CORANTE NO SALMÃO

Publicado: julho 12, 2009 por Yogi em Capital, Juris, Nature, Tudo

Por Filipe Marcel 25/06/2004 às 15:48
Consumidores americanos processam criadores de salmão ao descobrir que o peixe, na verdade, é cinza 

olhe bem...olhe bem…

Um processo movido por um grupo de consumidores no Estado americano de Washington está mostrando ao mundo que alguns aspectos da realidade são menos cor-de-rosa do que aparentam. Mais especificamente, os filés de salmão. O senso comum tem como certo que a carne do peixe é rosa-alaranjado – ou, mais propriamente, ‘salmão’. Só que a regra se aplica somente ao peixe de alto-mar, que passa a vida em liberdade no oceano para subir os rios na época da reprodução e morrer em seguida. Esse peixe é raro, caro, delicioso e belamente colorido por conta de sua dieta à base de camarão e krill. No total, ele representa 5% do salmão vendido nos Estados Unidos, e praticamente não chega ao Brasil. O restante, a maioria esmagadora do peixe encontrado nos mercados de todo o mundo, é criado em fazendas subaquáticas e tem cor muito sem graça, que vai do cinza ao bege-claro, passando no máximo por um rosa-pálido. Para ficar com o mesmo tom do salmão selvagem ele recebe uma ração com aditivos sintéticos, derivados de petróleo. 

As substâncias astaxantina e cantaxantina são iguais às que, na natureza, tingem a carne do salmão. Em doses normais, são inofensivas e usadas também em outros tipos de alimento – por exemplo, na ração de galinhas, para que a gema do ovo fique mais amarela. Mas, em grandes quantidades, podem causar problemas de visão e alergias. O fato de serem usadas no peixe sem que os consumidores fossem informados causou a fúria dos ambientalistas, que agora exigem indenizações de milhões de dólares dos supermercados. A preocupação não é apenas paranóia de ecologista. Técnicos agrícolas da União Européia recentemente reduziram o nível tolerado de cantaxantina nos alimentos para um terço do volume aceito nos Estados Unidos – no Canadá, o nível aceitável já era igualmente baixo. 

O processo não questiona os riscos à saúde, porque são necessárias doses muito grandes dos corantes para causar problemas. Mas sugere que o motivo básico da pintura é enganar o consumidor, fazendo-o pensar que está comprando salmão de alto-mar. O peixe criado em fazendas é um dos segredos mais bem guardados dos restaurantes. Custa quase dez vezes mais barato que o selvagem, mas os cardápios oferecem-no a preço de comida de luxo – embora devesse, em tese, ser tão barato quanto uma pescada qualquer. Na esteira dos estudos para checar se o salmão de fazenda americano é seguro, já se descobriram alguns outros efeitos colaterais. Além de ter sabor mais pobre, ele possui o dobro da gordura total e mais de duas vezes os índices de gordura saturada. Pior, a quantidade de antibióticos e pesticidas utilizada em algumas amostras também estava acima do permitido por lei. 

Reportagem “Ilusão cor-de-rosa” 
Época – Internacional , 23 de agosto de 2003 
reportagem de Ernesto Bernardes

comentários
  1. Americo Baltazar disse:

    Otima reportagem.
    Moro em São Paulo e não estou conseguindo encontrar o Salmão Selvagem. Apreciaria se alguém souber onde encontra-lo.
    Abs
    Américo

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