Arquivo de março, 2009

Economia do prazer

Publicado: março 29, 2009 por Yogi em Capital, Tudo
Eduardo Giannetti mostra que o padrão americano de 
riqueza não garante felicidade e recomenda investimento 
nas relações pessoais

Luiza Villaméa

  Alan Rodrigues
  Giannetti: “O excesso de 
consumo pode destruir as 
bases biológicas da vida”

Respeitado pelas análises ponderadas que costuma fazer, o economista Eduardo Giannetti é consultado sempre que o debate gira em torno dos humores do mercado e dos rumos financeiros do País. Aos 45 anos, Giannetti, um mineiro radicado em São Paulo desde a infância, acaba de reforçar sua fama como professor de história do pensamento econômico. Em sintonia com a tradição cultuada pelos grandes economistas do século XVIII, que voltavam seus estudos para o bem-estar da humanidade, ele sintetizou no livro Felicidade, recém-lançado pela Companhia das Letras, estudos que vem realizando sobre o tema há quase duas décadas. “Continuar aumentando
os padrões de consumo não vai tornar as pessoas mais felizes”, 
garante Giannetti. “A partir de um certo índice não há nenhuma 
evidência empírica de que acréscimos de renda tragam ganhos de
bem-estar subjetivo.” A seguir, os principais trechos da entrevista concedida em sua agradável casa, antes de partir para o lançamento
de Felicidade, em sua terra natal, Belo Horizonte.

ISTOÉ – Por que um economista decide estudar a felicidade?
Eduardo Giannetti –
 O que me surpreende é exatamente o contrário. Como é que os economistas, de uns tempos para cá, passaram a considerar tão pouco a questão do bem-estar. A preocupação dos grandes economistas em qualquer tempo sempre foi facilitar a busca
da realização e do potencial humano.

ISTOÉ – Seu livro mostra que, no século XVII, os filósofos iluministas acreditavam que o progresso levaria à felicidade. 
Na prática, isso não ocorreu. Por quê?
Giannetti –
 O projeto iluminista de que o progresso e a razão 
resolveriam o problema humano de realização fracassou. Continuar aumentando a renda e os padrões de consumo não vai tornar as
pessoas mais felizes com a vida que têm. Assim como na corrida armamentista, os países investem cada vez mais em armas e se 
sentem ainda mais inseguros. No consumo ocorre algo parecido. 
Os países altamente desenvolvidos se esforçam para ter um padrão
de consumo maior e se sentem cada vez mais carentes.

ISTOÉ – O projeto iluminista tem outros limites?
Giannetti –
 Sim. O limite ecológico. Se o padrão de consumo
do sonho americano se generalizar, se cada chinês passar a ter
dois automóveis na garagem, o meio ambiente e a biosfera não vão aguentar o desaforo. As bases biológicas da vida serão destruídas.

ISTOÉ – O que fazer para atingir o bem-estar?
Giannetti –
 Precisamos encontrar outros caminhos. Uma realização
que seja menos calcada no econômico e mais na ética, na espiritualidade, nas relações pessoais, na alegria de viver. Um caminho que seja menos oneroso do ponto de vista econômico-ambiental, 
que seja mais sustentável do ponto de vista ecológico.

ISTOÉ – Então a economia tem um papel secundário
na busca da felicidade?
Giannetti –
 A economia é fundamental até certo ponto. A partir
de um certo índice não há nenhuma evidência empírica de que acréscimos de renda tragam ganhos de bem-estar subjetivo.

Financial Times
Amy Kazmin
O próspero campus da Universidade Muçulmana Aligarh, no norte da Índia, representa a face moderna da comunidade muçulmana de 150 milhões de pessoas do país.

Homens jovens usando gorros e mulheres trajando burcas caminham em meio a jardins floridos e prédios indo-islâmicos no terreno da universidade, fundada há mais de um século como um farol de educação racional ao estilo Ocidental para os muçulmanos do sul da Ásia.

Mas há uma inquietação entre os 30 mil estudantes. “Agentes de inteligência estão por toda parte, observando tudo”, disse um acadêmico. É um sentimento comum, à medida que aumenta a suspeita do governo contra sua grande minoria muçulmana, especialmente após os ataques terroristas que abalaram as principais cidades indianas ao longo do ano passado.

Uma profunda insegurança ainda perturba os muçulmanos da Índia, 62 anos após a separação traumática do subcontinente governado pelos britânicos, resultando na Índia, um país de maioria hindu, e no Paquistão, de maioria muçulmana.

Apesar de suas famílias terem permanecido na ostensivamente secular Índia, os muçulmanos indianos dizem que são tratados como cidadãos de segunda classe de lealdade duvidosa, quando não como traidores e terroristas.

As percepções de discriminação foram reforçadas por um relatório de 2006 do governo, que apontou que os muçulmanos formavam a comunidade mais carente educativa, econômica e socialmente da Índia, com um status semelhante aos dalits, a casta mais baixa entre os hindus e antes conhecidos como “intocáveis”.

Entretanto, enquanto a Índia se prepara para as eleições parlamentares a partir do próximo mês, os muçulmanos estão debatendo como melhor se afirmarem politicamente para aliviar suas queixas e impedir sua comunidade de ficar ainda mais para trás na economia da Índia, que se desenvolve rapidamente. “Os muçulmanos estão pensando: ‘Se outros partidos não estão dispostos a nos dar a nossa parte, nós temos que reorganizar nosso voto'”, disse Mohammad Muqim, presidente do departamento de filosofia da Aligarh.

Por décadas após a independência, os muçulmanos foram um apoio certo ao Partido do Congresso, com seu professo compromisso com o secularismo. Seu principal rival, o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, retrata a Índia como uma sociedade hindu e acusa o Partido do Congresso de “apaziguamento das minorias”.

Nos últimos anos, os muçulmanos viram outros grupos oprimidos, incluindo os dalits, ganharem um maior poder político para suas comunidades, ao votarem em candidatos de sua própria casta.

Mas os muçulmanos, dispersos por todo o país, têm tido dificuldade em ganhar influência no sistema eleitoral de voto pluralitário.

Apesar de corresponderem a 14% da população, os muçulmanos normalmente detêm apenas 6% a 9% das cadeiras parlamentares, dispersos por vários partidos. Alguns distritos eleitorais com número significativo de muçulmanos há muito são reservados para representantes hindus das castas mais baixas, como parte do esforço de Nova Déli de corrigir as injustiças causadas pelo sistema de castas.

Em outras partes, os votos são fragmentados quando os partidos concorrentes lançam candidatos muçulmanos rivais.

Sempre houve uma desilusão com os políticos muçulmanos, em meio à suspeita de que os partidos nacionais promovem conscientemente aqueles com passado manchado ou questionável como sendo “representantes” dos muçulmanos.

“Os maus caráteres da sociedade muçulmana estão sendo protegidos pelos partidos políticos”, disse Saleem Peerzada, um engenheiro formado pela Aligarh. “Eles não querem que surja uma liderança muçulmana educada, real, eficaz.”

A Índia sem dúvida conta com histórias de sucesso muçulmanas. Sua vasta indústria cinematográfica é dominada por superastros muçulmanos. A Wipro, uma das maiores empresas de software do país, é controlada por um muçulmano, Azim Premji. Os muçulmanos estão espalhados pelo governo, entre os profissionais liberais e pelo setor privado.

Mas mesmo muitos muçulmanos bem-sucedidos sentem que sua comunidade enfrenta barreiras entrincheiradas que podem ser removidas apenas com uma maior força política.

“Nossa experiência nos compele -a política é obrigatória”, disse Amanullah Khan, que passou 25 anos promovendo a educação entre os muçulmanos e se queixa da relutância das autoridades em reconhecer as escolas administradas por muçulmanos. “Nós precisamos ter um partido político sob nossa própria liderança, com o qual possamos negociar melhor.”

Para isto, Khan, um novato na política, planeja concorrer nas eleições parlamentares com o partido Frente Democrática Unida de Assam. O partido muçulmano com três anos conquistou 10 cadeiras no Legislativo estadual de Assam e lançará 25 candidatos nas eleições nacionais.

O partido Parcham, fundado por Peerzada, se concentra na disputa das eleições para prefeitos e vereadores nas áreas muçulmanas.

Enquanto isso, o Conselho Milli de Toda a Índia, uma organização muçulmana, começou a apoiar candidatos, como parte de uma estratégia de unificar o voto dos muçulmanos. Manzoor Alam, seu secretário-geral, diz que a influência muçulmana pode não ser sentida por uma década, mas “em 2019, nós chegaremos a um ponto em que nenhum partido político poderá ignorar as exigências genuínas dos muçulmanos”.

Para alguns, não há nenhum momento a perder, dada a profunda desilusão entre muitos jovens muçulmanos. “Eles estão sendo pressionados contra a parede”, disse Abusaleh Shariff, um demógrafo que ajudou a escrever o relatório sobre o status dos muçulmanos. “A questão é, no final eles pegarão em armas e partirão para uma revolução?”

Esse conceito estranho e de difícil compreensão, proposto na teoria das partículas elementares, começa a ser confirmado pela experimentação

A supersimetria é uma simetria notável. Na física de partículas elementares, ela inter-relaciona partículas completamente diferentes: os férmions (como os elétrons, prótons e nêutrons), que constituem o mundo material, e os bósons (como os fótons), que geram as forças da natureza. Os férmions são os individualistas e solitários do mundo das partículas: dois férmions jamais ocupam o mesmo estado quântico. Sua aversão a companheiros íntimos é forte o bastante para evitar o colapso de uma estrela de nêutrons, mesmo quando a gravidade supera todas as outras forças da natureza. Os bósons, ao contrário, são imitadores de fácil convívio, e unem-se prontamente em estados idênticos. Cada bóson que se encontra num certo estado instiga os outros de sua espécie a imitá-lo. Sob condições propícias, os bósons formam exércitos de clones. É o que ocorre com os fótons de um raio laser ou os átomos do hélio-4 superfluido. Porém, no espelho mágico da supersimetria, os anti-sociais férmions de alguma maneira se parecem com os sociáveis bósons – e vice-versa.

De forma figurada, pode-se dizer que a supersimetria é um tipo de simetria que permite comparar maçãs e laranjas. Segure uma maçã diante do espelho da supersimetria, e o reflexo dessa maçã terá a aparência e o sabor de uma laranja. Nenhuma simetria simples existente na física possui essa magia. Simetrias simples podem agir como os espelhos deformadores de um parque de diversões, fazendo, por exemplo, com que inofensivos elétrons se pareçam com fantasmagóricos neutrinos, mas nunca poderiam transformar um férmion num bóson. Só a supersimetria é capaz de fazê-lo. Essa é, pelo menos, a teoria. Os teóricos das partículas elementares estudam com afinco a supersimetria desde sua invenção, na década de 1970, e muitos crêem que ela guarda a chave para o próximo grande avanço em nossa compreensão das partículas e das forças fundamentais. Os pesquisadores experimentais, no entanto, procuraram as partículas previstas pela supersimetria em seus aceleradores de altíssima energia, até agora sem resultado.

Na década de 1980, os teóricos propuseram que as colisões violentas de partículas não seriam necessariamente a única maneira de detectar a supersimetria. Eles previram que uma forma diferente de supersimetria poderia existir em determinados núcleos atômicos. Neste caso, também, a supersimetria relaciona objetos físicos que são muito diferentes entre si: núcleos com números pares de prótons e nêutrons e núcleos com números ímpares de prótons e nêutrons. Mais uma vez, isso envolve férmions e bósons, pois uma partícula composta que contém um número ímpar de férmions é ela mesma um férmion, ao passo que um número par de férmions produz um bóson.

Para compreender melhor a supersimetria nuclear, imagine um salão cheio de pessoas dançando, representando os núcleons que formam um núcleo. Quando há um número par de pessoas, todos têm seus parceiros e o salão fica cheio de casais dançando. Quando há um número ímpar de pessoas, uma delas fica vagando sozinha pelo salão. No espelho supersimétrico, porém, essa pessoa se parece magicamente com qualquer outro casal e dança em sincronia com os demais. Da mesma forma, um núcleo com um número ímpar de prótons e nêutrons tem por imagem um núcleo com número par de núcleons – e vice-versa.

Leia a matéria completa na Scientific American Brasil.

Veja videos sobre a Supersimetric and Unified Field por John Hagelin.

O Brasil e a Rússia devem ser os únicos grandes países do mundo a atingir 2050 com um balanço positivo entre crescimento da economia e conservação dos recursos naturais. No caso brasileiro, a matriz energética mais limpa e as florestas dão ao País mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios nesse campo. É o que mostra estudo da Universidade de São Paulo (USP), que calculou o balanço dos países em relação às mudanças climáticas. Por Andrea Vialli, do O Estado de S.Paulo, 24/09/2008.

Com base na metodologia contábil empresarial, a pesquisa avaliou o estoque de recursos naturais e o saldo entre as emissões e capturas de gases causadores de efeito estufa em sete países – Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão – até 2050.

“No cenário previsto para 2050, o Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões, patrimônio suficiente para continuar crescendo e ainda contribuir positivamente para a Terra com cotas excedentes de carbono, provenientes de energia limpa e recursos florestais” diz José Roberto Kassai, professor de contabilidade da faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) e um dos responsáveis pelo estudo, que envolveu seis pesquisadores da USP.

O mundo, segundo o estudo, terá um déficit econômico-ambiental estimado em US$ 15,3 trilhões, ou 23,7% do PIB mundial. “Só Brasil e Rússia terão condições de continuar crescendo sem maiores pressões sobre o meio ambiente”, avalia. O estudo completo será divulgado em outubro, na Câmara Americana do Comércio (Amcham).

Para Kassai, o balanço positivo para o País pode se traduzir em oportunidades de negócios. “Se o Brasil souber aproveitar esse trunfo, poderá receber volumosos investimentos estrangeiros, tanto para projetos de geração de créditos de carbono quanto em compensações financeiras para manter as florestas intactas.”

LUCROS

Muitas empresas já estão lucrando no mercado de créditos de carbono, que vem ganhando impulso desde 2005. A fabricante de papel Klabin concluiu, em abril, a venda do seu segundo lote de créditos de carbono. A empresa substitui o óleo combustível por gás natural nas caldeiras da fábrica em Piracicaba (SP). A venda dos créditos trouxe receita adicional de 1,5 milhão.

“O gás natural é 26% menos poluente que o óleo” , diz Júlio Nogueira, gerente-corporativo de meio ambiente da Klabin. Segundo ele, novos projetos estão em curso. Na nova fábrica de papel da empresa, inaugurada na semana passada, no Paraná, uma das caldeiras será alimentada só com restos de madeira da própria fábrica e do pólo madeireiro da região. “Esse projeto tem um potencial de gerar créditos equivalentes a até 100 mil toneladas de CO2 por ano.”

A petroquímica Solvay Indupa, em Santo André, faturou US$ 1,4 milhão com uma venda de créditos na semana passada, também proveniente da troca de óleo combustível por gás natural. “Geramos receita extra com uma vantagem ambiental enorme, já que o gás não emite gases de enxofre”, diz Carlos Nardocci, assessor da direção industrial.

O ESTUDO DA USP

Amostra: Sete países que representam 68% do PIB e 50% da população do mundo

Metodologia: Usando a equação básica da contabilidade empresarial (ativo – passivo = patrimônio líquido), os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país. Ou seja, qual o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais

Resultados: Somente Brasil e Rússia terão patrimônio líquido ambiental com superávit em 2050. O Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões e a Rússia, de US$ 156 bilhões. Países como os EUA e China serão os maiores deficitários ambientais, com US$ 2,72 trilhões e US$ 3,26 trilhões, respectivamente. O mundo como um todo terá um ‘déficit’ ambiental de US$ 15,3 trilhões

[EcoDebate, 25/09/2008]

O que vai ser o mundo pós-Breton Woods? EUA/Japão x Europa x BRIC’s? 

Essa é a verdadeira pergunta de 1 googolhão de dólares.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

As conferências de Bretton Woods, definindo o Sistema Bretton Woods de gerenciamento econômico internacional, estabeleceram em Julho de 1944 as regras para as relações comerciais e financeiras entre os países mais industrializados do mundo. O sistema Bretton Woods foi o primeiro exemplo, na história mundial, de uma ordem monetária totalmente negociada, tendo como objetivo governar as relações monetárias entre Nações-Estado independentes.

Preparando-se para reconstruir o capitalismo mundial enquanto a Segunda Guerra Mundial ainda grassava, 730 delegados de todas as 44 nações aliadas encontraram-se no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, New Hampshire, para a Conferência monetária e financeira das Nações Unidas. Os delegados deliberaram e finalmente assinaram o Acordo de Bretton Woods (Bretton Woods Agreement) durante as primeiras três semanas de julho de 1944.

Índice

Os acordos

Definindo um sistema de regras, instituições e procedimentos para regular a política econômica internacional, os planificadores de Bretton Woods estabeleceram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (International Bank for Reconstruction and Development, ou BIRD) (mais tarde dividido entre o Banco Mundial e o “Banco para investimentos internacionais”) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essas organizações tornaram-se operacionais em 1946, depois que um número suficiente de países ratificou o acordo.

As principais disposições do sistema Bretton Woods foram, primeiramente, a obrigação de cada país adotar uma política monetária que mantivesse a taxa de câmbio de suas moedas dentro de um determinado valor indexado ao dólar —mais ou menos um por cento— cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça Troy, e em segundo lugar, a provisão pelo FMI de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento. Em 1971, diante de pressões crescentes na demanda global por ouro, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro.

As origens do sistema Bretton Woods

As bases políticas do sistema Bretton Woods podem ser encontradas na confluência de várias condições principais: as experiências comuns da Grande Depressão, a concentração de poder em um pequeno número de Estados e a presença de uma potência dominante querendo (e capaz de) assumir um papel de liderança.

As experiências da Grande Depressão

Um alto nível de concordância entre os países sobre as metas e meios do gerenciamento econômico internacional facilitou em muito as decisões tomadas pela Conferência de Bretton Woods. A fundação daquele acordo foi uma crença comum noCapitalismo intervencionista. Apesar de os países desenvolvidos diferirem quanto ao tipo de intervenções que preferiam para suas economias nacionais (a França, por exemplo, preferia um maior planejamento e intervenção estatal, enquanto os Estados Unidos eram favoráveis a uma intervenção estatal mais limitada), todos, no entanto, baseavam-se predominantemente em mecanismos de mercado e na noção de propriedade privada.

Assim, foram as semelhanças, mais do que as diferenças, que foram postas em evidência. Todos os governos participantes de Bretton Woods concordavam que o caos monetário do período entre-guerras forneceu valiosas lições.

A experiência da Grande Depressão, quando a proliferação de controles e barreiras de comércio levaram ao desastre econômico, estava fresca na memória dos participantes. Os conferencistas esperavam evitar a repetição da debandada dos anos 30, quando os controles das trocas minaram o sistema internacional de pagamentos, base do comércio mundial. A política de “beggar-thy-neighbor” (“empobrece teu vizinho”) dos governos dos anos 30—usando tarifas alfandegárias a fim de aumentar a competitividade de seus produtos de exportação e, assim, reduzir os déficits da balança de pagamentos—ocasionaram espirais deflacionárias que resultaram na diminuição da produção, desemprego em massa e declínio generalizado do comércio mundial. O comércio nos anos 30 ficou restrito a blocos monetários (grupos de nações que empregavam uma moeda equivalente, como o bloco da “Libra esterlina” do Império Britânico). Esses blocos retardaram o fluxo internacional de capitais e as oportunidades de investimentos estrangeiros. Apesar de esta estratégia tender a aumentar o dinheiro arrecadado pelo governo a curto prazo, ela piorou drasticamente a situação a médio e longo prazo.

Assim, para a economia internacional, todos os planificadores de Bretton Woods favoreceram um sistema relativamente liberal, um sistema que se baseasse primeiramente no mercado, com um mínimo de barreiras ao fluxo de comércio e capital privados. Apesar de não estarem inteiramente de acordo sobre a maneira de pôr em prática esse sistema liberal, todos concordavam com um sistema aberto.

Segurança econômica

Também com base nas experiências do período entre-guerras, os planificadores estadunidenses desenvolveram um conceito de segurança econômica—que um sistema econômico liberal internacional aumentaria as possibilidades de paz no pós-guerra. Um dos que viram tal segurança foi Cordell Hull, o secretário de Estado dos Estados Unidos de 1933 a 1944.[1] Hull acreditava que as causas fundamentais das duas guerras mundiais estavam na discriminação econômica e guerras comerciais. Especificamente, ele tinha em mente acordos bilaterais de controle de comércio e trocas da Alemanha Nazi e o sistema de preferência imperial praticado pelo Reino Unido (pelo qual membros ou antigos membros do Império britânico beneficiavam de um status comercial especial). Hull argumentava que:

Comércio sem obstáculos associado com paz; altas tarifas, barreiras comerciais e competição econômica injusta, com guerra… se conseguíssemos tornar o comércio mais livre… mais livre no sentido de menos discriminações e obstruções… de tal modo que um país não ficaria mortalmente invejoso de outro e os padrões de vida de todos os países pudessem crescer, eliminando com isso a insatisfação econômica que alimenta a guerra, teríamos uma chance razoável de paz durável.[2]

O surgimento do intervencionismo governamental

Os países desenvolvidos também concordaram que o sistema econômico liberal internacional requeria intervencionismo do governo. Após a Grande Depressão, a administração pública da economia emergiu como uma atividade primeira dos governos de Estados desenvolvidos: emprego, estabilidade e crescimento eram então assuntos importantes da política pública. Com isso, o papel do governo na economia nacional ficou associado com a apropriação, pelo Estado, da responsabilidade de garantir a seus cidadãos um certo grau de bem-estar econômico. O welfare state (estado protetor) nasceu da Grande Depressão, que criou uma necessidade popular de intervencionismo estatal na economia, e das contribuições teóricas da escola econômica Keynesiana, que defendia a necessidade de intervenção estatal a fim de manter níveis adequados de emprego.

A nível internacional, essas idéias também surgiram da experiência dos anos 30. A prioridade dos objetivos nacionais, a ação independente nacional no período entre-guerras e o fracasso em perceber que esses objetivos nacionais não poderiam ser atingidos sem uma certa forma de colaboração internacional resultaram em políticas de estilo “empobrece teu vizinho” como alta tarificação e desvalorizações competitivas, que contribuíram para a queda da economia, instabilidade política doméstica e guerra internacional. A lição foi, como explica Harry Dexter White, adepto do New Deal e principal arquiteto do sistema Bretton Woods:

a falta de um alto grau de colaboração econômica entre as nações industrializadas… resultará, inevitavelmente, em guerra econômica que será o prelúdio e instigador de guerra militar em uma escala ainda maior.[3]

Para garantir a estabilidade econômica e a paz política, os Estados concordaram em cooperar para regular o sistema econômico internacional. O pilar da visão estadunidense do mundo pós-guerra era o comércio livre. Liberdade de comércio implicava tarifas baixas e, entre outras coisas, uma balança comercial favorável ao sistema capitalista.

Assim, as economias de mercado mais desenvolvidas aceitaram a visão dos Estados Unidos de gerenciamento econômico internacional do pós-guerra, que foi concebido para criar e manter um sistema monetário internacional efetivo e encorajar a redução de barreiras ao comércio e ao fluxo de capital .

O surgimento da hegemonia dos Estados Unidos da América

O gerenciamento econômico internacional baseava-se na potência dominante para dirigir o sistema. A concentração de poder facilitou o gerenciamento na medida em que reduziu o número de atores cujo acordo era necessário para o estabelecimento de regras, instituições e procedimentos e para levar a cabo o gerenciamento dentro dos sistemas em acordo. Esse líder foi os Estados Unidos da América. Como a potência com a economia e política mais avançadas do mundo, os EUA estavam claramente em uma posição ideal para assumir essa liderança.

Os EUA emergiram da Segunda Guerra Mundial como a mais forte economia do mundo, vivendo um rápido crescimento industrial e uma forte acumulação de capital. Os EUA não haviam sofrido as destruições da Segunda Guerra Mundial, tinham construído uma indústria manufatureira poderosa e enriqueceram vendendo armas e emprestando dinheiro aos outros combatentes; na verdade, a produção industrial dos EUA em 1945 foi mais do que o dobro da produção anual dos anos entre 1935 e 1939. Em comparação, a Europa e o Japão estavam dizimados militar e economicamente.

Quando a Conferência de Bretton Woods aconteceu, as vantagens econômicas dos Estados Unidos eram indiscutíveis e esmagadoras. Os EUA tinham a maioria dos investimentos mundiais, da produção manufaturada e das exportações. Em 1945, os EUA produziam a metade de todo o carvão mundial, dois-terços do petróleo e mais do que a metade da eletricidade. Os EUA eram capazes de produzir imensas quantidades de naviosaviõesautomóveisarmamentosmáquinas, produtos químicos, etc. Reforçando a vantagem inicial—e assegurando a liderança dos EUA no mundo capitalista—os EUA detinham 80% das reservas mundiais de ouro e tinham não somente poderosas Forças Armadas, mas também a bomba atômica.

Na condição de maior potência mundial e uma das poucas nações não afetadas pela guerra, os EUA estavam em posição de ganhar mais do que qualquer outro país com a liberação do comércio mundial. Os EUA teriam com isso um mercado mundial para suas exportações, e teriam acesso irrestrito a matérias-primas vitais.

Os EUA não eram somente capazes de, mas também queriam, assumir essa liderança. Apesar de os EUA terem mais ouro, mais capacidade produtora e mais poder militar do que todo o resto do mundo junto, o capitalismo dos EUA não poderia sobreviver sem mercados e aliados. William Clayton, o Secretário de Estado assistente para Assuntos Econômicos, foi uma das várias personalidades influentes na política estado-unidense que colocaram em evidência esse ponto: “Precisamos de mercados—grandes mercados—por todo o mundo, onde poderemos comprar e vender.”

Houve várias previsões de que a paz traria de volta a depressão e o desemprego devido ao término da produção bélica e ao retorno dos soldados ao mercado de trabalho. Entre as dificuldades econômicas estava um aumento abrupto da inquietude trabalhista. Determinado a evitar uma catástrofe econômica equivalente à da década de 1930, o presidente Franklin D. Roosevelt viu a criação de uma ordem pós-guerra como uma maneira de garantir a prosperidade dos EUA.

A carta do Atlântico

Durante a guerra, os Estados Unidos da América imaginaram uma ordem econômica mundial pós-guerra na qual os EUA pudessem penetrar em mercados que estivessem previamente fechados a outros blocos, bem como abrir novas oportunidades a investimentos estrangeiros para as empresas estado-unidenses, removendo restrições de fluxo de capital internacional.

Carta do Atlântico, esboçada em agosto de 1941 durante o encontro do presidente Roosevelt com o primeiro-ministro britânico Winston Churchill em um navio no Atlântico norte, foi o mais notável precursor à Conferência de Bretton Woods. Assim comoWoodrow Wilson antes dele, cujos “Quatorze pontos” (Fourteen Points) delinearam os objetivos dos Estados Unidos para o pós-guerra da Primeira Guerra Mundial, Roosevelt lançou uma série de objetivos ambiciosos para o mundo pós-guerra antes mesmo de os EUA entrarem na Segunda Guerra Mundial. A carta do Atlântico afirmou o direito de todas as nações a igual acesso ao comércio e à matéria-prima. Além disso, a carta apelou pela liberdade dos mares (um objetivo principal da política estrangeira estado-unidense desde que a França e o Reino Unido ameaçaram navios estado-unidenses nos anos 1790), o desarmamento dos agressores e o “estabelecimento de um amplo e permanente sistema de segurança geral.”

Quando a guerra aproximava-se do fim, a Conferência de Bretton Woods foi o ápice de dois anos e meio de planejamento da reconstrução pós-guerra pelos Tesouros dos EUA e Reino Unido. Representantes estado-unidenses estudaram com os colegas britânicos a reconstituição do que tinha estado faltando entre as duas guerras mundiais: um sistema internacional de pagamentos que permitisse que o comércio fosse efetuado sem o medo de desvalorizações monetárias repentinas ou flutuações selvagens das taxas de câmbio — problemas que praticamente paralisaram o capitalismo mundial durante a Grande Depressão.

Na ausência de um mercado europeu forte para os bens e serviços estado-unidenses, pensava a maior parte dos políticos, a economia dos EUA seria incapaz de sustentar a prosperidade que ela alcançara durante a guerra. Além disso, os sindicatos de trabalhadores tinham aceitado a contragosto as restrições impostas pelo governo aos seus pedidos durante a guerra, e eles não queriam esperar mais tempo por mudanças, principalmente depois que a inflação afetara as escalas de salários de maneira violenta (no final de 1945, já havia acontecido greves importantes nas indústrias de automóvel, eletricidade e aço).

Financiador e conselheiro autoindicado de presidentes e congressistas, Bernard Baruch resumiu o espírito de Bretton Wood no início de 1945: se pudermos “eliminar o subsídio ao trabalho e à competição acirrada nos mercados exportadores,” bem como prevenir a reconstrução de máquinas de guerra, “oh boy, oh boy, que prosperidade a longo termo nós teremos.”[4] Assim, os Estados Unidos vão usar sua posição predominante para restaurar uma economia mundial aberta, unificada sob controle dos EUA, que deu aos EUA acesso ilimitado a mercados e matéria-prima.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about ““, posted with vodpod

 

By Jason Simpkins
Managing Editor 
Money Morning

Emerging markets, led by China and Russia, plan to jointly challenge the U.S. dollar’s role as the world’s sole benchmark currency at the April 2 meeting of the Group 20 nations – a move that underscores the currency’s weakness and fading support around the world.

The creation of a new reserve currency to be issued by international financial institutions was one of the measures Russia proposed to the G20 on March 16, ahead of the group’s summit next week.

Russian authorities previously met with financial ministers and central bankers from China, Brazil and India on March 13. The group issued its first-ever joint communiqué ahead of the G20 finance ministers last Saturday, March 14.  The joint statement did not mention a new currency like Russia proposed, but an unidentified source told Reutersthat the issue was discussed.

Chinese policymakers confirmed as much today (Monday) when Zhou Xiaochuan, Governor of the People’s Bank of China, released an essay entitled “Reform of the International Monetary System” on the BOC’s Web site.

Without explicitly mentioning to the U.S. dollar, Zhou asked what kind of international reserve currency does the world needs to secure global financial stability and facilitate economic growth.

According to Zhou, the dollar’s unique status as the world’s primary currency reserve has resulted in increasingly frequent financial crises ever since the collapse of the Bretton Woods system in 1971.

“The price is becoming increasingly higher, not only for the users, but also for the issuers of the reserve currencies,” Zhou said. “Although crisis may not necessarily be an intended result of the issuing authorities, it is an inevitable outcome of the institutional flaws.”

Zhou called for the “re-establishment of a new and widely accepted reserve currency with a stable valuation” to replace the U.S. dollar – a credit-based national currency. The central bank governor noted that the International Monetary Fund’s Special Drawing Right (SDR) should be given special consideration. 

Created by the IMF in 1969 to support the Bretton Woods fixed exchange rate system, the SDR was redefined in 1973 as a basket of currencies. Today the SDR consists of the euro, Japanese yen, pound sterling, and U.S. dollar.

“The SDR has the features and potential to act as a super-sovereign reserve currency,” said Zhou. “Moreover, an increase in SDR allocation would help the Fund address its resources problem and the difficulties in the voice and representation reform. Therefore, efforts should be made to push forward a SDR allocation.”

Zhou proposed the following actions to move the SDR in a direction that could better accommodate demand for a more stable reserve currency:

  • Set up a settlement system between the SDR and other currencies. Therefore, the SDR, which is now only used between governments and international institutions, could become a widely accepted means of payment in international trade and financial transactions.
  • Actively promote the use of the SDR in international trade, commodities pricing, investment and corporate bookkeeping. This will help enhance the role of the SDR, and will effectively reduce the fluctuation of prices of assets denominated in national currencies and related risks.
  • Create financial assets denominated in the SDR to increase its appeal. The introduction of SDR-denominated securities, which is being studied by the IMF, will be a good start.
  • Further improve the valuation and allocation of the SDR. The basket of currencies forming the basis for SDR valuation should be expanded to include currencies of all major economies, and the GDP may also be included as a weight. The allocation of the SDR can be shifted from a purely calculation-based system to one backed by real assets, such as a reserve pool, to further boost market confidence in its value.

  
Many analysts view the campaign by emerging markets for a new reserve currency as an attempt by to gain more control in the IMF, which has traditionally been dominated by richer countries. But the new currency campaign is also further evidence that Beijing is becoming less and less comfortable with its large holdings of U.S. assets, namely Treasuries. 

Concerns about the dollar losing value have escalated in recent weeks as the U.S. Federal Reserve pursues a policy of quantitative easing in an effort of taming the financial crisis.

We have lent a huge amount of money to the United States,” Chinese Premier Wen Jiabao said earlier this month. “Of course, we are concerned about the safety of our assets. To be honest, I am definitely a little bit worried. I request the U.S. to maintain its good credit, to honor its promises and to guarantee the safety of China’s assets.”

China is the world leader with $2 trillion in foreign currency holdings. About half of that is held in U.S. Treasuries and notes issued by other government-affiliated agencies, such as Fannie Mae (FNM) and Freddie Mac (FRE).

Half of Russia’s currency reserves – the world’s third-largest stockpile – consist of U.S. dollars, as well.

News and Related Story Links: