ONU e as Drogas

Publicado: março 14, 2009 por brunopm em Culture, Politics
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É impressionante, mas não surpreendente, que a ONU mantenha uma política irracional, conservadora e fracassada, como é a atual política antidrogas.

É impressionante porque mesmo passados mais de 30 anos, a ONU insiste em manter uma política de cartas marcadas e reacionária como esta que somos obrigados a engolir. De lá pra cá a violência só aumentou, e tudo isso para que alguns poucos particulares lucrem muito com esse combate a algo abstrato, como é o combate ás drogas. Por acaso estamos combatendo umas poucas espécies de plantas? Como o homem conseguiu chegar ao absurdo de entrar em guerra contra plantas? É óbvio que não se combate as drogas (o que se quer solucionar, o que se deveria querer solucionar, é o uso abusivo de drogas) e é obvio que a forte palavra guerra é usada propositalmente para alavancar bilhões de dólares (pois para vencer uma guerra, qualquer dinheiro é pouco).

A não-surpresa fica justamente por conta desses bilhões de dólares envolvidos. Adotar uma política mais racional, menos intencionalmente moralista, seria abrir mão de uma economia que cresce junto com o crescimento do tráfico e de toda violência gerada pelo combate entre traficantes e Estado.

Alguém já parou para pensar que morrem muito mais pessoas por causa do “combate às drogas” do que pelo efeito delas no corpo humano? Será se não houvesse essa política de repressão, mais pessoas morreriam por overdose ou ficariam doentes pelos efeitos das drogas do que essas que hoje morrem assassinadas por causa desta guerra entre polícia e traficantes?

Não precisa de estatística para perceber que hoje em dia os hospitais estão muito mais cheios de trabalho por causa da repressão do que por causa dos efeitos das drogas no corpo humano.

Bom, que fique registrado o meu veemente protesto contra essa insanidade!
Por fim, para deixar uma mensagem otimista, vale ressaltar que houve protestos enérgicos de vários membros da ONU, mas infelismente a ganância anida domina a organização.

2/03/2009 – 22h57
ONU renova política antidrogas sob críticas de “utopia” e “conservadorismo”

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Os países da ONU redigiram nesta quinta-feira uma Declaração Política sobre drogas considerada conservadora por alguns setores e que foi contestada até o fim por 26 Estados, que, sem sucesso, tentaram incluir no texto o conceito de “redução de danos”. Basicamente, eles estenderam a anterior de dez anos, fixada em 1998, apesar das críticas de que a as políticas adotadas desde então permitiram o florescimento dos cartéis de drogas e ajudaram a espalhar o vírus da aids.
O documento fixa como meta “minimizar e, eventualmente, eliminar a disponibilidade e o uso de drogas ilícitas” até 2019, objetivo que ONGs e especialistas consideram uma “utopia”.

Em sua estratégia de 1998, a ONU tentou livrar o mundo das drogas com “a eliminação ou uma redução significativa do cultivo ilícito de coca, cannabis e ópio” até 2008.

Essa meta não só não foi alcançada como a produção dessas substâncias ilícitas aumentou, segundo dados da própria organização

Além disso, a Comissão Europeia (CE, órgão executivo da UE), em um relatório publicado esta semana, disse que as drogas ilícitas ficaram de 10% a 30% mais baratas, o que indica que elas se tornaram mais acessíveis.

Apesar das diferenças em torno da nova estratégia, todos os países reconheceram a complexidade de um problema que abrange aspectos judiciais, sociais, econômicos, ambientais, criminais e de saúde, com toda a violência que está associada a ele.

Por isso, várias delegações declararam que a declaração trata do básico, é não vinculativa e inclui visões de países com interesses diametralmente opostos, o que se reflete num texto que as ONGs classificaram como “aguado” e “longe da realidade”.

“Ficou claro que a guerra contra as drogas fracassou”, disse à Agência Efe Franco Sánchez, vice-ministro de Justiça do Equador, para quem a Declaração Política assinada representa um avanço porque deixa de lado as políticas meramente repressoras.

“Após dez anos, nos demos conta de que essa política fracassou. É preciso pensar outras políticas porque vamos nos ver dentro de dez anos e não sabemos onde estaremos”, disse.

A aprovação do texto foi polêmica dada a insistência de 26 países – europeus, em sua maioria – de incluir um anexo sobre as políticas de “redução de danos”, promovidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que defendem medidas de prevenção e tratamento como a distribuição de seringas para viciados.

O documento levado para ser aprovado substituiu essa referência pelo conceito mais ambíguo de “serviços de apoio”, mas as delegações de Rússia, Colômbia, Cuba e Estados Unidos deixaram claro que não aceitariam essa inclusão. Esses países argumentaram que as medidas de redução de danos legitimas o consumo de droga e prejudicam a aplicação da lei e da moral pública.

Os países chegaram ao consenso de que a luta contra as drogas deve ser conduzida “em plena conformidade com os princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas, da lei internacional e da Declaração Universal de Direitos Humanos”.

Este passo foi apontado por algumas organizações como um dos avanços da Declaração Política, já que indica que o respeito aos direitos humanos deve de prevalecer na luta contra o narcotráfico.

“A declaração é um desastre. É muito pior do que imaginávamos. É um desastre para os direitos humanos”, disse, por sua vez, Rebecca Schleifer, da ONG Human Rights Watch (HRW).

Para a especialista, a não incluir o termo “redução de danos”, os Estados falharam em fazer menção ao melhor tratamento cientificamente comprovado para o vício em drogas, algo que violaria o direito à melhor assistência sanitária possível.

Além disso, a exclusão do termo faz com que “os países que não aplicam esta política se sintam reafirmados e os que dependem da ajuda internacional fiquem muito nervosos”, já que não sabem se, caso adotem esta política, serão penalizados, destacou Schleifer.

comentários
  1. Estivemos à procura de informações para fazermos um trabalho escolar para o ensino médio a cerca das medidas de prevenção às drogas e combate às mesmas. Sendo assim, estaremos dispostos a receber informações sobre a temática que aflinge mais de 23 mil pessoas na cidade de Boquim/SE, direta ou indiretamente, por conta de viciados em crack, que recebe a alcunha de Zidane.

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