Arquivo de fevereiro 5, 2009

Mais ou menos um dia em Barcelona

Publicado: fevereiro 5, 2009 por E=m.c² em Non Sense

– Sofro de depressão pós-gozo – assim começou minha conversa com Serguey, grande culinário holândes que me ajuda na cozinha por aqui.

Figura esquisita, com um porte de 1,90m, divididos em 60 kg, viveu por três anos nas ruas de Barcelona, ex-viciado em heroína dropa doses de metadona diárias para aturar a pressão do dia-dia.

Autor de estórias de difícil crença diverte-nos com o jeito infantil de encarar situações adultas.

Nos intervalos de cigarro falamos um pouco de tudo e muito de cozinha. O fera esteve cozinhando em Sarayevo durante a guerra junto ao grupo de apoio internacional.

Nesse dia estava inspirado e soltava uma atrás da outra até lançar esta no ar, se sentia só num clima insólito e confuso, está casado há 6 anos, sua atual esposa argentina o satisfaz em todos os sentidos, tem três filhos e ainda sim explodia nessa depressão após o sexo vespertino.

Por aqui os turnos são partidos, do tipo de 12h as 16h depois de 20h as 24h, na parte da tarde peço aos cozinheiros que fodam, pois ao voltar terão suas vidas fudidas com o serviço, os que podem fodem os que não podem se fodem.

O restaurante fica em Ramblas – área central de turismo de Barcelona e toda noite temos um serviço cheio, o lado bom é que a mesmice nunca invade nossas vidas.

Após esse desabafo Serguey parecia um pouco em desatino, mas como somos todos iguais de um a um fomos chegando perto dele dizendo que aquilo era normal, o Santi – meu sous-chef chegou a dizer que por vezes tem vontade de bater na mulher depois do coito, o clima foi se tranqüilizando e tudo voltou ao normal, cozinhando e cantando.

Mais um dia ou menos um dia? Nunca sei exatamente o que pensar, sigo a rota da vida, observando o cotidiano e não me sentindo o único louco solto nesse mundo normal.

Bjs e brcs.

P.Bala.

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

A partir da sugestão de quatro ministros, o governo pode mudar a política em relação aos usuários de drogas. Carlos Minc (Meio Ambiente), Tarso Genro (Justiça), José Gomes Temporão (Saúde) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) terão uma reunião na próxima semana para discutir possíveis mudanças que transformem as drogas em uma questão de saúde pública, não de polícia. 

“Esses quatro ministros, Paulo Vannuchi, Temporão, Tarso Genro e eu, nós temos uma concepção de que o consumo de drogas é mais uma questão de saúde pública do que assunto de polícia”, diz Minc. “Hoje em dia você tem pouca informação, prevenção, poucos programas para pessoas que são realmente dependentes. Há uma visão de que você vai resolver um problema de dependência única e exclusivamente por meio da polícia. Essa é uma visão distorcida”.

Na opinião do ministro, muito do efetivo policial que atua no combate às drogas poderia trabalhar no combate a outros tipos de crime, ajudando a população. “O tipo de enfrentamento baseado na questão policial não tem resultados, gastam-se fortunas, os Estados Unidos gastam mais de 100 bi de dólares e cada vez tem mais usuários e traficantes. A nossa interpretação é que se resolver com apenas repressão não gera efeitos”, defende.

Sugestões
O ministro do Meio Ambiente afirmou que, da reunião da próxima semana, podem surgir propostas de mudança na legislação ou de campanhas de conscientização. “Esses ministros podem sugerir ou não propostas de mudanças em alguma lei para tapar brechas à extorsão, ampliando a questão da saúde e da prevenção. Podem sugerir decretos que normatizem como exercer a lei. E uma terceira questão que pode surgir são campanhas, medidas administrativas que inibam extorsão e chantagem. O eixo disso será a saúde comum”, explicou.

Carlos Minc se antecipou às possíveis críticas que os ministros podem receber. “Isso não tem nada que ver com ‘liberou geral’, ‘droga é ótimo e faz bem’. Ninguém em sã consciência vai dizer que droga é uma coisa boa. Não é disso que se trata, mas sim como se enfrentar esse problema de forma eficiente”.