Arquivo de março 10, 2009

Abaixo trecho muitíssimo interessante de um texto sobre a complexidade do debate em torno da  “indústria das drogas”.  Os autores são do Instituto Giovanni Falcone. Vai de Kuomintang, comunismo, CIA à Bush e FHC. Vale o clique.  Além disso o site é rico em conteúdo de boa qualidade. 

 

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Por IBGF/WFM – “Bodes Expiatórios – usuários como culpados”

“Não são novos a cumplicidade e o incentivo da CIA aos traficantes de drogas e de armas de fogo. Nos anos 40 e 50, a CIA apoiou o chamado Exército Nacionalista Chinês (Kuomintang), que combateu ferozmente os maoístas. Os recursos do Kuomintang provinham de “taxas” cobradas pela produção e pelo tráfico do ópio. Portanto, procedimento igual ao empregado, na Colômbia, pelas guerrilhas e pelos paramilitares.

Nos anos 60, a CIA apoiou, no Laos, a guerrilha anticomunista conduzida pelo Patet Lao e as ações eram financiadas pelo comércio ilegal do ópio. A mesma CIA, nos anos 80, consentiu a venda de crack nos guetos pobres de Los Angeles e os temporários traficantes nicaragüenses repassavam os lucros às milícias anti-sandinistas. Esse episódio, denunciado no Congresso americano, foi apurado pela própria CIA e arquivado sem satisfações.

No Peru, Vladimiro Montesinos, ministro e agente da CIA, sustentou a ditadura Fujimori, apesar de ser apontado como traficante internacional de drogas. E Montesinos só se complicou quando vendeu armas para a guerrilha colombiana e acabou descoberto pela própria CIA.

O militarizado Plano Colômbia, rebatizado por Bush de Iniciativa Regional Andina, tem um rico budget destinado à erradicação química da folha de coca, matéria-prima para o preparo do cloridrato de cocaína e fonte de sustentação das guerrilhas colombianas de esquerda. Na invasiva política de drogas dos EUA, o tratamento dado atualmente ao Afeganistão, maior produtor de ópio, difere substancialmente do conferido à Colômbia, maior produtora de cocaína. Nos anos 80, o então presidente americano Ronald Reagan tornou-se famoso ao declarar “Guerra contra as Drogas Internacionais”. Para justificá-la, culpou os países que permitiam a oferta e prometeu, manu militare, erradicar as áreas de cultivo e combater os traficantes, sem fronteiras. Na verdade, Reagan usou a droga como fonte geradora de capitais para contrastar o “perigo comunista”. E também como pretexto para controlar territórios e violar soberanias.

Diante de tantas ambigüidades, não se deve estranhar o fato de os norte-americanos continuarem a ser os maiores consumidores de drogas do planeta. Pior é que essa oportunista política de culpas, militarizada e criminalizante, acabou sendo imposta, em 1961, aos Estados membros da ONU, por meio da ainda vigorante Convenção Única sobre Entorpecentes.”