do ponto de vista científico, porém, o inconsciente era terra incógnita até que Freud começa-se a mapeá-lo.

Suas teorias foram instigadoras de polêmicas. Quando escreveu A sexualidade na etiologia das neuroses, em 1898, defendendo, pela primeira vez, a existência da sexualidade infantil, causou escândalo entre os médicos vienenses. Cerca de um ano antes, tinha se desiludido com as pacientes histéricas. Na famosa carta de 21 de setembro de 1897 ao amigo e interlocutor Wilhelm Fliess, o criador da psicanálise diz: “Não acredito mais na minha neurótica”, referindo-se a sua conclusão de que os relatos de sedução na infância, feitos pelas pacientes, não correspondiam ao que, efetivamente, tinha ocorridos em suas vidas.

Posteriormente, em A interpretação dos sonhos, de 1900, Freud já detinha na questão sexual e suas formas inconscientes de expressão. Ao afirmar que a produção onírica é “a via régia que conduz aos conhecimentos do inconsciente”, apresentou um aspecto inovador para a compreensão da mente humana, enfocando a produção onírica como própria do sujeito – e não externa ele. Uma produção psíquica, aliás, repleta de desejos inconscientes reveladora da sexualidade, dado que os sonhos permitiriam a realização de desejos recalcados.

Ainda de acordo com ele, se nos aprofundarmos na análise dos sonhos, por meio da associação livre, chegaremos a conteúdos latentes repletos de conotações eróticas, resquícios de desejos sexuais infantis. Porém, para que conteúdos reprimidos possam burlar a autocensura, ainda que parcialmente, surgem travestidos por dois tipos de símbolos universais (presentes em diferentes culturas e épocas) e individuais (que ganham sentido para quem sonha).

Mais de um século após a publicação dos primeiros textos freudianos muitos pensadores partiram de suas construções para propor outras formas de compreender o ser humano e seu funcionamento. Podem-se repudiar suas ideias ou comungar com elas, aceitá-las ou não, mas algo é certo: é impossível ficar indiferente. “Hoje sabemos que não se trata de provar que Freud tinha razão – mas a psicanálise e pesquisa cerebral não precisam se contradizer”, diz o neuropsicanalista Mark Solms.

Não, “Anticristo” não é um filme romântico!

Toda forma de arte tem seus gênios, gênios incompreendidos e farsantes. Futebol, por exemplo. Entre os gênios: Pelé, Ronaldo Fofômeno etc. Entre os incompreendidos: Platini, Zico, Barbosa e outros que jogavam muito, mas nunca foram campeões de Copas do Mundo. Entre os farsantes: escolha um cabeça-de-bagre qualquer…

E há os polêmicos, por vários motivos – tanto o que faziam dentro do estádio, como o que faziam fora deles. Maradona, César Maluco, Romário.

O cinema também é assim. E o diretor dinamarquês Lars von Trier não é exatamente fácil de ser “enquadrado” nas categorias acima. Talvez “polêmico” seja um bom adjetivo para ele.

“Dançando no Escuro”, por exemplo, levou a Palma de Ouro em Cannes em 2000, e é adorado por quase todos que o assistem – por mais triste que ele seja. Já “Os Idiotas”, de dois anos antes, é um pouco mais difícil: mostra jovens intelectualizados que decidem se comportar em público como se tivessem problemas mentais. Por quê? Veja o filme…

Mas tudo isso para dizer que “Anticristo”, o novo e polêmico filme de Von Trier é difícil. Difícil de quê?, pergunta você, internauta.

Difícil de ver até o fim.

Difícil de entender.

Difícil de saber se você gostou ou não.

Hein?

  • Uma mulher seminua ao lado de bichos que a ignoram: quantas metáforas você vê nesta foto?

Enredo
Vamos começar pelo princípio: o enredo. Começa com um casal transando (sim, há sexo explícito), enquanto o filho deles cai pela janela e morre. O resto do filme são eles tentando lidar com isso. A mulher, deprimida. O marido, que é psiquiatra, tentando tratá-la.

OK até aí? Trata-se de um drama, claro. Mas há muitas e muitas maneiras de lidar com a depressão. “O filme todo começou quando eu tive depressão”, diz o diretor Von Trier logo no início do depoimento abaixo.
UOL Cinema
Assistindo ao filme ao filme, dá a impressão que ele quis se curar da depressão deprimindo os outros.

A cena da morte do bebê é, plasticamente, muito bonita. Se você não se importar em ver um bebê morrendo enquanto seus pais consomem o ato (tucanei o “transam”). Depois, cenas de choros, animais não-fofinhos, sustos, auto-emasculação. E outras imagens devidamente doloridas.

Metáfora religiosa. Ou não
Se você esteve no planeta Terra nos últimos dois milênios, deve imaginar que um filme chamado “Anticristo” tenha algum tipo de simbolismo religioso.

O QUE OS AMIGOS DO EDITOR DO UOL TABLOIDE ACHARAM DO FILME

Não se reprima: se cure e deprima

Zé Ruela

De depressão, já me basta a realidade

Resmungo, o Chato

De deprimido, já me basta o Resmungo

Reclama, a namorada do Resmungo

Acho que o diretor bebe as mesmas coisas que eu

Zé Cachacinha

Soma-se a isso o fato de o filme se passar em uma floresta chamada Éden – não foi o Jardim do Éden o palco do “Gênesis”, o primeiro livro da Bíblia?

E são apenas dois personagens: o cara (Ele) e a mulher (Ela). Estaria Von Trier recontando a origem do mundo, do universo, da religião? Afinal, há passagens bem simbólicas. E sem explicações. Afinal, explicações para quê? Este é um filme de arte, bicho. Maior barra.

O filme ainda faz menções às perseguições que as mulheres sofreram na Idade Média, acusadas de bruxas.

Diante disso tudo, dá para evitar pensar que este é um filme de fundo religioso? Sim, dá. Você passa tanto tempo sofrendo, sentindo dor, sofrendo e sentindo dor, que talvez termine o filme sem ver sombra alguma de religião ali – e sem entender se é um filme a favor das religiões, contra as religiões e totalmente à margem disso.

Depressão tem cura?
Sabendo que o diretor começou este filme para curar sua depressão, e sendo nós humanos que queremos sempre o bem do próximo, resta-nos torcer para que Von Trier tenha curado sua depressão. E que ele prepare outro filme, mas para nos curar da depressão que entramos ao assistir a “Anticristo”.

Inédito – Fernando Pessoa

Publicado: agosto 27, 2009 por Yogi em Arts, Culture, Literature, Media, Nature, Philosophy, Tudo
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    Sossega, coração! Não desesperes!
    Talvez um dia, para além dos dias,
    Encontres o que queres porque o queres.
    Então, livre de falsas nostalgias,
    Atingirás a perfeição de seres.
    Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
    Pobre esperença a de existir somente!
    Como quem passa a mão pelo cabelo
    E em si mesmo se sente diferente,
    Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
    Sossega, coração, contudo! Dorme!
    O sossego não quer razão nem causa.
    Quer só a noite plácida e enorme,
    A grande, universal, solente pausa
    Antes que tudo em tudo se transforme.
    Fernando Pessoa, 2-8-1933.

Electromagnetic Spectrum

Publicado: agosto 25, 2009 por Yogi em Nature, Science, Tech, Tudo

From Wikipedia, the free encyclopedia

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Although some radiations are marked as N for no in the diagram, some waves do in fact penetrate the atmosphere, although extremely minimally compared to the other radiations

The electromagnetic spectrum is the range of all possible frequencies of electromagnetic radiation.[1] The “electromagnetic spectrum” of an object is the characteristic distribution of electromagnetic radiation emitted or absorbed by that particular object.

The electromagnetic spectrum extends from below frequencies used for modern radio through to gamma radiation at the short-wavelength end, covering wavelengths from thousands of kilometers down to a fraction of the size of an atom. The long wavelength limit is the size of the universe itself, while it is thought that the short wavelength limit is in the vicinity of the Planck length, although in principle the spectrum is infinite and continuous.

Legend[2][3][4]

γ= Gamma rays MIR= Mid infrared HF= High freq.
HX= Hard X-Rays FIR= Far infrared MF= Medium freq.
SX= Soft X-Rays Radio waves LF= Low freq.
EUV= Extreme ultraviolet EHF= Extremely high freq. VLF= Very low freq.
NUV= Near ultraviolet SHF= Super high freq. VF/ULF= Voice freq.
Visible light UHF= Ultra high freq. SLF= Super low freq.
NIR= Near Infrared VHF= Very high freq. ELF= Extremely low freq.
    Freq=Frequency

Contents

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[edit] Range of the spectrum

EM waves are typically described by any of the following three physical properties: the frequency f, wavelength λ, or photon energy E. Frequencies range from 2.4x1023 Hz (1 GeV gamma rays) down to tiny fractions of Hertz (nanohertz for astronomical scale waves). Wavelength is inversely proportional to the wave frequency, so gamma rays have very short wavelengths that are fractions of the size of atoms, whereas wavelengths can be as long as the universe. Photon energy is directly proportional to the wave frequency, so gamma rays have the highest energy around a billion electron volts and radio waves have very low energy around femto electron volts. These relations are illustrated by the following equations:

f = \frac{c}{\lambda}     or       f = \frac{E}{h}     or       E=\frac{hc}{\lambda}

Where:

c = 299,792,458 m/s (speed of light in vacuum) and
h = 6.62606896(33)×10−34 J·s (Planck’s constant).

Whenever electromagnetic waves exist in a medium (matter), their wavelength is decreased. Wavelengths of electromagnetic radiation, no matter what medium they are traveling through, are usually quoted in terms of the vacuum wavelength, although this is not always explicitly stated.

Generally, EM radiation is classified by wavelength into radio wave, microwave, infrared, the visible region we perceive as light, ultraviolet, X-rays and gamma rays. The behavior of EM radiation depends on its wavelength. When EM radiation interacts with single atoms and molecules, its behavior also depends on the amount of energy per quantum (photon) it carries.

Spectroscopy can detect a much wider region of the EM spectrum than the visible range of 400 nm to 700 nm. A common laboratory spectroscope can detect wavelengths from 2 nm to 2500 nm. Detailed information about the physical properties of objects, gases, or even stars can be obtained from this type of device. Spectroscopes are widely used in astrophysics. For example, many hydrogen atoms emit a radio wave photon which has a wavelength of 21.12 cm. Also, frequencies of 30 Hz and below can be produced by and are important in the study of certain stellar nebulae[5] and frequencies as high as 2.9×1027 Hz have been detected from astrophysical sources.[6]

[edit] Rationale

Electromagnetic radiation interacts with matter in different ways in different parts of the spectrum. The types of interaction can be so different that it seems to be justified to refer to different types of radiation. At the same time there is a continuum containing all these “different kinds” of electromagnetic radiation. Thus we refer to a spectrum, but divide it up based on the different interactions with matter.

Region of the spectrum Main interactions with matter
Radio Collective oscillation of charge carriers in bulk material (plasma oscillation). An example would be the oscillation of the electrons in an antenna.
Microwave through far infrared Plasma oscillation, molecular rotation
Near infrared Molecular vibration, plasma oscillation (in metals only)
Visible Molecular electron excitation (including pigment molecules found in the human retina), plasma oscillations (in metals only)
Ultraviolet Excitation of molecular and atomic valence electrons, including ejection of the electrons (photoelectric effect)
X-rays Excitation and ejection of core atomic electrons
Gamma rays Energetic ejection of core electrons in heavy elements, excitation of atomic nuclei, including dissociation of nuclei
High energy gamma rays Creation of particle-antiparticle pairs. At very high energies a single photon can create a shower of high energy particles and antiparticles upon interaction with matter.

[edit] Types of radiation

The electromagnetic spectrum

While the classification scheme is generally accurate, in reality there is often some overlap between neighboring types of electromagnetic energy. For example, SLF radio waves at 60 Hz may be received and studied by astronomers, or may be ducted along wires as electric power.

The distinction between X and gamma rays is based on sources. “Gamma ray” is the name given to the photons generated from nuclear decay or other nuclear and subnuclear/particle processes, whereas X-rays on the other hand are generated by electronic transitions involving highly energetic inner atomic electrons. Generally, nuclear transitions are much more energetic than electronic transitions, so usually, gamma-rays are more energetic than X-rays, but exceptions exist. By analogy to electronic transitions, muonic atom transitions are also said to produce X-rays, even though their energy may exceed 6 MeV,[7] whereas there are a few low-energy nuclear transitions (e.g. the 14.4 keV nuclear transition of Fe-57), and despite being over 400-fold less energetic than some muonic X-rays, the emitted photons are still called gamma rays due to their nuclear origin.[8]

Also, the region of the spectrum of particular electromagnetic radiation is reference-frame dependent (on account of the Doppler shift for light) so EM radiation which one observer would say is in one region of the spectrum could appear to an observer moving at a substantial fraction of the speed of light with respect to the first to be in another part of the spectrum. For example, consider the cosmic microwave background. It was produced, when matter and radiation decoupled, by the de-excitation of hydrogen atoms to the ground state. These photons were from Lyman series transitions, putting them in the ultraviolet (UV) part of the electromagnetic spectrum. Now this radiation has undergone enough cosmological red shift to put it into the microwave region of the spectrum for observers moving slowly (compared to the speed of light) with respect to the cosmos. However, for particles moving near the speed of light, this radiation will be blue-shifted in their rest frame. The highest energy cosmic ray protons are moving such that, in their rest frame, this radiation is blueshifted to high energy gamma rays which interact with the proton to produce bound quark-antiquark pairs (pions). This is the source of the GZK limit.

[edit] Radio frequency

Main article: Radio frequency

Radio waves generally are utilized by antennas of appropriate size (according to the principle of resonance), with wavelengths ranging from hundreds of meters to about one millimeter. They are used for transmission of data, via modulation. Television, mobile phones, wireless networking and amateur radio all use radio waves.

Radio can be made to carry information by varying a combination of the amplitude, frequency and phase of the wave within a frequency band and the use of the radio spectrum is regulated by many governments through frequency allocation. When EM radiation impinges upon a conductor, it couples to the conductor, travels along it, and induces an electric current on the surface of that conductor by exciting the electrons of the conducting material. This effect (the skin effect) is used in antennas. EM radiation may also cause certain molecules to absorb energy and thus to heat up, thus causing thermal effects and sometimes burns; this is exploited in microwave ovens.

[edit] Microwaves

Main article: Microwaves

Plot of Earth’s atmospheric transmittance (or opacity) to various wavelengths of electromagnetic radiation.

The super high frequency (SHF) and extremely high frequency (EHF) of microwaves come next up the frequency scale. Microwaves are waves which are typically short enough to employ tubular metal waveguides of reasonable diameter. Microwave energy is produced with klystron and magnetron tubes, and with solid state diodes such as Gunn and IMPATT devices. Microwaves are absorbed by molecules that have a dipole moment in liquids. In a microwave oven, this effect is used to heat food. Low-intensity microwave radiation is used in Wi-Fi, although this is at intensity levels unable to cause thermal heating.

Volumetric heating, as used by microwaves, transfer energy through the material electro-magnetically, not as a thermal heat flux. The benefit of this is a more uniform heating and reduced heating time; microwaves can heat material in less than 1% of the time of conventional heating methods.

When active, the average microwave oven is powerful enough to cause interference at close range with poorly shielded electromagnetic fields such as those found in mobile medical devices and cheap consumer electronics.

[edit] Terahertz radiation

Main article: Terahertz radiation

Terahertz radiation is a region of the spectrum between far infrared and microwaves. Until recently, the range was rarely studied and few sources existed for microwave energy at the high end of the band (sub-millimetre waves or so-called terahertz waves), but applications such as imaging and communications are now appearing. Scientists are also looking to apply terahertz technology in the armed forces, where high frequency waves might be directed at enemy troops to incapacitate their electronic equipment.

[edit] Infrared radiation

Main article: Infrared radiation

The infrared part of the electromagnetic spectrum covers the range from roughly 300 GHz (1 mm) to 400 THz (750 nm). It can be divided into three parts:

  • Far-infrared, from 300 GHz (1 mm) to 30 THz (10 μm). The lower part of this range may also be called microwaves. This radiation is typically absorbed by so-called rotational modes in gas-phase molecules, by molecular motions in liquids, and by phonons in solids. The water in the Earth’s atmosphere absorbs so strongly in this range that it renders the atmosphere effectively opaque. However, there are certain wavelength ranges (“windows”) within the opaque range which allow partial transmission, and can be used for astronomy. The wavelength range from approximately 200 μm up to a few mm is often referred to as “sub-millimetre” in astronomy, reserving far infrared for wavelengths below 200 μm.
  • Mid-infrared, from 30 to 120 THz (10 to 2.5 μm). Hot objects (black-body radiators) can radiate strongly in this range. It is absorbed by molecular vibrations, where the different atoms in a molecule vibrate around their equilibrium positions. This range is sometimes called the fingerprint region since the mid-infrared absorption spectrum of a compound is very specific for that compound.
  • Near-infrared, from 120 to 400 THz (2,500 to 750 nm). Physical processes that are relevant for this range are similar to those for visible light.

[edit] Visible radiation (light)

Main article: Visible spectrum

Above infrared in frequency comes visible light. This is the range in which the sun and stars similar to it emit most of their radiation. It is probably not a coincidence that the human eye is sensitive to the wavelengths that the sun emits most strongly. Visible light (and near-infrared light) is typically absorbed and emitted by electrons in molecules and atoms that move from one energy level to another. The light we see with our eyes is really a very small portion of the electromagnetic spectrum. A rainbow shows the optical (visible) part of the electromagnetic spectrum; infrared (if you could see it) would be located just beyond the red side of the rainbow with ultraviolet appearing just beyond the violet end.

EM radiation with a wavelength between 380 nm and 760 nm (790–400 terahertz) is detected by the human eye and perceived as visible light. Other wavelengths, especially near infrared (longer than 760 nm) and ultraviolet (shorter than 380 nm) are also sometimes referred to as light, especially when the visibility to humans is not relevant.

If radiation having a frequency in the visible region of the EM spectrum reflects off of an object, say, a bowl of fruit, and then strikes our eyes, this results in our visual perception of the scene. Our brain’s visual system processes the multitude of reflected frequencies into different shades and hues, and through this not-entirely-understood psychophysical phenomenon, most people perceive a bowl of fruit.

At most wavelengths, however, the information carried by electromagnetic radiation is not directly detected by human senses. Natural sources produce EM radiation across the spectrum, and our technology can also manipulate a broad range of wavelengths. Optical fiber transmits light which, although not suitable for direct viewing, can carry data that can be translated into sound or an image. The coding used in such data is similar to that used with radio waves.

[edit] Ultraviolet light

Main article: Ultraviolet

The amount of penetration of UV relative to altitude in Earth’s ozone

Next in frequency comes ultraviolet (UV). This is radiation whose wavelength is shorter than the violet end of the visible spectrum, and longer than that of an x-ray.

Being very energetic, UV can break chemical bonds, making molecules unusually reactive or ionizing them (see photoelectric effect), in general changing their mutual behavior. Sunburn, for example, is caused by the disruptive effects of UV radiation on skin cells, which is the main cause of skin cancer, if the radiation irreparably damages the complex DNA molecules in the cells (UV radiation is a proven mutagen). The Sun emits a large amount of UV radiation, which could quickly turn Earth into a barren desert; however, most of it is absorbed by the atmosphere’s ozone layer before reaching the surface.

[edit] X-rays

Main article: X-rays

After UV come X-rays, which are also are ionizing, but due to their higher energies they can also interact with matter by means of the Compton effect. Hard X-rays have shorter wavelengths than soft X-rays. As they can pass through most substances, X-rays can be used to ‘see through’ objects, most notably diagnostic x-ray images in medicine (a process known as Radiography), as well as for high-energy physics and astronomy. Neutron stars and accretion disks around black holes emit X-rays, which enable us to study them. X-rays are given off by stars, and strongly by some types of nebulae.

[edit] Gamma rays

Main article: Gamma rays

After hard X-rays come gamma rays, which were discovered by Paul Villard in 1900. These are the most energetic photons, having no defined lower limit to their wavelength. They are useful to astronomers in the study of high energy objects or regions, and find a use with physicists thanks to their penetrative ability and their production from radioisotopes. Gamma rays are also used for the irradiation of food and seed for sterilization, and in medicine they are used in radiation cancer therapy and some kinds of diagnostic imaging such as PET scans. The wavelength of gamma rays can be measured with high accuracy by means of Compton scattering.

Note that there are no precisely defined boundaries between the bands of the electromagnetic spectrum. Radiation of some types have a mixture of the properties of those in two regions of the spectrum. For example, red light resembles infrared radiation in that it can resonate some chemical bonds.

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo
A reforma agrária voltou a ser debatida com mais profundidade nos últimos dias, tanto pelo governo federal, quanto pela opinião pública. O assunto veio à tona novamente em razão das ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) pelo Brasil afora na semana passada e após o governo anunciar na terça-feira (18) 

medidas para a realização da reforma agrária.

Entre elas, está o descontingenciamento de R$ 338 milhões do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário – retidos em razão da crise econômica – e a revisão dos índices de produtividade da terra. Inalterados desde 1975, os índices servem de parâmetro para classificar as propriedades rurais improdutivas. O anúncio da mudança provocou forte reação entre ruralistas e grandes produtores.

Em entrevista ao UOL Notícias, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, 52, fez um balanço da política agrária do governo Lula, apontou os próximos desafios na área e analisou os modelos econômicos agrários predominantes no Brasil – a agricultura familiar e o agronegócio.

Gaúcho de Santa Maria, Cassel falou também sobre os impactos da crise financeira e da relação do governo com os movimentos sociais. Ele, ministro desde março de 2006, também comentou as declarações feitas pelo líder do MST João Pedro Stedile ao UOL Notícias, para quem a reforma agrária regrediu durante os mandatos de Lula.

UOL Notícias – O João Pedro Stedile, em entrevista ao UOL Notícias, afirmou que o governo está dividido quanto à reforma agrária: que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Palácio do Planalto conhecem as reivindicações dos sem-terra e defendem a aplicação de recursos na reforma agrária, mas que a Fazenda e o Planejamento não conhecem a pauta e privilegiam o investimento em outras áreas. O senhor concorda com essa afirmação?
Guilherme Cassel – Eu não concordo com essa avaliação do João Pedro. Entre o MDA, o Palácio [do Planalto], o presidente Lula, a Casa Civil, a secretaria-geral [da República], existe um comprometimento com a reforma agrária, e, mais do que um comprometimento, um entendimento de que para o país que a gente quer construir, com um desenvolvimento equilibrado, a reforma agrária é fundamental. 

O Brasil precisa andar bastante no sentido de ter uma estrutura agrária mais equilibrada, ou seja, de ter mais gente trabalhando na terra

O Ministro da Fazenda [Guido Mantega], o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, também compartilham dessa ideia. Eles, evidentemente, lidam às vezes com outras dificuldades. O governo contingenciou o orçamento de todos os ministérios por conta da crise econômica internacional. Isso foi feito em todos os países em maior ou menor grau. Houve um contingenciamento dos ministérios de algo em torno de 30%. O ministro Guido, o Paulo Bernardo e o Lula abriram uma única exceção, que foi descontingenciar em R$ 338 milhões o orçamento para a obtenção de terras. Isso é uma prova cabal de que a compreensão da importância da reforma agrária no governo é homogênea. Às vezes a gente não consegue andar com a rapidez que gostaríamos, mas não existe essa diferença de visão entre a equipe econômica, MDA e Palácio.

UOL Notícias – O Lula e o Mantega afirmam que o pior da crise econômica já passou e que o Brasil se comportou bem diante dela, mas o senhor está me dizendo que os recursos de todos os ministérios foram contigenciados. A crise realmente passou para o seu ministério? O senhor está satisfeito com o orçamento do MDA?
Cassel – Os efeitos da crise estão passando. O Brasil foi o primeiro país do mundo a mostrar reação frente a essa crise, o que não significa que todos os efeitos dela tenham passado. O contingenciamento do orçamento foi uma medida necessária. Porque o governo, preocupado em manter emprego e gerar emprego – e isso era fundamental no período mais agudo da crise -, fez desonerações fiscais importantes, o que traz consequências na arrecadação enquanto a economia, de um modo geral, não se recupera. Estamos em um ano de baixo crescimento econômico. Foi uma crise monstruosa, em especial no final de 2008 e no primeiro semestre de 2009, e continua tendo repercussão. No Incra nós tínhamos contingenciado R$ 711 milhões e descontingenciamos R$ 338 milhões, ou seja, temos ainda algo em torno de R$ 400 milhões contingenciados. Mas é assim mesmo. À medida que a economia se recupera vamos descontingenciado mais. Agora, lidar com a crise é uma responsabilidade de todos os ministérios, não só da equipe econômica.

UOL Notícias – Quase a metade dos assentamentos realizados no governo Lula foram feitos no Norte, que é a região do país menos populosa e onde está a floresta Amazônica. Por que priorizar essa região? 
Cassel – Em primeiro lugar, a região Norte do país é mais de 60% do território nacional e tem menos de 40% dos assentamentos [realizados] no nosso governo. Então, não é verdade que a gente assentou mais na região Norte. A gente assentou menos. Não existe uma posição do governo, do MDA, do Incra, de fazer assentamento da reforma agrária na região Norte em detrimento das outras regiões. Em segundo lugar, uma coisa que me preocupa é esse olhar sobre o Norte. Nessa reflexão está embutido um olhar sulista sobre a Amazônia. Na Amazônia Legal moram hoje, na zona rural, 6,7 milhões de pessoas, que têm direito a terra tanto quanto qualquer agricultor ou agricultora do Sul, do Sudeste e do Nordeste do país. Ali é preciso fazer regularização fundiária, fazer assentamentos sustentáveis de reforma agrária. Então, é importante que se continue assentando pessoas no Norte do país. É verdade que o MST tem sua história muito centrada nas regiões Sul e Sudeste, mas não podemos fazer reforma agrária com os critérios só do MST. A obrigação do governo é construir uma malha fundiária em todo país, inclusive na região Norte.

UOL Notícias – As famílias assentadas na região Norte já moravam ali ou foram para a região a partir de outros lugares do país? 
Cassel – São pessoas que já estavam lá. O padrão de ocupação no Norte é muito diferente das outras regiões do país, e dentro da região Norte também há diferenças muito importantes: o padrão do Maranhão é muito diferente do padrão do Pará ou do Acre. O que acontece muito no Norte são populações, que podem ser ribeirinhas, extrativistas, ou pequenos agricultores, sem nenhum direito. Elas estão ocupando terras, às vezes públicas. 

Eu tenho convicção de que o modelo produtivo da agricultura familiar hoje gera mais trabalho, é mais produtivo, tem mais diversidade e se relaciona melhor com o meio ambiente

Quando são terras públicas, a gente arrecada as terras, faz um assentamento de reforma agrária e aloca as pessoas ali dentro. Mas as pessoas são de lá, daquela região. Reforma agrária na Amazônia precisa ser de assentamentos sustentáveis e com pessoas da região. A gente não faz projeto de colonização. Eu sou frontalmente contrário a isso. Levar pessoas de uma região para outra, seja do Sudeste para o Sul, do Sul para o Nordeste, do Sul para a Amazônia, não tem nenhum sentido.

UOL Notícias – O Lula criticava exaustivamente a reforma agrária do governo Fernando Henrique, mas os dados mostram que a política do governo atual nessa área não foi muito diferente. O governo do PT, tradicionalmente aliado dos movimentos sociais, não deveria ter avançado mais no número de assentamentos e na melhoria dos assentamentos? Ou o PT, no governo, percebeu que é mais difícil colocar em prática a reforma agrária do que cobrá-la? 
Cassel – O resultado da reforma agrária no governo Lula, em relação ao governo anterior, foi bastante diferente. Tem um dado que explicita isso de forma exemplar. Nós temos hoje no país por volta de 900 mil famílias assentadas. É o resultado da reforma agrária em toda a história do Incra. Disto, 540 mil foram assentadas nos últimos sete anos, ou seja, o governo Lula fez 59% de tudo aquilo que foi feito na história da reforma agrária. E da mesma forma no que diz respeito à extensão de área. Nós já destinamos 43 milhões de hectares de terra.

Famílias assentadas (Incra)

Lula (2003 – 2008) FHC (1995 – 2000)
Norte: 245.485 Norte: 150.711
Nordeste: 157.896 Nordeste: 156.339
Centro-Oeste: 83.037 Centro-Oeste: 78.753
Sudeste: 19.452 Sudeste: 25.198
Sul: 13.241 Sul: 22.740
Total: 519.111 Total: 433.741

UOL Notícias – Considerando os dados do próprio Incra, entre 1995 e 2000, durante os seis primeiros anos do governo FHC, foram assentadas 433 mil famílias. Entre 2003 e 2008, no governo Lula, foram 519 mil famílias. O Lula criticava a morosidade do governo FHC no assentamento de famílias, mas os números, segundo o Incra, são muito semelhantes?
Cassel – Os números do Incra não são tão próximos assim. Além disso, nessa conta está computado o primeiro ano do governo Lula, no qual a gente herdou um orçamento de reforma agrária muito precário do governo anterior. Para mim é muito mais importante a ideia de que não se mede o avanço da reforma agrária apenas pelo número de famílias assentadas. É preciso trabalhar com base na qualidade desses assentamentos. Não é razoável hoje pensar em cumprir uma meta de 500 mil famílias assentadas em um ano, realizando os assentamentos, por exemplo, nos confins do Pará, sem infraestrutura, habitação, assistência técnica, sem acesso ao crédito. Os assentamentos que temos feito são de qualidade. A gente mudou nesse país aquela velha história de que assentamento de reforma agrária é feito em terra ruim, sem condições de produção. Hoje achamos que reforma agrária se faz em terra boa, fértil, com habitação, energia elétrica, água, crédito, assistência técnica. Esse é o nosso diferencial. É muito significativo o fato de que 60% do que foi feito na história da reforma agrária foi feito no governo Lula.

UOL Notícias – Uma boa parte do governo se vangloria de o Brasil ser um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo e exalta o agronegócio. Qual modelo de agricultura o senhor defende e acha que tem que ser priorizado? Baseado no agronegócio e nas exportações ou na agricultura familiar? É possível conciliar esses dois modelos? 
Cassel – Não acho que são dois modelos prontos. Eu defendo que um país que quer ser produtivo, moderno, competitivo no século 21, precisa ter uma estrutura agrária mais equilibrada e democratizada. O Brasil precisa andar bastante no sentido de ter uma estrutura agrária mais equilibrada, ou seja, de ter mais gente trabalhando na terra. Nós temos que responder a seguinte pergunta: se é verdade que esse país começou a crescer, a se desenvolver, a diminuir desigualdades, a gerar emprego, qual o meio rural que queremos? Com gente ou sem gente? O meio rural sem gente tem grandes extensões de terras, grandes propriedades e com tratores, produzindo monocultura – de soja ou cana. 

É necessário aplicar a política pública adequada para os orgânicos, por exemplo. Criar as condições objetivas necessárias para que possamos ter uma lavoura sem adição de veneno

Um meio rural com gente é o da agricultura familiar, em que você tem comunidades, cidades, escolas, igrejas, gente produzindo com diversidade. Eu tenho convicção de que o modelo produtivo da agricultura familiar hoje gera mais trabalho, é mais produtivo, tem mais diversidade e se relaciona melhor com o meio ambiente. O modelo da agricultura familiar hoje é mais contemporâneo do que o modelo tradicional da agricultura extensiva.

UOL Notícias – Mas hoje a produção e as exportações se concentram em poucas empresas transnacionais. É possível mudar o modelo agrícola predominante no Brasil? Tornar o Brasil o país da agricultura familiar e desconcentrar a produção e as exportações? 
Cassel – Esse é o tema que precisamos olhar com cuidado e com rigor para fugir dos jargões tradicionais que organizam essa discussão. Nos últimos sete anos, vivemos experiências reais no país. O governo federal estimulou com políticas públicas a agricultura patronal, de larga escala, e estimulou a agricultura familiar. E por quê? Porque esse país tem de fato dois modelos, duas agriculturas. Nesses sete anos, tanto uma agricultura quanto a outra respondeu de forma muito eficaz aos estímulos do governo. E tivemos dois momentos importantes: em 2003, no início do governo Lula, [o Brasil com] uma enorme vulnerabilidade econômica e uma necessidade de alcançar superávit na balança de pagamentos. Naquele momento foi fundamental exportar soja, como a gente exportou, e ajustar a balança de pagamentos. Ou seja, a agricultura patronal teve um papel econômico importante naquele momento, e toda a sociedade brasileira ganhou. Já no primeiro semestre de 2008, houve a crise e inflação nos preços dos alimentos no mundo todo. Nós lançamos o programa Mais Alimentos, e a agricultura familiar reagiu rapidamente, porque já tinha atrás de si um processo de estruturação adequado, e o Brasil foi o país do mundo onde houve menos oscilação de preços nos alimentos, porque tem uma agricultura familiar forte. Então em dois momentos críticos da história recente, ambas as [formas] de agricultura responderam de forma adequada aos desafios do país. 

UOL Notícias – É possível conciliar os dois modelos? 
Cassel – Eu acho que os modelos de agricultura têm mostrado que podem conviver juntos. Há temas, como a transgenia e o meio ambiente, que estabelecem limites para isso. Limites que teremos que negociar logo daqui um tempo. 

O centro do debate hoje é a sociedade brasileira enxergar os assentamentos da reforma agrária não como espaços de conflito, e sim como espaços de produção de alimentos, de geração de trabalho e renda. Esse é o grande desafio contemporâneo

A agricultura familiar hoje responde por 70% de aquilo o que se consome no dia-a-dia. Os dados prévios do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nos mostram que nos últimos anos aumentou o número de proprietários no meio rural em 350 mil e que diminuiu o tamanho médio das propriedades de 78 para 63 hectares. Ou seja, é possível que a gente esteja invertendo a tendência de êxodo [rural] e de concentração fundiária. Isso foi feito nos últimos sete anos com esses dois modelos funcionando a pleno. Temos que aprender com isso. Não estou dizendo que não existam contradições entre esses modelos, e que essas contradições não irão aparecer mais cedo ou mais tarde.

UOL Notícias – Stedile afirmou, na entrevista ao UOL Notícias, que os latifúndios, o agronegócio e a monocultura são prejudiciais ao meio ambiente, à saúde dos consumidores de produtos agrícolas – em razão do uso de agrotóxicos – e que aumentam a pobreza e o desemprego no campo. O senhor concorda? 
Cassel – Esse discurso é simplificado e não ajuda a resolver o que é a complexidade do rural brasileiro. Nós queremos um rural brasileiro que seja produtivo, que ajude na economia do país, que gere trabalho, renda e que democratize o acesso à terra. A gente não faz política agrária ou agrícola contra A ou contra B. Fazemos a favor do país e de quem quer trabalhar. Eu, por exemplo, tenho uma posição contrária quanto ao uso de venenos. Temos que trabalhar nesse sentido. Existem, no entanto, grandes produtores que não trabalham com veneno. Hoje o caminho da agricultura orgânica, tanto do ponto de vista do meio ambiente quanto do econômico, é muito mais eficaz. Temos que tratar esse tema com a complexidade, com a profundidade que ele tem, para que possamos caminhar, avançar. É necessário aplicar a política pública adequada para os orgânicos, por exemplo. Criar as condições objetivas necessárias para que possamos ter uma lavoura sem adição de veneno.

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    Lula e Cassel em divulgação do programa Mais Alimentos

UOL Notícias – Quais são as dificuldades para desapropriar terras e assentar famílias? Quem são os maiores adversários da reforma agrária? 
Cassel – Hoje, uma coisa que passa despercebida, mas que é muito importante, é que, nos últimos três anos, se pegarmos os dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e da ouvidoria agrária, vemos que diminuíram muito os conflitos agrários no país. Porque a demanda [por terra] diminuiu e as pessoas foram assentadas. Em áreas problemáticas, de conflitos mais agudos, os problemas foram resolvidos. Temos ainda impasses importantes. Um deles está sendo resolvido nesse momento, que é o reajuste dos índices de produtividade, que não eram reajustados desde 1975, o que dificulta enormemente a distribuição de terras para a reforma agrária. Temos tido orçamentos adequados para reforma agrária – que necessita sair de um certo isolamento social e, para isso, precisa ser produtiva. O centro do debate hoje é a sociedade brasileira enxergar os assentamentos da reforma agrária não como espaços de conflito, e sim como espaços de produção de alimentos, de geração de trabalho e renda. Esse é o grande desafio contemporâneo. Eu acho que já passamos daquele período em que o desafio fundamental era suprir a demanda de quem estava acampado, que era uma demanda muito grande. Nós temos que avançar agora para termos assentamentos cada vez mais produtivos e eu tenho absoluta confiança nisso.

UOL Notícias – Alguns ruralistas ficaram bastante insatisfeitos com a revisão dos índices de produtividade. Eles alegam que não é o momento de fazer essa alteração em razão da crise econômica e da necessidade de se cumprir a legislação ambiental. Existe a possibilidade de o governo voltar atrás nessa medida? 
Cassel – Eu estive na reunião em que o presidente da República determinou que em um prazo de 15 dias fossem publicados os novos índices de produtividade. Imagino que não exista qualquer possibilidade de algum retrocesso.

UOL Notícias – Após o anúncio da revisão dos índices de produtividade e do descontigenciamento do orçamento do MDA, quais serão as próximas medidas do governo para a reforma agrária? 
Cassel – Nossa forma de trabalho no MDA tem sido fundada no diálogo permanente com os movimentos sociais, como a Via Campesina (da qual o MST faz parte), Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul), Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), porque existem nesse país realidades diferentes em cada Estado. Hoje os impasses nos assentamentos do Norte são muito diferentes dos impasses dos assentamentos do Sul. Em alguns, a principal demanda é a habitação. Em outros, é a construção de estradas. O que o temos feito é localizar onde estão colocadas as principais demandas, primeiro, de famílias acampadas, para que de uma vez por todas possamos assentar todas as famílias acampadas no país. Segundo, trabalhar juntos com os movimentos para garantir qualidade de vida nos assentamentos e condições para se produzir. 

Eu não consigo conceber a ideia de um governo realizar a reforma agrária sem contar com a experiência, o conhecimento e o histórico dos movimentos sociais

E isso varia de Estado para Estado. Hoje (quinta-feira, 20 de agosto), por exemplo, está acontecendo uma reunião com superintendentes do Incra de todo país com a direção do MST, da Via Campesina, para a gente levantar, Estado a Estado, assentamento a assentamento, quais são os problemas, o que devemos fazer para que nós possamos agir de forma acordada. Eu não acredito em reforma agrária feita do gabinete, a frio, e sim junto com movimentos sociais e com quem acredita na reforma agrária.

UOL Notícias – Quantas famílias ainda serão assentadas até o fim do mandato de Lula? O governo vai conseguir assentar as mais de 100 mil famílias (segundo dados do MST) acampadas país afora, algumas delas há mais de cinco anos? 
Cassel – Não existe hoje mais de 100 mil famílias acampadas no país. Não existe nenhum censo de famílias acampadas. Esse número varia muito, de acordo com as conveniências políticas de cada um. Eu já vi vários números: 15 mil famílias, 20 mil, 30 mil. Acredito que hoje nós temos em torno de 30 mil famílias acampadas. Sobre o fato de famílias estarem acampadas há mais de cinco anos, existem casos muito isolados no país de áreas que estão trancadas na Justiça. Não é um problema de falta de orçamento do Incra, ou de áreas não terem sido desapropriadas. São áreas que estão desapropriadas, que os proprietários recorreram na Justiça e a gente não teve emissão de posse. Em 2003 nós recebemos dos movimentos sociais uma lista com dezenas de área emblemáticas, onde havia conflitos objetivos. Todos os problemas dessas áreas foram praticamente resolvidos. 

UOL Notícias – A Justiça hoje é um adversário da reforma agrária? 
Cassel – Temos trabalhado muito juntos nos últimos dois anos. A situação tem melhorado bastante. Criamos Varas agrárias, trabalhado para agilizar procedimentos. Um fórum foi criado há um mês atrás junto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) [Gilmar Mendes] e com a ouvidoria agrária do Incra. Então a gente conseguiu um ambiente de trabalho que tem destravado muitas áreas. Não estou dizendo que as coisas são absolutamente ágeis e que não temos nenhum problema. Mas, em relação a um período de cinco anos atrás, temos melhorado muito.

UOL Notícias – O MST e outros movimentos sociais, como a Via Campesina, o MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), entre outros, atrapalham o governo?
Cassel – Não. Eles ajudam o governo. Repito: eu não consigo conceber a ideia de um governo realizar a reforma agrária sem contar com a experiência, o conhecimento e o histórico dos movimentos sociais. Evidente que temos momentos de conflitividade, de discussões mais ásperas, mas a reforma agrária precisa incorporar a história, a experiência e o conhecimento dos movimentos sociais. Em nenhum momento eu enxergo qualquer movimento social como um empecilho para o trabalho. Pelo contrário. Já tivemos momentos bastante delicados, mas tenho absoluta clareza que, mesmo nesses momentos, aprendemos juntos e crescemos junto. Acho que um bom balanço desses últimos sete anos tem que levar em conta o amadurecimento do governo e dos movimentos sociais no tema reforma agrária. Temos aprendido muito uns com os outros. E isso pode ser visto na alteração da pauta dos movimentos sociais, que hoje é muito mais qualificada, complexa, voltada para a produção do que era há cinco ou seis anos atrás. E isso, sem nenhuma dúvida, é resultado dessa relação legítima de reconhecimento mútuo entre governo e movimentos sociais.