Arquivo de agosto, 2009

A jornalista Monica Waldvogel reuniu no programa “Entre Aspas”, da Globonews, o ex-secretário da Receita Federal (no governo FHC), Everardo Maciel, o presidente do SindiReceita, Paulo Antenor, e um advogado tributarista para discutir a “crise da Receita”. Após uma introdução onde denunciou o “aparelhamento” da Receita e apresentou Lina Vieira como “vítima” deste processo, ouviu dos convidados que o aparelhamento foi feito, na verdade, por Lina Vieira. Para jornalista Luis Nassif, comentário inicial de Waldvogel foi “vergonhoso, antijornalístico e desonesto”.

O programa foi ao ar nesta terça-feira (25). A apresentadora Monica Waldvogel iniciou o “Entre Aspas” com uma leitura apocalíptica sobre o “aparelhamento da Receita” pelo governo Lula, mostrando Lina Vieira como uma “vítima” de interesses poderosos (Sarney, Petrobras, etc.). Todas as teses da introdução de Waldvogel foram rejeitadas e rebatidas pelos participantes do programa. Ao final do mesmo, constrangida, a jornalista pergunta:

– Mas então houve uma manipulação da opinião pública?

Assista ao programa e tire suas conclusões:

VEJA O PROGRAMA NA CARTA MAIOR.

O jornalista Luis Nassif resumiu assim, em seu blog, o papel constrangedor de Waldvogel e a desmontagem do factóide Lina Vieira:

O comentário inicial lido por Mônica Waldvogel é vergonhoso, antijornalístico, desonesto, porque desmentido ao longo de todo o programa pelos três entrevistados convidados. A Globonews perdeu o rumo.

Os três convidados são unânimes em afirmar que politização ocorreu na fase de Lina Vieira, não agora. Mônica atropela as conclusões da mesa redonda, desrespeita os telespectadores ao antecipar conclusões falsas. Principalmente sabendo-se que a abertura sempre é feita após o programa, com base nas conclusões levantadas.

Paulo Antenor, presidente do SindiReceita, sindicato dos Analistas-Tributários da Receita Federal, denuncia o aparelhamento da Receita… por Lina. Mostra que o pedido de demissão coletiva dos antigos superintendentes foi apenas uma antecipação para demissões que ocorreriam. O advogado tributarista nega crise na Receita. Disse que está mais preocupado com as taxas de juros dos bancos e temas mais relevantes.

Mônica tenta se socorrer do ex-Secretário da Receita Everardo Maciel, da gestão FHC, pedindo que confirme a politização. Everardo diz que a politização ocorreu com Lina e que agora não há ingerência política, porque é atribuição do Ministro definir o Secretário.

Depois disso tudo, Mônica volta ao papo de que Mantega estaria pressionando para não apertar os grandes contribuintes. Os entrevistados negam. Everardo mostra que esse foco nos grandes contribuintes começou em sua gestão. Mônica diz que houve aumento na arrecadação dos grandes contribuintes na gestão Lina. Everardo desmonta com números.

Mônica vem com a história da opção do regime de caixa pela Petrobras foi manipulação. Everardo é incisivo: a Petrobras está certa. O factóide criado foi para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina – embora admita que a queda tem muitos outros fatores deflagradores, entre os quais a crise.

Mônica: se fosse tão clara a possibilidade de mudar o regime no meio do ano, não haveria essa controvérsia.

Everardo: a regra é clara e foi feita em 1999 justamente para enfrentar o problema da desvalorização cambial.

Mônica: mas até agora a Receita está para soltar um parecer.

Everardo e os demais: já foi feito, concordando com a Petrobras. Essa prática existe há muito tempo, não existe qualquer ilegalidade ou manobra contábil.

Mônica, balbuciando: a lei foi feita. Houve então uma manipulação da opinião pública?

Todos concordam com a cabeça.

Aí ela deriva a entrevista para o caso Sarney, perguntando se é legítimo pressionar a Receita para abrandar a fiscalização.

O presidente do Sindicato disse que é impossível essa pressão, que nunca essa informação correu na Receita. Disse que sempre trabalhou próximo à chefia da Receita, tanto no governo FHC e Lula, e nunca viu esse procedimento. O chefe da Receita conversa com políticos todos os dias. Mas esse tipo de ingerência é novidade para a gente.

Everardo disse que se ocorreu, o momento certo seria na época em que foi feita. Se não fez, cometeu prevaricação.

Conclusão final dos três entrevistados: Lina foi um desastre para a imagem da Receita e caberá a todos os funcionários trabalharem para o resgate de sua imagem.

Assista o programa e depois volte à abertura.

PS – O programa é ao vivo. Então na abertura Mônica definiu conclusões que não foram avalizadas, posteriormente, pelos entrevistados

Na era dos “telepresidentes”, política vira novela, e eleitor, audiência
Daniel Jelin – estadao.com.br
SÃO PAULO – No lugar do presidente, um entertainer. No lugar de eleitores, plateia. No lugar de políticas públicas, emoção. Para o pesquisador colombiano Omar Rincón, do Centro de Competência em Comunicação, líderes latino-americanos adotam a lógica da televisão e ameaçam a democracia com intermináveis batalhas por “audiência” e “novas temporadas”. São os “telepresidentes”, dos quais o venezuelano Hugo Chávez é o que mais chama atenção. Primeiro, está no ar há mais tempo: 10 anos. Depois, fez escola: hoje empresta seus modos – e eventualmente dólares – ao Equador de Correa, à Bolívia de Evo Morales, à Nicarágua de Daniel Ortega. Finalmente, Chávez chama atenção porque faz questão de chamar atenção: é de longe o mais agressivo entre os “telepresidentes”, e o mais radical, de que é exemplo a recente Lei de Educação, promulgada no dia 15 e agora objeto de disputa política e jurídica.

Não bastasse, Chávez é um excelente comunicador, e seu programa “Alô, Presidente”, um divertido hit de audiência. A avaliação é do pesquisador Ricardo Gualda, da Universidade Columbia, de Nova York, especialista em análise do discurso e na história recente da Venezuela. Gualda estudou dezenas de edições do “Alô, Presidente” e explica como um programa oficial que pode


VISCERAL

“Alô, Presidente” é um talk-show, basicamente. Mas Chávez vai muito além de doutrinar o espectador. Além da cantilena bolivariana – ou socialismo do século 21 -, Chávez canta, conta piada, recita poesia, dá aulas – temerárias – de geografia, história e até biologia. Faz longas digressões, até lembrar seu primeiro carro, sua primeira namorada, seu ingresso nos quartéis. Fala dos filhos, dança hip hop, narra jogos de vôlei, faz galanteios. Chávez é capaz até de narrar as aflições de um ataque de diarreia, em episódio quevirou hit no YouTube. “Ele cria esse ambiente de intimidade familiar, da amizade, do carinho, e isso é uma arma fundamental para sua credibilidade”, diz Gualda.

O que mais impressiona no sucesso do programa, com share até acima de 15%, é que Chávez é praticamente a única atração: não há quadros, quase não há intervalos e em geral há apenas dois números musicais, um abrindo, outro encerrando a maratona. Os temas se repetem à exaustão, e a única coisa que varia mesmo é o cenário, porque a cada semana o “Alô, Presidente” é transmitido de um lugar diferente, até do exterior.

Horas e horas no ar dão a Chávez a possibilidade de investir nas imagens que lhe convêm, explica Gualda: a do professor, a do militar e, principalmente, a do presidente que é do povo, ama o povo e governa para o povo. “Ele faz um simulacro do que é ser governo”, diz. “E governa ao vivo.” É assim que, no ar, Chávez nomeia comissões, inventa projetos, despacha com os ministros, cobra autoridades locais e, com especial deleite, ataca e desqualifica a oposição.

Por ser todo ao vivo, “Alô, Presidente” já expôs Chávez ao embaraço de ser cobrado e até desafiado publicamente. Expõe também, continuamente, seu jogo político. “Nada que vem do Chávez vem de surpresa”, diz Gualda. Como exemplo, o pesquisador cita o recente fechamento de 34 rádios. “Ele vinha anunciando isso faz tempo”, afirma. “Não há contradição. É uma política que tem tido continuidade ao longo de seu governo: ocupar espaço na mídia. E ocupar literalmente.” Seu próximo passo, apostam Gualda e outros observadores, é fechar a Globovisión, única rede de TV aberta que ainda faz oposição ao governo. “É o que ele tem ameaçado há meses.”


CANSAÇO

Chávez – e por extensão todos os presidentes que o emulam e que ele apoia – tem pela frente dois grandes desafios eleitorais. Entre 2010 e 2011 (a data ainda não foi definida), ocorrem as eleições para a Assembleia Nacional (o Legislativo na Venezuela é unicameral, ao contrário do Brasil, que tem Senado e Câmara). Atualmente, ela é praticamente toda chavista, uma vez que a oposição boicotou o último pleito. A estratégia, agora é claro, não funcionou e não será repetida. E em 2012, Chávez disputa um novo mandato presidencial.

“Existe uma boa possibilidade de ele não ser reeleito. Ele tem sofrido um desgaste muito grande”, avalia Gualda, ressalvando que, em se tratando da política venezuelana, nenhum cenário pode ser descartado. “A Venezuela é um país muito polarizado: tem passeata contra, tem passeata a favor, e isso já faz 10 anos”, conta. “As pessoas estão cansadas, e está cada vez mais difícil para o Chávez botar a culpa nas oligarquias, nos norte-americanos”.


PESQUISAS

Diferentes pesquisas de opinião têm captado esse desgaste. Conforme o instituto Hinterlaces, o índice de popularidade de Chávez caiu 11 pontos desde o referendo de fevereiro. Em termos de intenção de voto, Chávez despencou de 60% em 2006 para 38% em agosto de 2009, segundo enquete do grupo Keller y Asociados. Entre diversos fatores, o diretor do instituto, Alfredo Keller, aponta que há uma “leitura crescente de que Chávez se converte em um ditador” e um “repúdio às iniciativas contra as liberdades na educação, propriedade privada, nas eleições etc.”

Mas esse desgaste nas pesquisas está longe de ser uma sentença de morte no chavismo. Em 10 anos, sua popularidade oscilou tremendamente – até abaixo do que se vê em 2009. Keller enxerga um padrão: “Entre os períodos eleitorais, Chávez atua como um ditador, e isso não agrada – sua popularidade cai. Nas eleições, é muito generoso com o povo, distribui dinheiro público – por isso sua popularidade sobe”.


TELEPRESIDENTES

Na avaliação de Rincón, Chávez e demais “telepresidentes” são um fenômeno da história recente da América Latina com raízes no desencanto com certa tecnocracia liberal dos anos 90. A maioria deles é de esquerda – ao menos vagamente -, mas esta “democracia cínica” não conhece ideologia: para Rincón, o mais bem-sucedido dos “telepresidentes” não é o bolivariano Chávez, mas seu vizinho e antagonista, o colombiano Álvaro Uribe (“É im-pe-cá-vel”, afirma, escandindo as sílabas). São seguidos de perto, ainda na avaliação de Rincón, pelo equatoriano Rafael Correa, que, como Chávez e Uribe, também tem seu programa semanal de TV. “Três estilos, um mesmo modo de governo: todos eles são autoritários, missionários, charmosos, retóricos.”

Embora reconheça que estejam alguns graus abaixo, o pesquisador lista em seguida: o presidente boliviano Evo Morales (“com sua imagem de virtuoso construída sobre a identidade indígena”), o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (“com a imagem do trabalhador que vem de baixo”), o paraguaio Fernando Lugo (“o religioso”) e os que chama “maus imitadores”: a argentina Cristina Kirchner (“toda feita de roupas e arrogância”) e o mexicano Felipe Calderón (“que só pretende imitar Uribe”).


PRÓXIMA TEMPORADA

Para Rincón, a mesma lógica que rege um seriado explica o empenho com que tantos desses líderes batalham em favor de sua própria reeleição. “É como na televisão: quando um programa faz sucesso, acentuam-se os detalhes e programa-se uma nova temporada”, diz. “Isso reflete a estética da repetição, que promete um pouco mais: mais diversão, mais amor, mais milagres na próxima temporada… logo, mudar as leis, as regras do jogo e até os cenários é valido para manter a audiência”. O mesmo raciocínio pode explicar também as razões de um governo, eventualmente, sair do ar. “Os cidadãos/telespectadores estamos nos entediando”, acredita. “Podemos chegar a mudar de canal… por chatos, pobres e desinteressantes.”

durar até oito horas pode fazer sucesso na TV aberta. “É pura capacidade discursiva”, diz. “Ele entende bem a linguagem da televisão.”


entrevista na feira de livros de Londres

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Clarisse Lispector

Publicado: agosto 29, 2009 por E=m.c² em Tudo

Entrevista de 1977.

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Lithium

Publicado: agosto 29, 2009 por Yogi em Tudo

Songwriters: Cobain, Kurt; Novoselic, Krist; Grohl, David;

I’m so happy ‘cause today
I found my friends
They’re in my head
I’m so ugly, that’s okay
‘Cause so are you
Broke our mirrors
Sunday morning is everyday
For all I care
And I’m not scared
Light my candles, in a daze
‘Cause I’ve found God

Yeah yeah yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah
Yeah

I’m so lonely, that’s ok
I shaved my head
And I’m not sad
And just maybe
I’m to blame for all I’ve heard
I’m not sure
I’m so excited
I can’t wait to meet you there
And I don’t care
I’m so horny, that’s okay
My will is good

Yeah yeah yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah
Yeah

I like it I’m not gonna crack
I miss you I’m not gonna crack
I love you I’m not gonna crack
I killed you I’m not gonna crack

I like it I’m not gonna crack
I miss you I’m not gonna crack
I love you I’m not gonna crack
I killed you I’m not gonna crack

I’m so happy ‘cause today
I found my friends
They’re in my head
I’m so ugly, but that’s okay
‘Cause so are you
Broke our mirrors
Sunday morning is everyday
For all I care
And I’m not scared
Light my candles in a daze
‘Cause I’ve found god

Yeah yeah yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah
Yeah

I like it I’m not gonna crack
I miss you I’m not gonna crack
I love you I’m not gonna crack
I killed you I’m not gonna crack

I like it I’m not gonna crack
I miss you I’m not gonna crack
I love you I’m not gonna crack
I killed you I’m not gonna crack

© THE END OF MUSIC; PRIMARY WAVE TUNES;

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Construção – Chico Buarque

Publicado: agosto 29, 2009 por Yogi em Tudo

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