‘Resolver problema de dependência das drogas só com polícia é visão distorcida’, diz Minc

Publicado: fevereiro 5, 2009 por Yogi em Culture, Juris, Politics, Psy, Tudo

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

A partir da sugestão de quatro ministros, o governo pode mudar a política em relação aos usuários de drogas. Carlos Minc (Meio Ambiente), Tarso Genro (Justiça), José Gomes Temporão (Saúde) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) terão uma reunião na próxima semana para discutir possíveis mudanças que transformem as drogas em uma questão de saúde pública, não de polícia. 

“Esses quatro ministros, Paulo Vannuchi, Temporão, Tarso Genro e eu, nós temos uma concepção de que o consumo de drogas é mais uma questão de saúde pública do que assunto de polícia”, diz Minc. “Hoje em dia você tem pouca informação, prevenção, poucos programas para pessoas que são realmente dependentes. Há uma visão de que você vai resolver um problema de dependência única e exclusivamente por meio da polícia. Essa é uma visão distorcida”.

Na opinião do ministro, muito do efetivo policial que atua no combate às drogas poderia trabalhar no combate a outros tipos de crime, ajudando a população. “O tipo de enfrentamento baseado na questão policial não tem resultados, gastam-se fortunas, os Estados Unidos gastam mais de 100 bi de dólares e cada vez tem mais usuários e traficantes. A nossa interpretação é que se resolver com apenas repressão não gera efeitos”, defende.

Sugestões
O ministro do Meio Ambiente afirmou que, da reunião da próxima semana, podem surgir propostas de mudança na legislação ou de campanhas de conscientização. “Esses ministros podem sugerir ou não propostas de mudanças em alguma lei para tapar brechas à extorsão, ampliando a questão da saúde e da prevenção. Podem sugerir decretos que normatizem como exercer a lei. E uma terceira questão que pode surgir são campanhas, medidas administrativas que inibam extorsão e chantagem. O eixo disso será a saúde comum”, explicou.

Carlos Minc se antecipou às possíveis críticas que os ministros podem receber. “Isso não tem nada que ver com ‘liberou geral’, ‘droga é ótimo e faz bem’. Ninguém em sã consciência vai dizer que droga é uma coisa boa. Não é disso que se trata, mas sim como se enfrentar esse problema de forma eficiente”.

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