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da Folha Online

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, convocou na madrugada desta terça-feira os hondurenhos à capital Tegucigalpa para aumentar a pressão sobre o regime interino de Roberto Micheletti, que deve “ceder” e restaurar a “constitucionalidade”. Zelaya fez as declarações na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado já que o governo interino tem mandado de prisão contra ele.

“Venham para a capital, porque aqui há de estabelecer-se um diálogo pacífico, mas que deve restabelecer a constitucionalidade”, disse Zelaya.

Veja a cronologia da crise política em Honduras
UE pede solução negociada e para que se evite violência
Governo interino pede que Brasil entregue Zelaya

A crise causada pela deposição de Zelaya em 28 de junho passado foi mediada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que apresentou o Acordo de San José, texto que previa a restituição de Zelaya e a renúncia ao referendo pela reeleição que deu início à crise.

Edgard Garrido-21set.09/Reuters
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, saúda apoiadores dentro da embaixada brasileira em Tegucigalpa
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, saúda apoiadores dentro da embaixada brasileira em Tegucigalpa

Após duas rodadas de negociações, Zelaya disse aceitar o acordo. Já o governo de Micheletti afirmou que a restituição do presidente deposto é inaceitável.

“Se o regime não ceder vão recrudescer as medidas da comunidade internacional. O povo hondurenho também vai adotar medidas”, declarou, sem dizer quais medidas seriam.

“Hoje regresso a minha terra para dizer ao povo que me elegeu: Reconstruamos a democracia, que é nossa e ninguém pode roubar”, declarou Zelaya, que entrou clandestinamente na segunda-feira em Honduras e se refugiou na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa.

Zelaya também rejeitou as eleições programadas para 29 de novembro –pleito que o governo de Micheletti espera que reduza a pressão internacional sobre o país, com a determinação de um terceiro nome legítimo para assumir a Presidência.

“As eleições acontecem quando há liberdade para todos os setores, mas se acontecem sem liberdade, quando o presidente eleito pelo povo está desterrado, estas não são eleições honestas”, completou, apoiado pela comunidade internacional que já alertou que não aceitará o resultado de eleições realizadas sob o governo interino.

Violência

Zelaya também pediu aos militares que apontem contra os inimigos de Honduras, não contra o povo, e disse não ter medo de comparecer à justiça no caso de acusações contra ele.

O governo de Micheletti afirmou na madrugada desta terça-feira que responsabiliza Zelaya “por qualquer distúrbio, ato de vandalismo, provocação ou desordem que protagonizem seus seguidores em qualquer lugar do território nacional”.

Em um breve comunicado, lido em rede nacional de rádio e televisão, o governo indicou também que “a Polícia Nacional e as Forças Armadas estão prontas e preparadas para garantir a segurança das pessoas e seus bens em todo território hondurenho”.

Micheletti também decretou nesta terça-feira um rigoroso toque de recolher em todo o país após confirmar a presença de Zelaya. À noite, a medida, que entrou em vigor às 16h local (19h de Brasília) e que seria encerrada na manhã desta terça-feira, foi estendida até as 18h (21h em Brasília) desta terça-feira para, segundo o governo, prevenir distúrbios.

Além disso, ordenou o fechamento de todos os aeroportos, o que impedirá a chegada ao país do secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza.

Centenas de seguidores de Zelaya continuaram na noite desta segunda-feira e madrugada de terça-feira nos arredores da embaixada do Brasil, ignorando o toque de recolher.

Brasil

O presidente interino, cujo governo não é reconhecido por nenhum país, pediu que o Brasil entregasse o presidente deposto à Justiça para responder a acusações de desrespeito à Constituição.

“Faço um apelo ao governo do Brasil para que respeite a ordem judicial contra o senhor Zelaya e o entregue às autoridades competentes de Honduras”, disse Micheletti em rede nacional de rádio e TV, ao lado de ministros, comandantes militares e empresários, que apoiaram a deposição de Zelaya.

O governo brasileiro, que apoia Zelaya, disse que acreditava que o governo interino respeitaria a inviolabilidade diplomática da embaixada e informou que não teve participação no planejamento do retorno de Zelaya, tendo atendido a um pedido de abrigo feito uma hora antes da chegada do presidente deposto à embaixada do país na capital hondurenha.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que está em Nova York para a reunião da Assembleia geral da ONU, afirmou que o presidente deposto chegou por meios “próprios e pacíficos” e que agora está sob proteção brasileira e disse esperar que o retorno de Zelaya represente “um novo passo” nas negociações com o governo interino.

Segundo ele, Zelaya declarou a intenção de “iniciar um diálogo com as forças políticas para que se possa chegar a uma solução rápida”.

Histórico

Zelaya foi deposto nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Com apoio da Suprema Corte e do Congresso, militares detiveram Zelaya e o expulsaram do país, sob a alegação de que o presidente pretendia infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado –e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano– para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.

Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar –além da cúpula da Igreja Católica– unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.

Flor do sal, ameaçada no Brasil

Publicado: setembro 19, 2009 por Yogi em Culture, Epicurious, Juris, Tudo

Do blog do Josimar Melo

Não tenho ouvido falar muito no assunto aqui em São Paulo, mas no Rio a chef Roberta Sudbrack deu o alerta em seu blog: por causa de uma lei que obriga a que o sal vendido no Brasil tenha iodo, a flor do sal, antiga e maravilhosa iguaria, estaria sendo proibida no Brasil (por ser estritamente natural e não ter iodo adicionado).

A questão é que o iodo é necessário para o corpo, e parece que é recomendável que o sal comum, utilizado no dia a dia, o tenha em sua composição. A burrice é que, por causa disso, não se admita que existam produtos diferentes, especiais. Pior: parece que o excesso de iodo vem tendo efeitos danosos também… E que a flor de sal, por não ser refinada, já vem com o iodo (que no processo industrial desaparece, e por isso deve ser acrescentado).

Bem, para não ficar repetindo o que já foi dito, recomendo a leitura do blog da Roberta Sudbrack a respeito. O site das meninas (também cariocas) da Malagueta tem infomações mais detalhadas.

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Médicos e psicólogos acompanharam sessões de interrogatórios da CIA com práticas de torturas para permitir que o uso da violência fosse o mais alto possível dentro dos parâmetros de “segurança”, o que representa uma violação também à ética desses profissionais, que juram proteger a vida humana.

A denúncia está em um relatório escrito pelo grupo Médicos pelos Direitos Humanos (PHR, na sigla em inglês), a partir de documentos da inteligência norte-americana que relatam práticas de interrogatório utilizadas contra suspeitos de atos terroristas. Segundo o PHR, há indícios de que tenham sido realizados até mesmo experimentos humanos ilegais para avaliar a reação dos detidos à tortura.

“Profissionais de saúde desempenharam um papel central no desenvolvimento, na implementação e na elaboração de justificativas para a prática de tortura”, afirma o relatório “Aiding Torture”.

“Médicos e psicólogos se envolveram em desenhar e monitorar dolorosas técnicas de interrogatório. Tal participação médica em tortura é uma clara violação da ética médica”, prossegue o documento. “O monitoramento de técnicas de interrogatório por profissionais médicos para determinar sua efetividade usa presos como objetos humanos sem consentimento e, portanto, se aproxima de experimentação ilegal”.

O relatório acrescenta que, “seguindo os requerimentos, todos os interrogatórios eram monitorados em tempo real por profissionais da saúde”, que mediam, por exemplo, o nível de oxigênio no sangue do interrogado durante uma simulação de afogamento. “Dessa forma, médicos eram usados para calibrar a dor e o sofrimento físico e mental”.

Advogados da CIA também estariam envolvidos na burocracia da tortura. O documento revela que esses profissionais deveriam reportar à agência se as práticas dos agentes poderiam ser classificadas como “tortura”. Para isso, os advogados recorriam aos médicos, responsáveis por analisar os “níveis de dor”. Casos como a simulação de afogamento, por exemplo, foram descritos como “não doloroso fisicamente”, o que facilitava a legitimação dessa prática do ponto de vista legal.

As denúncias feitas pelo grupo de médicos chega depois da divulgação de um relatório secreto da CIA, escrito em 2004, no qual são relatadas duras práticas contra os presos. Para conseguir informações, agentes ameaçaram os detidos com armas e furadeiras; prometiam estuprar e matar parentes dos interrogados; simulavam execuções em ambientes contíguos à sala do interrogatório; confinavam os suspeitos em caixas. 

Documento secreto da CIA sobre práticas de tortura

  • Arte UOL

Além da violência direta, a análise feita pelos Médicos pelos Direitos Humanos acrescenta que outras práticas aparentemente mais leves também tinham forte impacto psicológico entre os detidos, tais como raspagem forçada de barba e cabelo, manipulação da dieta, aplicação de vendas e uso obrigado de fraldas. A longo prazo, esse tipo de tratamento levavam a uma situação de debilidade mental e estresse traumático, denuncia o PHR.

Investigações
Depois que o relatório secreto da CIA veio a público, na última semana, o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, nomeou o promotor John Durham para investigar se os interrogatórios com suspeitos de terrorismo foram ilegais.

“Concluí que a informação disponível justifica a abertura de uma investigação preliminar sobre de violaram as leis relacionadas com os interrogatórios de determinados presos em localidades no exterior”, afirmou o procurador-geral em um comunicado.

Durham, que recebeu a tarefa de conduzir as investigações, já está familiarizado com o tema. Desde 2008, o promotor analisa a destruição pela CIA de 92 vídeos contendo interrogatórios de prisioneiros.

O tema também mobiliza o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que aprovou a criação de uma unidade especial de interrogatório no combate ao terrorismo.

A nova unidade, que deve ser supervisionado de perto pela Casa Branca, terá como objetivo garantir que os futuros interrogatórios estejam de acordo com o manual do exército dos EUA.

Na era dos “telepresidentes”, política vira novela, e eleitor, audiência
Daniel Jelin – estadao.com.br
SÃO PAULO – No lugar do presidente, um entertainer. No lugar de eleitores, plateia. No lugar de políticas públicas, emoção. Para o pesquisador colombiano Omar Rincón, do Centro de Competência em Comunicação, líderes latino-americanos adotam a lógica da televisão e ameaçam a democracia com intermináveis batalhas por “audiência” e “novas temporadas”. São os “telepresidentes”, dos quais o venezuelano Hugo Chávez é o que mais chama atenção. Primeiro, está no ar há mais tempo: 10 anos. Depois, fez escola: hoje empresta seus modos – e eventualmente dólares – ao Equador de Correa, à Bolívia de Evo Morales, à Nicarágua de Daniel Ortega. Finalmente, Chávez chama atenção porque faz questão de chamar atenção: é de longe o mais agressivo entre os “telepresidentes”, e o mais radical, de que é exemplo a recente Lei de Educação, promulgada no dia 15 e agora objeto de disputa política e jurídica.

Não bastasse, Chávez é um excelente comunicador, e seu programa “Alô, Presidente”, um divertido hit de audiência. A avaliação é do pesquisador Ricardo Gualda, da Universidade Columbia, de Nova York, especialista em análise do discurso e na história recente da Venezuela. Gualda estudou dezenas de edições do “Alô, Presidente” e explica como um programa oficial que pode


VISCERAL

“Alô, Presidente” é um talk-show, basicamente. Mas Chávez vai muito além de doutrinar o espectador. Além da cantilena bolivariana – ou socialismo do século 21 -, Chávez canta, conta piada, recita poesia, dá aulas – temerárias – de geografia, história e até biologia. Faz longas digressões, até lembrar seu primeiro carro, sua primeira namorada, seu ingresso nos quartéis. Fala dos filhos, dança hip hop, narra jogos de vôlei, faz galanteios. Chávez é capaz até de narrar as aflições de um ataque de diarreia, em episódio quevirou hit no YouTube. “Ele cria esse ambiente de intimidade familiar, da amizade, do carinho, e isso é uma arma fundamental para sua credibilidade”, diz Gualda.

O que mais impressiona no sucesso do programa, com share até acima de 15%, é que Chávez é praticamente a única atração: não há quadros, quase não há intervalos e em geral há apenas dois números musicais, um abrindo, outro encerrando a maratona. Os temas se repetem à exaustão, e a única coisa que varia mesmo é o cenário, porque a cada semana o “Alô, Presidente” é transmitido de um lugar diferente, até do exterior.

Horas e horas no ar dão a Chávez a possibilidade de investir nas imagens que lhe convêm, explica Gualda: a do professor, a do militar e, principalmente, a do presidente que é do povo, ama o povo e governa para o povo. “Ele faz um simulacro do que é ser governo”, diz. “E governa ao vivo.” É assim que, no ar, Chávez nomeia comissões, inventa projetos, despacha com os ministros, cobra autoridades locais e, com especial deleite, ataca e desqualifica a oposição.

Por ser todo ao vivo, “Alô, Presidente” já expôs Chávez ao embaraço de ser cobrado e até desafiado publicamente. Expõe também, continuamente, seu jogo político. “Nada que vem do Chávez vem de surpresa”, diz Gualda. Como exemplo, o pesquisador cita o recente fechamento de 34 rádios. “Ele vinha anunciando isso faz tempo”, afirma. “Não há contradição. É uma política que tem tido continuidade ao longo de seu governo: ocupar espaço na mídia. E ocupar literalmente.” Seu próximo passo, apostam Gualda e outros observadores, é fechar a Globovisión, única rede de TV aberta que ainda faz oposição ao governo. “É o que ele tem ameaçado há meses.”


CANSAÇO

Chávez – e por extensão todos os presidentes que o emulam e que ele apoia – tem pela frente dois grandes desafios eleitorais. Entre 2010 e 2011 (a data ainda não foi definida), ocorrem as eleições para a Assembleia Nacional (o Legislativo na Venezuela é unicameral, ao contrário do Brasil, que tem Senado e Câmara). Atualmente, ela é praticamente toda chavista, uma vez que a oposição boicotou o último pleito. A estratégia, agora é claro, não funcionou e não será repetida. E em 2012, Chávez disputa um novo mandato presidencial.

“Existe uma boa possibilidade de ele não ser reeleito. Ele tem sofrido um desgaste muito grande”, avalia Gualda, ressalvando que, em se tratando da política venezuelana, nenhum cenário pode ser descartado. “A Venezuela é um país muito polarizado: tem passeata contra, tem passeata a favor, e isso já faz 10 anos”, conta. “As pessoas estão cansadas, e está cada vez mais difícil para o Chávez botar a culpa nas oligarquias, nos norte-americanos”.


PESQUISAS

Diferentes pesquisas de opinião têm captado esse desgaste. Conforme o instituto Hinterlaces, o índice de popularidade de Chávez caiu 11 pontos desde o referendo de fevereiro. Em termos de intenção de voto, Chávez despencou de 60% em 2006 para 38% em agosto de 2009, segundo enquete do grupo Keller y Asociados. Entre diversos fatores, o diretor do instituto, Alfredo Keller, aponta que há uma “leitura crescente de que Chávez se converte em um ditador” e um “repúdio às iniciativas contra as liberdades na educação, propriedade privada, nas eleições etc.”

Mas esse desgaste nas pesquisas está longe de ser uma sentença de morte no chavismo. Em 10 anos, sua popularidade oscilou tremendamente – até abaixo do que se vê em 2009. Keller enxerga um padrão: “Entre os períodos eleitorais, Chávez atua como um ditador, e isso não agrada – sua popularidade cai. Nas eleições, é muito generoso com o povo, distribui dinheiro público – por isso sua popularidade sobe”.


TELEPRESIDENTES

Na avaliação de Rincón, Chávez e demais “telepresidentes” são um fenômeno da história recente da América Latina com raízes no desencanto com certa tecnocracia liberal dos anos 90. A maioria deles é de esquerda – ao menos vagamente -, mas esta “democracia cínica” não conhece ideologia: para Rincón, o mais bem-sucedido dos “telepresidentes” não é o bolivariano Chávez, mas seu vizinho e antagonista, o colombiano Álvaro Uribe (“É im-pe-cá-vel”, afirma, escandindo as sílabas). São seguidos de perto, ainda na avaliação de Rincón, pelo equatoriano Rafael Correa, que, como Chávez e Uribe, também tem seu programa semanal de TV. “Três estilos, um mesmo modo de governo: todos eles são autoritários, missionários, charmosos, retóricos.”

Embora reconheça que estejam alguns graus abaixo, o pesquisador lista em seguida: o presidente boliviano Evo Morales (“com sua imagem de virtuoso construída sobre a identidade indígena”), o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (“com a imagem do trabalhador que vem de baixo”), o paraguaio Fernando Lugo (“o religioso”) e os que chama “maus imitadores”: a argentina Cristina Kirchner (“toda feita de roupas e arrogância”) e o mexicano Felipe Calderón (“que só pretende imitar Uribe”).


PRÓXIMA TEMPORADA

Para Rincón, a mesma lógica que rege um seriado explica o empenho com que tantos desses líderes batalham em favor de sua própria reeleição. “É como na televisão: quando um programa faz sucesso, acentuam-se os detalhes e programa-se uma nova temporada”, diz. “Isso reflete a estética da repetição, que promete um pouco mais: mais diversão, mais amor, mais milagres na próxima temporada… logo, mudar as leis, as regras do jogo e até os cenários é valido para manter a audiência”. O mesmo raciocínio pode explicar também as razões de um governo, eventualmente, sair do ar. “Os cidadãos/telespectadores estamos nos entediando”, acredita. “Podemos chegar a mudar de canal… por chatos, pobres e desinteressantes.”

durar até oito horas pode fazer sucesso na TV aberta. “É pura capacidade discursiva”, diz. “Ele entende bem a linguagem da televisão.”


Site do Millor

Ninguém perguntou mas eu respondo. Sobre a nova ortografia. Pô, no meu tempo de vida já passei por quatro reformas. Durante mais de dez anos combati (ou escrevi irresponsavelmente, vocês decidem) os famigerados “sinais diacríticos diferenciais”. Já enchi. Língua é a falada. A língua escrita, ortográfica, procura, mal e mal, registrar isso. Serve pra normatizar, encinar os burocratas a escrever serto. Mas nada disso adianta quando a tevê Globo – língua falada – decide que o nome é Roráima e não Rorãima, como sempre se disse aqui em casa. Agora então que acabaram com os acentos, a Globo ganha de goleada com seu Roráima escandido pelo Bonner pra 30 milhões de pedintes, perdão, ouvintes.

Escrever bem não tem nada a ver com ortografia. Basta você ver como escreve a maioria dos que escrevem ortografia perfeitamente, isto é, seguindo todas as regras. Mediocridade, quase sempre. Já Yeats, o grande poeta irlandês, um dos maiores do mundo, escrevia tudo errado ortográfica e gramaticalmente. Isso no tempo em que tudo era rimado e metrificado.
Repito, isso de escrever gramatical ou ortograficamente certo não tem nada a ver com escrever bem. Tem a ver com sensibilidade em suas várias formas. O admirável Rubem Braga, uma perfeição de estilo, nos aconselhava sabiamente: “Quando você tiver uma dificuldade gramatical, não quebra a cabeça não. Dá uma voltinha”.

A que vem isso? A nada. Ou a tudo. Minha implicância com gramatiquismos e gramatiquices começa com a crase, que o poeta Ferreira Gullar diz que “não foi feita pra humilhar ninguém”. Tem razão: a crase foi feita pra humilhar todo mundo.

Por que todo mundo erra na crase? Já vi crase “errada” em placa de mármore de ministério. E estou vendo aqui, debaixo do meu nariz, na meia dúzia de quilômetros em volta das obras do Metrô, uma centena de cartazes da Odebrecht, a poderosa empreiteira, cheia de agrônomos, engenheiros, calculistas e, possivelmente, gramáticos: OBRAS A 100 metros, OBRAS À 250 metros. DESVIO a 200 metros. OBRAS à 300 metros. A Odebrecht emprega a crase por metragem.

Repito-me: por que todo mundo “erra” na crase? Uma regrinha idiota que qualquer idiota aprende num minuto. E esquece no minuto seguinte. Porque é artificial, inventada pelos gramáticos.

Exemplo? À bessa, que agora virou à beça (por quê?), era uma palavra só, abessa, que os sábios da escritura (Camões) dividiram em duas pra poder tascar a crase em cima de uma delas.

There is enough land in the Amazon region to satisfy Brazilian society’s demands for economic development, environmental management of a resource base of global importance and the challenges of agrarian reform. Yet Brazil has been unable to create a fully coherent and manageable land policy and administration system for the region which permits sustainable development goals to be achieved while reconciling special interests and uses. Instead, resource waste, private appropriation of the public domain and social conflict characterize land relations in the region. As the region becomes increasingly accessible for a variety of economic activities, and more central to Brazil’s economy, the resolution of the land questions looms large as a foundational element for reconciling and ordering economic development, resource management and social priorities. Conclusion: the technical requirements to support land regularization are of a manageable scale and would require a complete geo-r eferencing of each parcel of land in the region, matched one-to-one with the property’s entry in the land registry.

Mais Uma Demostração Da Irracional Prática Penal

Publicado: julho 28, 2009 por brunopm em Juris, Tudo

Na matéria extraída do site G1 da globo.com podemos perceber a irracionalidade do trato penal, e a vulnerabilidade das pessoas que estão expostas a essas bestialidades lideradas por membros do MP.

O lance é o seguinte. No caso da Suzane Von Richtofen, aquela mulher que matou os pais junto com o namorado, a dita cuja foi condenada e está cumprindo pena pelo crime que praticou. Inobstante a irracionalidade do encarceramento, que não encontra fundamento em nenhum dos objetivos declarados da política penal do Estado, a reeducanda (como a lei diz) ou a encarcerada (como prefere a realidade) está pedindo a progressão de regime por ter cumprido requisito objetivo temporal, alegando possuir também o requisto subjetivo de ostentar bom comportamento carcerário (conforme texto expresso e claro do art. 112 da LEP). Segundo seu advogado, ela tem o melhor comportamento dentre as detentas, relacionado-se bem com todas, tendo os técnicos do presídio se posicionado pelo deferimento da progressão. Pois bem, certamente por causa da comoção social que foi o caso, o MP parece que está querendo dar um jeito de manter a encarcerada presa indefinidamente, pois opiniou pelo indeferimento com base em um lado psicológico completamente esquizofrênico que no final dá o seguinte parecer absurdo: Ela pode fazer algo incapaz de ser previsto.

Pessoal, esse laudo psicológico é completamente desnecessário, pois ela não é louca (fato comprovado por psiquiatras) e a lei apenas requer bom comportamente carcerário. O motivo de a lei ser assim é óbvio: As teses desse psicólogo são absolutamente indemonstráveis, pois nenhuma ciência pode prever comportamento humano futuro (quem não acredita no que digo, leia Juarez Cirino dos Santos, uma pessoa que passa a vida estudando criminologia, direito penal e filosofia). Esse pseudo critério psicológico demonstra a arbitrariedade exposta aos condenados, ainda mais quando se pretende afirmar uma periculosidade abstrata sem a menor comprovação científica. O psicólogo chega ao absudo de afirmar que ela é dissimulada e a prova dessa dissimulação seria o fato de ser dar bem com todos no presídio. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, pois se ela tivesse algum problema com alguém ali dentro, o laudo seria no sentido de indeferir a progressão por ela justamente ter um mau comportamento, mas como ela tem um bom comportamento, o laudo pede o indeferimento porque esse bom comportamento é sinal de dissimulação!!!

É ou não é um sintoma de barbárie dos tempos modernos? E o mais triste é que alguns moralistas do MP contribuem para esse tratamento troglodita, conforme afirma o próprio Juarez Cirino, que é atualmente, na minha opinião, o melhor penalista que esse país tem ou já teve.

Enfim, eis abaixo o túnel do tempo de volta a idade das cavernas!

Promotor dá parecer contra regime semiaberto para Suzane
Para promotor, a jovem ainda não tem condições de voltar às ruas.
Suzane confessou assassinato dos pais e está presa há seis anos.
Do G1, em São Paulo

O promotor Paulo José de Palma, da Promotoria de Justilça de Execuções Criminais de Taubaté, no interior de São Paulo, deu parecer contrário à concessão de regime semiaberto a Suzane Von Richtofen. O advogado de Suzane, Denivaldo Barni, disse que ainda não teve acesso à íntegra da decisão e que por isso não quer se manifestar.

A jovem, ré confessa do assassinato dos pais, pede para cumprir o restante da pena em regime semiaberto. Mas na opinião do promotor, ela não tem condições de voltar às ruas.

Condenada a 38 anos de prisão, Suzane está presa há quase seis anos. Funcionários da penitenciária onde ela cumpre pena disseram ao programa Fantástico, da TV Globo, que ela apresenta bom comportamento. “Não se envolve em nenhum problema dentro da cadeia, não é fofoqueira, não é nada. Tranquila, na dela. Trabalha todo dia, o dia inteiro e ajuda também em outras áreas quando é necessário”, revela.

O trabalho na fábrica de roupas da penitenciária contribui para reduzir a pena de Suzane. Nas contas da Justiça, ela já cumpriu um sexto da condenação, tempo mínimo para ter direito ao regime semiaberto. Mas para conseguir o benefício, Suzane ainda tem de passar por um outro teste: um laudo criminológico feito por técnicos do estado e um parecer do presídio com um relatório das pessoas que convivem com ela.

Com exclusividade, o Fantástico teve acesso às informações dos dois trabalhos, que apresentaram conclusões contraditórias. Do carcereiro ao diretor do presídio, sete profissionais que convivem com Suzane foram unânimes: a jovem é uma presa exemplar.

“É uma detenta nota mil, na minha opinião. Se, pelo menos, 80% da cadeia fosse igual a ela, não precisava quase nem de guarda lá dentro. Não dá problema”, conta o funcionário do presídio.

“O parecer do presídio é bem objetivo e conclui que a Suzane sempre teve um bom comportamento, sempre respeitou as pessoas da unidade, sempre se relacionou bem com as demais presas. Portanto, merece a promoção prisional”, afirma o promotor Paulo José de Palma.

Já o laudo criminológico, feito por dois psiquiatras, dois psicólogos e uma assistente social, revelou outra face de Suzane. Apesar de os psiquiatras dizerem que ela não tem uma doença mental que ofereça perigo, os psicólogos e a assistente social identificaram um perfil dissimulado. Ter a aprovação de todos que convivem com ela confirmaria isso.

Dissimulado
O psicólogo Gilberto Rodrigues, que já trabalhou em presídios, descreve o perfil de um criminoso dissimulado. “Ela cativa, envolve e traz todos para o seu lado”, aponta. “Ela sempre responde para você com sorriso no rosto. Nunca está de cara feia ou amarrada”, contou o funcionário.

No presídio, Suzane estaria manipulando da mesma forma como fez no enterro dos pais. “Aquele choro estava acontecendo para ocultar uma verdade dela. Ela se torna boazinha aos olhos dos outros para esconder um traço que ela sabe que tem”, acredita o psicólogo Gilberto Rodrigues.

Ela é aceita entre as detentas, mas não querida. “Querida não, porque o pessoal tem muita repulsa com esse tipo de crime”, diz o funcionário. Além disso, Suzane evita comer a comida da penitenciária. “É servido a comida normal para elas todas, igual. Agora, ela prefere comer frutas, essas coisas que são trazidas para ela”, conta. E a única visita que recebe é a do advogado. “Família nunca vi família nenhuma por lá”, completa.

Durante todo o tempo em que está presa, Suzane nunca recebeu advertência. Mas os especialistas acham que também este é um ato calculado, como na entrevista que deu ao Fantástico há três anos.

“A Suzane possui uma personalidade voltada a manipular as pessoas e também a trazer as pessoas para seu lado, para as utilizarem em benefício próprio. Certamente os técnicos, muito competentes, muito inteligentes e muito probos, foram influenciados pelo perfil psicológico da Suzane”, afirmou o promotor Paulo José de Palma.

O juiz responsável pelo caso tem até sexta-feira (31) para tomar uma decisão: dar razão aos técnicos do presídio ou aos psicólogos. “Deixá-la na rua significa que, no primeiro momento, que ela se sinta insegura e ameaçada, toda essa bondade, esse carinho, fica em segundo plano, e ela age descontroladamente. Ela pode fazer algo incapaz de ser previsto”, acredita o psicólogo Gilberto Rodrigues.