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Morto nesta sexta-feira (18), o escritor José Saramago (1922-2010) era também um militante “hormonal” do comunismo e dedicado polemista. Entre seus argumentos, o prêmio Nobel de Literatura defendia que a ditadura dos irmãos Castro em Cuba é um dos mais solidários regimes do mundo e que Portugal deveria entregar-se à Espanha para fundar uma nova nação chamada Ibéria.

Saramago, que já foi filado ao Partido Comunista Português, se definia também como adepto da democracia. Para ele, a falta de debate sobre esse assunto transformava-a em “uma santa no altar, de quem não se espera milagres” e que existe nos tempos de globalização da economia “apenas como uma referência”.

“Não se repara que a democracia em que vivemos é sequestrada, condicionada, amputada”, disse ele durante um debate em Portugal.

“O poder de cada um de nós limita-se na esfera política a tirar um governo de que não gosta e colocar outro de que talvez venha a gostar. Mas as grandes decisões são tomadas em outra esfera. E todos sabemos qual é: as grandes relações financeiras internacionais.”

O escritor dizia-se obrigado a mudar um mundo injusto que encontrou. “O espaço ideológico e político onde eu podia esperar pelo menos alguma coisa que me confirmasse essa idéia era muito claro. Era a esquerda, a esquerda comunista. Aí estou”, resumiu durante sabatina do jornal Folha de S.Paulo, em 2008.

Repercussão

Ferreira Gullar, poeta

Fã de ironias, afirmou na ocasião que a pergunta sobre sua militância de esquerda apesar dos crimes cometidos na União Soviética é “inevitável em qualquer entrevista”. “Poderia perguntar à pessoa se ela era católica. Provavelmente me diria que sim. E eu teria que perguntar, para seguir na mesma linha: ‘Depois da inquisição, como é que você continua a acreditar?’”, afirmou.

“Sou aquilo que se podia chamar de um comunista hormonal. Da mesma maneira que tenho no corpo, não sei onde, um hormônio que me faz crescer a barba, há outro hormônio que me obriga, mesmo que eu não quisesse, por uma espécie de fatalidade biológica, a ser comunista. É muito simples”, disse.

Leia mais sobre o escritor

Apesar de ser um histórico defensor do regime cubano, Saramago ensaiou um rompimento em 2003, quando 75 dissidentes foram presos e três pessoas foram executadas em um julgamento sumário.

Em uma carta, escreveu: “De agora em diante Cuba segue seu caminho, eu fico aqui. Cuba perdeu minha confiança e fraudou minhas ilusões”.

Pouco depois, em entrevista a um jornal cubano, reatou: “Não rompi com Cuba. Continuo sendo um amigo de Cuba, mas me reservo o direito de dizer o que penso, e dizer quando entendo que devo dizê-lo”.

“Não se pode confiar em Deus”,
afirma escritor José Saramago

Adversários

O líder mundial que mereceu as palavras mais duras de Saramago foi o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, a quem apelidou de “vômito”. “Berlusconi corrompe tudo que toca. Não consigo compreender um personagem tão vulgar, tão ridículo, tão patético”, disse o escritor em um debate na Itália.

“É ofensivo que uma prostituta vá à televisão oficial. Palavra de Berlusconi. Mas parece que não é ofensivo que uma ou mais prostitutas durmam no palácio do governo com o primeiro-ministro da Itália”, atacou.

Em 2005, no auge do escândalo do mensalão, Saramago criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à revista Época. “Depois de tantas esperanças, não imaginávamos que escândalos de corrupção tomassem o governo Lula, que representava uma luz nova a um mundo cada vez mais mergulhado em interesses mesquinhos. Ele não poderia ter admitido a corrupção e não consegue combatê-la.”

“Lula está de pés e mãos atados e parece que não vai mais conseguir fazer as grandes medidas que prometeu no plano social. Foi uma decepção para o mundo”, resumiu, para, em 2009, voltar atrás em uma entrevista ao jornal O Globo: “Acho que o presidente Lula tem feito um excelente trabalho neste segundo mandato se aceitarmos como inevitáveis certas ‘infidelidades’ ao seu programa inicial”.

Saramago também fez vários comentários sobre Israel que geraram críticas. Afirmou várias vezes que o tratamento de Israel aos palestinos se compara ao dado aos judeus no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Mas sua declaração recente mais polêmica diz respeito a seu próprio país: sugeriu que Portugal se permita uma fusão com a Espanha.

“Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galícia, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [a Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar”, afirmou o escritor em entrevista ao Diário de Notícias, em 2007.

“O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?”, completou, em tom de ironia.

A maioria dos colegas escritores portugueses protestou. Os jornais locais ganharam páginas e páginas contra a sugestão de Saramago. Outros, notaram no comentário apenas mais uma provocação feita pelo literato. Provocação de um homem hormonal.

Obras publicadas

Poesias

– Os poemas possíveis, 1966
– Provavelmente alegria, 1970
– O ano de 1993, 1975

Crônicas

– Deste mundo e do outro, 1971
– A bagagem do viajante, 1973
– As opiniões que o DL teve, 1974
– Os apontamentos, 1976

Viagens

– Viagem a Portugal, 1981

Teatro

– A noite, 1979
– Que farei com este livro?, 1980
– A segunda vida de Francisco de Assis, 1987
– In Nomine Dei, 1993
– Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005

Contos

– Objecto quase, 1978
– Poética dos cinco sentidos – O ouvido, 1979
– O conto da ilha desconhecida, 1997

Romance

– Terra do pecado, 1947
– Manual de pintura e caligrafia, 1977
– Levantado do chão, 1980
– Memorial do convento, 1982
– O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
– A jangada de pedra, 1986
– História do cerco de Lisboa, 1989
– O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
– Ensaio sobre a cegueira, 1995
– A bagagem do viajante, 1996
– Cadernos de Lanzarote, 1997
– Todos os nomes, 1997
– A caverna, 2001
– O homem duplicado, 2002
– Ensaio sobre a lucidez, 2004
– As intermitências da morte, 2005
– As pequenas memórias, 2006
– A Viagem do Elefante, 2008
– O Caderno, 2009
– Caim, 2009

* Com agências internacionais

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O novo livro do escritor americano Dan Brown, 

Divulgação
Capa de "O Símbolo Perdido", novo romance do escritor Dan Brown
Capa de “O Símbolo Perdido”, novo romance do escritor Dan Brown

Apesar do bom resultado, o novo livro do autor de “Anjos e Demônios” e “O Código da Vinci” não chegou perto das 8 milhões de cópias que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, de J.K. Rowling, vendeu nas primeiras 24 horas. “O Código da Vinci”, mais famoso livro de Dan Brown, vendeu mais de 40 milhões de unidades em todo o mundo.

Neste recente romance, Dan Brown traz de volta o fictício simbologista de Harvard, Robert Langdon, afeito a decifrar enigmas. A história acontece ao longo de um período de 12 horas em Washington DC, cidade imersa em elementos maçônicos e monumentos ricos em simbolismos místicos.

Na nova saga, o professor é acompanhado da pesquisadora Katherine Solomon, uma estudiosa das conexões entre corpo e mente, em uma busca que envolve os segredos da maçonaria nos EUA e seus vários símbolos ocultos, bem como as antigas autoridades americanas envolvidas com tal irmandade.

“O Símbolo Perdido”, chega ao Brasil em 24 de novembro. Mais de 2 milhões de cópias foram vendidas durante a primeira semana de lançamento nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Canadá.com 20% de desconto!

Luís Vaz de Camões

Publicado: setembro 15, 2009 por Yogi em Arts, Culture, History, Literature, Media, Philosophy, Poetry, Tudo
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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nota: Se procura outros significados de “Camões”, consulte .


Luís Vaz de Camões
Luís Vaz de Camões
Nascimento por volta de 1524
em local desconhecido
Morte 10 de junho de 1580
LisboaPortugal
Nacionalidade Português
Ocupação Poeta
Escola/tradição Classicismo

Monumento ao poeta na Praça Luís de Camões, noBairro Alto, em Lisboa.

Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao deVirgílioDanteCervantes ou Shakespeare; das suas obras, a epopéia Os Lusíadas é a mais significativa.

Índice

 [esconder]

Origens e juventude

Túmulo do poeta no Mosteiro dos Jerónimos.

Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e1525. A sua família é de origem galega que se fixou em Vilar de Nantes, freguesia do concelho deChaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu “[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]”. Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.

O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e sua mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.

Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.

Viveu algum tempo em Coimbra onde teria freqüentado o curso de Humanidades, talvez noMosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos.

Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.

De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido. No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 7 de Março de 1553, embarcando para aÍndia na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês.

Oriente

Armas do poeta em seu túmulo no Mosteiro dos Jerónimos.

Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o “rei da pimenta“. A esta primeira expedição refere-se a elegia “O Poeta Simónides falando”. Depois Camões fixou-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma “madrasta de todos os homens honestos” e ali estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Tomou parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 integrou a Armada de D. Fernando de Meneses, constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção “Junto de um seco, fero e estéril monte”. No regresso foi nomeado “provedor-mor dos defuntos nas partes da China” pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o “Auto do Filodemo”.

Em 1556 partiu para Macau, onde continuou os seus escritos. Viveu numa gruta, hoje com o seu nome, e aí terá escrito boa parte d’Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito da obra, então já adiantada (cf. Lus., X, 128). No desastre teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas “Sôbolos rios”.

Regressou a Goa antes de Agosto de 1560 e pediu a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirigiu súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinhoconde do Redondo, para ser liberto.

De regresso ao reino, em 1568 fez escala na ilha de Moçambique, onde, passados dois anos,Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava “tão pobre que vivia de amigos” (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de “um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências“, obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em 1570. Em 1580, em Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África.

Faleceu numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades. Os seus restos encontram-se atualmente no Mosteiro dos Jerónimos.

Os Lusíadas e a obra lírica

Ver artigo principal: Os Lusíadas

Os Lusíadas é considerada a principal epopéia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopéia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.

As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
(…)
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte
CamõesLusíadas, Canto I.
 

A obra lírica de Camões foi publicada como “Rimas”, não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.

O estilo

É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.

O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.

As obras dele foram divididas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.

Não, “Anticristo” não é um filme romântico!

Toda forma de arte tem seus gênios, gênios incompreendidos e farsantes. Futebol, por exemplo. Entre os gênios: Pelé, Ronaldo Fofômeno etc. Entre os incompreendidos: Platini, Zico, Barbosa e outros que jogavam muito, mas nunca foram campeões de Copas do Mundo. Entre os farsantes: escolha um cabeça-de-bagre qualquer…

E há os polêmicos, por vários motivos – tanto o que faziam dentro do estádio, como o que faziam fora deles. Maradona, César Maluco, Romário.

O cinema também é assim. E o diretor dinamarquês Lars von Trier não é exatamente fácil de ser “enquadrado” nas categorias acima. Talvez “polêmico” seja um bom adjetivo para ele.

“Dançando no Escuro”, por exemplo, levou a Palma de Ouro em Cannes em 2000, e é adorado por quase todos que o assistem – por mais triste que ele seja. Já “Os Idiotas”, de dois anos antes, é um pouco mais difícil: mostra jovens intelectualizados que decidem se comportar em público como se tivessem problemas mentais. Por quê? Veja o filme…

Mas tudo isso para dizer que “Anticristo”, o novo e polêmico filme de Von Trier é difícil. Difícil de quê?, pergunta você, internauta.

Difícil de ver até o fim.

Difícil de entender.

Difícil de saber se você gostou ou não.

Hein?

  • Uma mulher seminua ao lado de bichos que a ignoram: quantas metáforas você vê nesta foto?

Enredo
Vamos começar pelo princípio: o enredo. Começa com um casal transando (sim, há sexo explícito), enquanto o filho deles cai pela janela e morre. O resto do filme são eles tentando lidar com isso. A mulher, deprimida. O marido, que é psiquiatra, tentando tratá-la.

OK até aí? Trata-se de um drama, claro. Mas há muitas e muitas maneiras de lidar com a depressão. “O filme todo começou quando eu tive depressão”, diz o diretor Von Trier logo no início do depoimento abaixo.
UOL Cinema
Assistindo ao filme ao filme, dá a impressão que ele quis se curar da depressão deprimindo os outros.

A cena da morte do bebê é, plasticamente, muito bonita. Se você não se importar em ver um bebê morrendo enquanto seus pais consomem o ato (tucanei o “transam”). Depois, cenas de choros, animais não-fofinhos, sustos, auto-emasculação. E outras imagens devidamente doloridas.

Metáfora religiosa. Ou não
Se você esteve no planeta Terra nos últimos dois milênios, deve imaginar que um filme chamado “Anticristo” tenha algum tipo de simbolismo religioso.

O QUE OS AMIGOS DO EDITOR DO UOL TABLOIDE ACHARAM DO FILME

Não se reprima: se cure e deprima

Zé Ruela

De depressão, já me basta a realidade

Resmungo, o Chato

De deprimido, já me basta o Resmungo

Reclama, a namorada do Resmungo

Acho que o diretor bebe as mesmas coisas que eu

Zé Cachacinha

Soma-se a isso o fato de o filme se passar em uma floresta chamada Éden – não foi o Jardim do Éden o palco do “Gênesis”, o primeiro livro da Bíblia?

E são apenas dois personagens: o cara (Ele) e a mulher (Ela). Estaria Von Trier recontando a origem do mundo, do universo, da religião? Afinal, há passagens bem simbólicas. E sem explicações. Afinal, explicações para quê? Este é um filme de arte, bicho. Maior barra.

O filme ainda faz menções às perseguições que as mulheres sofreram na Idade Média, acusadas de bruxas.

Diante disso tudo, dá para evitar pensar que este é um filme de fundo religioso? Sim, dá. Você passa tanto tempo sofrendo, sentindo dor, sofrendo e sentindo dor, que talvez termine o filme sem ver sombra alguma de religião ali – e sem entender se é um filme a favor das religiões, contra as religiões e totalmente à margem disso.

Depressão tem cura?
Sabendo que o diretor começou este filme para curar sua depressão, e sendo nós humanos que queremos sempre o bem do próximo, resta-nos torcer para que Von Trier tenha curado sua depressão. E que ele prepare outro filme, mas para nos curar da depressão que entramos ao assistir a “Anticristo”.

Inédito – Fernando Pessoa

Publicado: agosto 27, 2009 por Yogi em Arts, Culture, Literature, Media, Nature, Philosophy, Tudo
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    Sossega, coração! Não desesperes!
    Talvez um dia, para além dos dias,
    Encontres o que queres porque o queres.
    Então, livre de falsas nostalgias,
    Atingirás a perfeição de seres.
    Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
    Pobre esperença a de existir somente!
    Como quem passa a mão pelo cabelo
    E em si mesmo se sente diferente,
    Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
    Sossega, coração, contudo! Dorme!
    O sossego não quer razão nem causa.
    Quer só a noite plácida e enorme,
    A grande, universal, solente pausa
    Antes que tudo em tudo se transforme.
    Fernando Pessoa, 2-8-1933.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Mais de 100.000 assinaturas contra a reforma ortográfica. Não sei se é saudosismo, conservadorismo ou preguiça, porém, não consigo achar essa reforma uma coisa que possa trazer muito ganhos para os lusófanos. Entendo a reforma como perda das especificidades regionais da cultura dos países integrantes. Todo brasileiro lê o português de portugal e vice-versa, e acredito que os demais países não tenham também dificuldades nesse sentido. Exceto pela “economia editorial”, só há perdas econômicas e culturais na reforma ortogrática. Assine o manifesto que irá fazer uso de todos os meios para fazer com que essa reforma não entre em vigor.