Desenvolvimento Sustentável: é realmente possível? (Roda de Ciência)

Publicado: janeiro 29, 2009 por Yogi em Capital, Culture, International, Media, Nature, Philosophy, Politics, Science, Tech, Tudo
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O tema desse mês para o Roda é “Desenvolvimento sustentável: é realmente possível?“, que é um “tema pegadinha”, uma vez que é necessário se abordar, nessa discussão, temas como fontes alternativas de energia, crise de alimentos, mudanças climáticas, etc…

Sob esses outros tópicos, que já apareceram pelo Roda, eu já falei sob alguns pontos que considero particularmente cruciais; entre eles estão o controle populacional e o entendimento do conceito de “escalas”. Por exemplo, quando vc dobra a população, o que acontece com o consumo de energia? Essa é uma questão típica sobre “escalas”: vc escala a população por um fator de 2 (i.e., vc multiplica a população por 2) e pergunta como é que o consumo de energia é escalado, ou seja, como o consumo de energia é afetado por essa mudança de escala.

Minha primeira a mais instintiva reação para abordar um problema desses é explicar e discorrer um pouco sobre questões como:Homogeneidade de EulerAnálise DimensionalRemoção de Dimensões e UnidadesTeorema de Buckingham-πBiologia de PopulaçõesLeis de Escala em BiologiaEstrutura e Dinâmica de RedesSistemas ComplexosEvolução e EntropiaSistemas Auto-OrganizáveisAuto-Organização, Seleção e Evolução, e assim por diante… a partir duma base mais sólida como essa, fica mais fácil de se alçar vôos mais altos, como o tratamento dos problemas de mudanças climáticas, da economia global (globalização, “vila global”, wikonomics), e assim por diante.

Porém, infelizmente, um post que seguisse essas linhas iria acabar num limbo, sem atingir o seu objetivo final, que é a atenção do leitor. A grande razão para isso tem nome e se chama “Analfabetismo Numérico“. Esse é um ponto extremamente importante, pela seguinte razão: Se vc não consegue apontar o Distrito Federal num mapa, ou se vc nunca ouviu falar de Manuel Bandeira, ou se vc não lê a Folha, etc, o tiro é rápido: vc é uma pessoa às bordas da cultura, quiçá até um analfabeto funcional. Por outro lado, se vc nunca ouviu falar na Função Exponencial, ninguém vai achar estranho — isso é a definição deanalfabetismo numérico: nossa sociedade não parece achar nem errado nem ruim que a população (as pessoas, unidades constituintes da sociedade!) não tenha a menor compreensão dos fatos mais básicos sobre matemática ou ciência dum modo geral! (E olha que eu não estou falando do fato de que a Terra irradia toda a energia que recebe do Sol: ela recebe fótons na faixa do amarelo e irradia a mesma quantidade de fótons na faixa do infra-vermelho — claro, senão o planeta estaria esquentando continuamente! Portanto, o uso que nós fazemos da energia vinda do Sol é via uma transformação entrópica: nós recebemos energia com um baixíssimo grau de entropia e irradiamos essa mesma energia com um alto grau de entropia — isso é o mais eficiente que se pode fazer! Mas não é disso que eu estou falando… nós estamos tratando, aqui, de conceitos bem mais simples do que esse, como, por exemplo, o fato de que para biocombustíveis serem viáveis é preciso se fazer uma continha simples, do montante de energia que é usado pra produzí-los, menos o montante de energia que eles produzem: quantas vezes se vê por aí esse “balanço energético”?!)

Nos dias de hoje, isso é completa e absolutamente chocante, um absurdo sem tamanhos! Por exemplo: se a população duma cidade dobra mas o número de vereadores e deputados continua o mesmo… a população dessa cidade passou a ter apenas metade da representatividade que tinha anteriormente! Se a população mundial aumenta de modo constante mas os recursos energéticos do planeta são finitos, é inevitável que o desenvolvimento não pode ser sustentável — isso é o mesmo que comprar uma passagem no Titanic: vc pode ir de primeira-classe, ou pode ir no porão do navio, mas o resultado final é o mesmo.

Portanto, falar em desenvolvimento sustentável sem se fazer uma discussão crítica e honesta do controle populacional é, no mínimo,desonestidade intelectual!

Mas, pra não tornar esse post algo que as pessoas achem “seco”, “árido”, ou simplesmente chato e “acadêmico”, eu vou deixar uns vídeos excelentes, que tratam essa questão dum modo leve porém cuidadoso, com o carinho que elas merecem.

  • O primeiro deles é uma coleção de 8 vídeos, que capturam uma palestra dada pelo Professor Albert A. Bartlett, chamadaPopulation, Arithmetic, and Energy.
  • O segundo, entitulado How it all ends, é um conjunto de 45 vídeos, um projeto do Professor Greg Craven para mostrar como é possível se avaliar o debate atual sobre as mudanças climáticas de modo racional e científico, mostrando claramente como é que se pode tirar conclusões científicas, sólidas e robustas, independentemente do [aparente] debate que alguns insistem em dizer que existe.

Eu espero que vcs se divirtam e passem a apreciar a profundidade de todas essas questões em jogo — por favor, coloquem seus comentários no Roda.

ESTE POST ESTÁ NO BLOG kungfuphysics, escrito por Daniel. Ele sugere comentários no Roda de Ciência (muito bom!). 

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