Arquivo de fevereiro, 2009

Diante da solicitação do Guto, selecionei alguns links sobre popper. Outro dia já tinha procurado, mas não achei um video bacana (apenas em alemão, que eu não falo!), porém, tem uns links de uma entrevista de Popper para a BBC e alguns tópicos.

Audiohis vision of a creative universe and discussion of natural selection  3 min 2

AudioDarwin’s dismissal of the theory of people as automata  4 min 14

Audiohis belief in the existence of mind as an important event which illuminates the universe from inside  2 min 7

Audiothe emergence of consciousness and mind through natural selection  3 min 59

Link para um paper humanista “Three Worlds” de Popper. 

Link para um resumo da vida e do pensamento de Popper na Stanford Encyclopedia of Philosophy.

Gosto muito do pensamento “aberto” do Popper. Sua maior qualidade é o pluralismo e o valor intrínseco do ser humano. A valorização da consciência de cada um como a chave para a evolução. Uso Popper para falar de democracia, a democracia da sociedade aberta dos intérpretes, em especial para alertar quem são os “inimigos” dessa sociedade aberta e pluralista.

Outra coisa muito interessante em Popper é seu pensamento sobre Darwin (que está na moda). Abaixo, o resumo do debate pela wikipedia. 

Issue of Darwinism 

From Wikipedia, the free encyclopedia

Karl Popper famously stated “Darwinism is not a testable scientific theory, but a metaphysical research program.” In the same paper, he continued “And yet, the theory is invaluable. I do not see how, without it, our knowledge could have grown as it has done since Darwin. In trying to explain experiments with bacteria which become adapted to, say, penicillin, it is quite clear that we are greatly helped by the theory of natural selection. Although it is metaphysical, it sheds much light upon very concrete and very practical researches. It allows us to study adaptation to a new environment (such as a penicillin-infested environment) in a rational way: it suggests the existence of a mechanism of adaptation, and it allows us even to study in detail the mechanism at work.” He also noted that theism presented as explaining adaptation “was worse than an open admission of failure, for it created the impression that an ultimate explanation had been reached”[12]

He later said “When speaking here of Darwinism, I shall speak always of today’s theory – that is Darwin’s own theory of natural selection supported by the Mendelian theory of heredity, by the theory of the mutation and recombination of genes in a gene pool, and by the decoded genetic code. This is an immensely impressive and powerful theory. The claim that it completely explains evolution is of course a bold claim, and very far from being established. All scientific theories are conjectures, even those that have successfully passed many severe and varied tests. The Mendelian underpinning of modern Darwinism has been well tested, and so has the theory of evolution which says that all terrestrial life has evolved from a few primitive unicellular organisms, possibly even from one single organism. “[12]

He explained that the difficulty of testing had led some people to describe natural selection as a tautology, and that he too had in the past described the theory as ‘almost tautological’, and had tried to explain how the theory could be untestable (as is a tautology) and yet of great scientific interest. His “solution was that the doctrine of natural selection is a most successful metaphysical research programme. It raises detailed problems in many fields, and it tells us what we would expect of an acceptable solution of these problems. I still believe that natural selection works in this way as a research programme. Nevertheless, I have changed my mind about the testability and logical status of the theory of natural selection; and I am glad to have an opportunity to make a recantation.”[12]

Outra coisa interessante, é a questão da filosofia da ciência para o campo dos estudos humanos e sociais. Também aí a wikipedia traz um resumo ímpar.

Diferenças entre Popper e Francis Bacon 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Comparando o método científico de Karl Popper com a visão baconiana da ciência, Ernest Gellner afirma em “Relativism and the social sciences” (“Relativismo e as ciências sociais”):

“a definição do método científico de Popper difere da versão baconiana de empirismo por sua ênfase na eliminação em vez da ênfase na verificação. No entanto eles têm em comum um determinado ponto: quer nós verifiquêmos ou refutemos, de qualquer forma fazêmo-lo com a ajuda de duas ferramentas e apenas duas: a lógica e a confrontação com os factos. As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os factos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se os factos condenam os pecadores ou canonizam os santos. Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados”.

 

Outra coisa boa de Popper, é que ele percebeu a verdade sobre a crise. A crise do homem capitalista moderno é uma constante. É uma crise de consciência, que resulta do nilismo verificado por Nietzche e “falsificado” por Popper, que é um devoto da consciência humana, na sua pureza e potencial para a criatividade absoluta, tal como Nietzche. A crise é mais que um estado temporário, mas uma verdade permanente no homem do século XX. Esse é o grande valor do racionalismo crítico – a verdade pode ser mutante, estar e ser crise, ser vazia, mas existe e é encontrável por meio da razão crítica, dessa razão que descobre e testa, que descobre e verifica e que cobre, descobre, desdescobre e redescobre”. 

Outro grande barato de Popper é que a razão crítica não é kantiana e isso significa não metafísica – a razão crítica é uma qualidade humana – não uma virtude ou algo “fora” do homem – mas um valor em si do próprio ser vivo homem, tal e qual a consciência. 

Continuando a ler Popper na web, achei um post muito interessante que vai “causar”. Veja um quote, mas vale clicar e ler, é um texto pequeno… Discutir assuntos polêmicos a partir de certos autores relevantes é muito instigante. 

“Hoje, perante a natureza totalitária e civilizacional da ameaça islâmica, está mais do que nunca na ordem do dia, a dúvida que Popper tantas vezes se colocou, isto é, até que ponto deve ser aberta uma sociedade que quer continuar a sê-lo?” de O-Lidador.

Dois bronzes chineses reclamados pela China foram vendidos por um total de 28 milhões de euros (R$ 66,8 milhões) nesta quarta-feira durante leilões da coleção Yves Saint Laurent-Pierre Bergé em Paris.

Tratam-se das cabeças de rato e coelho em bronze da coleção de arte de Yves Saint Laurent (1936-2008), símbolo de humilhação na China porque recordam um dos piores episódios da invasão do país por tropas da França e Reino Unido, potências coloniais em 1860.

As peças em bronze, que procedem da fonte zodiacal do Palácio de Verão do imperador Quianlong (1735-1795), noroeste de Pequim, saqueado em 1860 por soldados franceses e britânicos, dão um toque político ao leilão parisiense.

O governo da China tentou impedir a venda das duas peças, mas a justiça francesa rejeitou o pedido apresentado por advogados chineses.

“O saque do Palácio de Verão [Yuanmingyuan] por franceses e britânicos permanece na memória dos chineses como um crime imperdoável. Para os franceses, seria como se os prussianos em 1870 tivessem arrasado Versalhes, saqueado o Louvre e incendiado a Biblioteca Nacional”, disse Bernard Brizay, autor de um livro sobre esse episódio.

Durante a segunda guerra do ópio, em outubro de 1860, as tropas francesas e britânicas invadiram Pequim, depois da negativa da corte imperial de autorizar a abertura de embaixadas como estabelecia o tratado de Tianjin, assinado dois anos antes.

Os soldados saquearam o antigo Palácio de Verão e depois o incendiaram em represália pela morte e tortura de reféns ingleses e franceses.

Este palácio era uma maravilha de estilo ocidental, construído com a ajuda dos jesuítas, na zona nordeste da capital chinesa, onde os imperadores se refugiavam do calor de verão insuportável da Cidade Proibida.

Na véspera, a China denunciou o que considera uma chantagem política por parte de Pierre Bergé, o companheiro de Saint Laurent, que disse estar disposto a entregar os dois bronzes chineses de sua coleção em troda dos direitos humanos e do retorno do Dalai Lama ao Tibete, informa a imprensa.

“Exercer uma chantagem política é prosseguir de fato com a política baseada na força, algo que a História rejeitará”, declarou Jiang Kun, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e vice-presidente da Associação Chinesa de Artes Folclóricos.

Wang Qiutong, presidente de uma associação cultural de Hong Kong, declarou à imprensa: “Há 150 anos, incêndio e saque; 150 anos depois, chantagem. O comportamento de Pierre Bergé é pura e simplesmente uma lógica de gangster”.

Duke Ellington

Publicado: fevereiro 24, 2009 por Yogi em Arts, Capital, Culture, International, Media, Music, Tudo

Primeiro negro grafado numa moeda americana.

E pluribus unum, Latin for “Out of Many, One,” (dupla conotação?)

District of Columbia The District of Columbia quarter is the first of 2009 and the first in the District of Columbia and U.S. Territories Quarters Program. The District of Columbia, created in 1790, became the Nation’s capital on December 1, 1800. The 10-square-mile site, originally part of Maryland and Virginia, was chosen personally by President George Washington to fulfill the need for a new Federal district that would not be part of any state. The District of Columbia quarter reverse features native son Duke Ellington, the internationally renowned composer and musician, seated at a grand piano with the inscriptions, DISTRICT OF COLUMBIA, DUKE ELLINGTON and JUSTICE FOR ALL, the District’s motto. Edward Kennedy “Duke” Ellington was born into a middle-class family in Washington, D.C., in 1899, and started piano lessons at the age of seven. He lived in Washington until 1923, when he moved to New York City. He began performing professionally at the age of 17, and once he arrived in New York, started playing in Broadway nightclubs and eventually led his own band. Ellington made hundreds of recordings — some with John Coltrane, Billy Strayhorn, Louis Armstrong and Ella Fitzgerald – making him famous worldwide. Throughout his 50-year career, he returned often to Washington to perform, frequently staying at the Whitelaw Hotel located in his boyhood neighborhood in Washington. Throughout his life, he received numerous awards and honors, including multiple Grammy® awards and the Presidential Medal of Freedom in 1969 in honor of his ability to carry the message of freedom to all the Nations of the world through his gift of music and understanding. The District of Columbia Quarter Design Advisory Committee, established by Mayor Adrian M. Fenty, solicited and reviewed reverse design concepts from the public, narrowing more than 300 down to three, which were sent to the United States Mint for final artistic renderings. The three concepts each included an individual from a different century: Duke Ellington; Benjamin Banneker, who assisted with the original D.C. boundary survey; and Frederick Douglass, the renowned abolitionist and statesman. The artistic renderings were then proposed to the District, and the Duke Ellington design was recommended through a public vote, with the Secretary of the Treasury approving the design on July 31, 2008.

A “clicocracia” está aí para ficar na política
ou como Obama usou a internet e ganhou

O site e.politics fez um favor para políticos de todo o planeta. Reuniu num único endereço as melhores explicações da estratégia do democrata Barack Obama para vencer a eleição com a ajuda da internet de um jeito que nunca ninguém havia visto.

Os números são impressionantes:

13 milhões de pessoas cadastradas na lista de e-mail;
3 milhões de doadores fizeram 6,5 milhões de doações pela internet;
Das 6,5 milhões de doações, 6 milhões foram em valores até US$ 100;
Meio bilhão de dólares arrecadados online em 21 meses;
5 milhões de “amigos” nos sites de relacionamento social;
2 milhões de perfis no site oficial MyBarackObama.com;
3 milhões de doadores individuais;
70 mil pessoas criaram suas próprias campanhas de arrecadação de fundos para Obama
.

Um dos textos citados pelo e.politics é do Washington Post, que tem dezenas de informações fascinantes sobre como a internet acaba de criar uma nova forma de política, a “clicocracia” (uma brincadeira com o “clique” que todos produzimos no mouse). O Post entrevistou para a reportagem o jovem Joe Rospars, de 27 anos, diretor de nova mídia da campanha vitoriosa de Obama.

Eis alguns dados gerais:

Durante a campanha, mais de 7.000 mensagens padronizadas foram redigidas e enviadas por e-mail. As mensagens eram destinadas a grupos específicos de eleitores cadastrados, sobretudo para pedir mais doações. Quem já havia doado menos de US$ 200 recebia um tipo de e-mail. Quem já havia contribuído com mais de US$ 1.000, era alvo de um outro tipo de texto.

Mais de 1 bilhão (!!) de e-mails foram enviados pela campanha de Obama.

Como comparação, Obama teve 13 milhões de e-mails cadastrados. Há pouco mais de 4 anos, o democrata John F. Kerry teve 3 millhões de e-mails em sua lista. Outro democrata campeão de internet, o ex-governador de Vermont Howard Dean usava uma lista com apenas 600 mil e-mails.

Um milhão de pessoas se cadastrou para receber no celular torpedos de Obama com notícias da campanha. Considere aqui um dado fundamental: nos EUA, paga-se para mandar e para receber mensagens de texto (no Brasil, só para enviar).

As comunidades criadas nos sites de relacionamento produziram fatos na vida real: 200 mil eventos foram realizados pelos voluntários em todo o país durante a campanha de Obama.

Foram criados 35 mil grupos de voluntários pró-Obama pelo país. Desses, cerca de 1 mil no dia em que o democrata anunciou sua candidatura a presidente, em 10 de fevereiro de 2007 (pela internet, claro).

Nos últimos 4 dias de campanha, 3 milhões de telefonemas foram realizados pelos voluntários.

Esses números todos falam por si.

E no Brasil? Quantos políticos estão se preparando para fazer algo parecido em 2010 nas campanhas presidenciais, para governos estaduais etc.? Quantos candidatos têm uma equipe com garotos de 20 e poucos anos pensando em como se deve fazer política neste início de século 21? Sim, claro, aqui há menos pessoas com acesso à web. OK. Mas o número cresce de maneira espantosa. Política, interação e internet são indissociáveis.

Palpite do blog: os políticos brasileiros que se dedicarem para valer (não fazendo sites estáticos e mixurucos), desde já, a desenvolver uma estratégia bem feita para a internet terão uma vantagem comparativa não desprezível em 2010.

Por Fernando Rodrigues

Página na e.politics com as “instruções” de como fazer uma campanha “a la Obama”.

Aquarela do Brasil

Publicado: fevereiro 23, 2009 por Yogi em Arts, Culture, Music, Poetry, Tudo

Stephan Grappelli y Yehudi Menuhin – Jealousy

Publicado: fevereiro 23, 2009 por Yogi em Arts, Culture, Music, Tudo