Economia do prazer

Publicado: março 29, 2009 por Yogi em Capital, Tudo
Eduardo Giannetti mostra que o padrão americano de 
riqueza não garante felicidade e recomenda investimento 
nas relações pessoais

Luiza Villaméa

  Alan Rodrigues
  Giannetti: “O excesso de 
consumo pode destruir as 
bases biológicas da vida”

Respeitado pelas análises ponderadas que costuma fazer, o economista Eduardo Giannetti é consultado sempre que o debate gira em torno dos humores do mercado e dos rumos financeiros do País. Aos 45 anos, Giannetti, um mineiro radicado em São Paulo desde a infância, acaba de reforçar sua fama como professor de história do pensamento econômico. Em sintonia com a tradição cultuada pelos grandes economistas do século XVIII, que voltavam seus estudos para o bem-estar da humanidade, ele sintetizou no livro Felicidade, recém-lançado pela Companhia das Letras, estudos que vem realizando sobre o tema há quase duas décadas. “Continuar aumentando
os padrões de consumo não vai tornar as pessoas mais felizes”, 
garante Giannetti. “A partir de um certo índice não há nenhuma 
evidência empírica de que acréscimos de renda tragam ganhos de
bem-estar subjetivo.” A seguir, os principais trechos da entrevista concedida em sua agradável casa, antes de partir para o lançamento
de Felicidade, em sua terra natal, Belo Horizonte.

ISTOÉ – Por que um economista decide estudar a felicidade?
Eduardo Giannetti –
 O que me surpreende é exatamente o contrário. Como é que os economistas, de uns tempos para cá, passaram a considerar tão pouco a questão do bem-estar. A preocupação dos grandes economistas em qualquer tempo sempre foi facilitar a busca
da realização e do potencial humano.

ISTOÉ – Seu livro mostra que, no século XVII, os filósofos iluministas acreditavam que o progresso levaria à felicidade. 
Na prática, isso não ocorreu. Por quê?
Giannetti –
 O projeto iluminista de que o progresso e a razão 
resolveriam o problema humano de realização fracassou. Continuar aumentando a renda e os padrões de consumo não vai tornar as
pessoas mais felizes com a vida que têm. Assim como na corrida armamentista, os países investem cada vez mais em armas e se 
sentem ainda mais inseguros. No consumo ocorre algo parecido. 
Os países altamente desenvolvidos se esforçam para ter um padrão
de consumo maior e se sentem cada vez mais carentes.

ISTOÉ – O projeto iluminista tem outros limites?
Giannetti –
 Sim. O limite ecológico. Se o padrão de consumo
do sonho americano se generalizar, se cada chinês passar a ter
dois automóveis na garagem, o meio ambiente e a biosfera não vão aguentar o desaforo. As bases biológicas da vida serão destruídas.

ISTOÉ – O que fazer para atingir o bem-estar?
Giannetti –
 Precisamos encontrar outros caminhos. Uma realização
que seja menos calcada no econômico e mais na ética, na espiritualidade, nas relações pessoais, na alegria de viver. Um caminho que seja menos oneroso do ponto de vista econômico-ambiental, 
que seja mais sustentável do ponto de vista ecológico.

ISTOÉ – Então a economia tem um papel secundário
na busca da felicidade?
Giannetti –
 A economia é fundamental até certo ponto. A partir
de um certo índice não há nenhuma evidência empírica de que acréscimos de renda tragam ganhos de bem-estar subjetivo.

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