Arquivo de janeiro 20, 2009

Libido em Freud na Wikipedia…

Publicado: janeiro 20, 2009 por Yogi em Culture, Non Sense, Philosophy, Psy, Tudo

Libido

Freud, em foto de 1900: O primeiro investimento objetal da libido, segundo ele, ocorreria no progenitor do sexo oposto, esta fase caracterizada pelo investimento libidinal em um dos progenitores se chama (complexo de Édipo.

Freud também acreditava que a libido amadurecia nos indivíduos por meio da troca de seu objeto (ou objetivo). Argumentava que os humanos nascem “polimorficamente perversos”, no sentido de que uma grande variedade de objetos possam ser uma fonte de prazer, sem ter a pretensão de se chegar à finalidade última, ou seja, o ato sexual. O desenvolvimento psicosexual ocorreria em etapas, de acordo com a área na qual a libido está mais concentrada: a etapa oral (exemplificada pelo prazer dos bebês ao chupar a chupeta, que não tem nenhuma função vital, mas apenas de proporcionar prazer); a etapa anal (exemplificada pelo prazer das crianças ao controlar sua defecação); e logo a etapa fálica (que é demonstrada pela manipulação dos órgãos genitais).Até então percebe-se que a libido é voltada para o próprio ego, ou seja, a criança sente prazer consigo mesma. O primeiro investimento objetal da libido, segundo Freud, ocorreria no progenitor do sexo oposto, esta fase caracterizada pelo investimento libidinal em um dos progenitores se chama (complexo de Édipo).A criança percebe então que entre ela e a mãe (no caso de um menino) existe o pai, impedindo a comunhão por ele desejada. A criança passa então a amar a mãe e a experienciar um sentimento antagônico de amor e ódio com relação ao pai. Ela percebe então que tanto o amor vivido com a mãe como o ódio vivido com o pai são proibidos e o complexo de Édipo é então finalizado com o surgimento do superego, com a desistência da criança com relação à mãe e com a identificação do menino com o pai.

El Pais

Javier Sampedro
A testosterona dispara o desejo e a oxitocina mantém a fidelidade 

O amor costuma ser considerado indefinível, porque alguns o veem, como Freud, como uma sublimação do sexo; outros, como Fromm, como uma das belas artes, e outros aplicam a palavra ao gato. Mas e se os três tiverem razão?

A antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers em Nova Jersey, se baseia em seus experimentos de imagem cerebral (por ressonância magnética funcional) e nas demais evidências disponíveis para defender uma definição tripla do amor. Primeiro o impulso sexual indiscriminado, uma força autônoma que provoca a busca da parceira em qualquer acepção do termo; depois a atração sexual seletiva; e por último o carinho, o laço afetivo de longa duração que sustenta os casais além da paixão.

São três processos cerebrais diferentes, mas interligados. E têm uma profunda raiz evolutiva comum, porque seu equilíbrio controla a biologia reprodutiva das espécies. O impulso sexual, a primeira fase do amor, é regulado pela testosterona (masculina) e os estrógenos (femininos) na maioria dos mamíferos, mais pela testosterona nos primatas e quase exclusivamente no Homo sapiens.

Os homens com mais testosterona no sangue tendem a praticar mais sexo, mas as mulheres também costumam sentir mais desejo sexual ao redor do período de ovulação, quando aumentam seus níveis de testosterona. O declínio desse hormônio com a idade está associado à redução de todos os tipos de libido, incluindo as fantasias sexuais.

A testosterona não se relaciona com os gostos preferenciais, mas principalmente com os genéricos. Os psicólogos do Laboratório de Pesquisa da Face da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, acabam de demonstrar, por exemplo, que os altos níveis de testosterona – inclusive no mesmo homem, quando variam em momentos diferentes – se relacionam ao seu gosto pelos traços faciais associados à feminilidade em geral, como olhos grandes, lábios carnudos, etc. De modo semelhante, muitos estudos demonstraram que as opiniões das mulheres sobre a atratividade masculina são afetados pelos níveis dos hormônios sexuais.

Vários experimentos mapearam as zonas do cérebro que são ativadas quando se mostra aos voluntários uma série de fotos de conteúdo erótico explícito. Embora os resultados sejam complexos, uma das ativações mais reprodutíveis e proporcionais ao grau de excitação sexual declarado pelo sujeito é o chamado córtex cingulado anterior. Em um experimento independente, essa mesma região mostrou-se ativada quando o time do voluntário marcava um gol, uma coincidência que admite vários tipos de interpretação. Ou talvez nenhuma.

A segunda fase é o amor romântico, o amor no sentido clássico da palavra “apaixonar-se”. É um traço humano universal, e sua característica definidora é a atração sexual seletiva. Por essa razão os etólogos consideram provável que o amor humano tenha evoluído a partir do ritual de escolha do parceiro, o cortejo de atração típico dos mamíferos. Parece confirmar isso o fato de que em quase todos os mamíferos essa corte é caracterizada por uma notável mobilização de energia, perseguição obsessiva, proteção possessiva da pretensa parceira e belicosidade em relação aos possíveis rivais.

Mas há uma diferença. “Na maioria das espécies”, diz Fisher, “o ritual de escolha de parceira dura minutos ou horas, no máximo dias ou semanas; nos humanos, essa fase precoce de intenso amor romântico pode durar de 12 a 18 meses.” Um ano e meio para escolher a parceira e chega de ritual de corte…

Segundo documentaram os antropólogos em 147 sociedades humanas, o amor romântico começa “quando um indivíduo começa a ver o outro como algo especial e único”. Depois o amante sofre uma deformação perceptiva pela qual agiganta as virtudes e ignora as sombras do outro. As adversidades estimulam a paixão, as separações disparam a ansiedade.

São os sinais de um alto nível de dopamina nos circuitos de prazer do cérebro, e foi o que confirmaram os experimentos com imagens. Por exemplo, mostrar a um voluntário uma foto de sua amada ativa as rotas de dopamina nos circuitos de prazer. Esses circuitos orientam grande parte de nosso comportamento – não gostaríamos nem de comer se não fosse por eles -, e são os mesmos que se ativam no ritual de corte ou de escolha de parceira na maioria dos mamíferos.

A hipótese de Darwin era que as fêmeas escolhiam seus parceiros baseando-se em seu “sentido inato da beleza”, mas a situação, pelo menos na espécie humana, parece ter sofrido todo tipo de complicações. A equipe de Steve Buss, da Universidade Estadual da Califórnia em Fullerton, demonstrou que o mesmo homem parece mais desejável para as mulheres quando aparece rodeado de mulheres do que quando aparece só ou cercado de outros homens. Pelo contrário, uma mulher perde pontos diante dos homens se aparece rodeada de outros homens. A interpretação não está muito clara, mas aqui há algo que parece escapar ao mero romantismo. Há outro componente na escolha da parceira. Quando os pesquisadores perguntam a grupos de estudantes heterossexuais quais são os atributos que mais valorizam para formar um casal, cada estudante parece buscar os mesmos traços que atribuiu a si mesmo em um teste independente.

Mas o amor romântico, quando é muito longo no ser humano, não costuma durar mais de um ano ou ano e meio, e os filhotes de nossa espécie estão completamente inválidos nessa idade. Há necessidade de outro mecanismo que prorrogue os laços afetivos, e ele existe. A pista veio de duas espécies de toupeiras.

A toupeira da pradaria (Microtus ochrogaster) tem um comportamento familiar inatacável. Os casais são fiéis até que a morte os separe e inclusive 80% das toupeiras não voltam a se casar depois de enviuvar. Os dois cônjuges colaboram sem reclamar no cuidado da prole e costumam viver com os sogros em paz. Exatamente o contrário de sua espécie irmã, a toupeira da montanha, Microtus montanus: toscos, enclausurados em suas covas individuais, traidores com suas parceiras; os machos não cuidam absolutamente da prole e as fêmeas abandonam as crias duas semanas depois de pari-las.

Larry Young, da Universidade Emory, descobriu que a boa fama do Microtus ochrogaster só e certa em média: muitas toupeiras das pradarias são fiéis e pegajosas, de fato, mas outras são tão traiçoeiras e maleáveis quanto seus primos da montanha. Isso permitiu que ele descobrisse a causa dessas diferenças entre indivíduos: é só um gene que evolui muito depressa. O gene fabrica o receptor da vasopresina.

A vasopresina é um hormônio capaz de alterar o comportamento, mas precisa se acoplar a um receptor situado nos neurônios para exercer seu efeito. As toupeiras que têm uma versão muito ativa do gene têm muito receptor de vasopresina no cérebro, e, portanto, são fiéis. As que possuem uma versão pouco ativa têm pouco receptor e portanto são traidoras e mal-encaradas. A versão de alta atividade predomina entre as toupeiras da pradaria – daí a boa fama da espécie -, e a de baixa atividade é a norma entre os primos da montanha, mas cada toupeira é um mundo.

Os cientistas começaram a analisar esse gene nas pessoas e a comparar suas variantes com seus perfis psicológicos. Também acrescentaram às pesquisas outro gene semelhante que tem a capacidade de evoluir muito rápido, o do receptor de oxitocina.

Os dois genes estão relacionados à oxitocina e à vasopresina, dois hormônios que afetam o circuito do prazer (ou da recompensa) cerebral. Esses hormônios atuam através de receptores situados nos neurônios desses circuitos. Os dois genes chaves fabricam o receptor da axitocina e o receptor da vasopresina.

Hasse Walum e seus colegas do Instituto Karolinska, em Estocolmo, estudaram recentemente 552 pares de gêmeos ou irmãos e suas parceiras. Analisaram seu gene avpr1a (o receptor da vasopresina) e os submeteram a testes para avaliar seus “índices de qualidade na relação marital” e de “vinculação com o parceiro”: 32% dos homens com o gene variante permanecem solteiros (contra 17% com o gene padrão) e todos os seus índices de “qualidade marital” e vinculação afetiva são significativamente menores.

Quando uma toupeira da pradaria recebe uma dose cerebral de oxitocina, sente-se ligada imediatamente ao macho que estiver mais perto nesse momento, e de forma duradoura. Em um humano se fez um teste semelhante, mas com dinheiro. Uma equipe de economistas e psicólogos suíços demonstrou que a simples inalação de um aerossol de oxitocina faz que as pessoas confiem mais nos estranhos e, por exemplo, lhes empreste muito mais dinheiro em uma situação fictícia (mas com dinheiro real colocado pelo voluntário).

Os dois genes evoluem muito depressa e produzem variantes (alelos) de maior ou menor atividade, com efeitos semelhantes para aumentar ou diminuir a quantidade de hormônios. Já são oferecidos pela Internet produtos baseados na oxitocina como o Enhanced Liquid Trust, “criado para melhorar a área de encontros e relações da sua vida”.

Mas o amor se parece muito com o amor próprio. Lisa DeBruine, da Universidade McMaster de Ontário, Canadá, recrutou há alguns anos um grupo de voluntários para jogar pela Internet uma espécie de dilema do prisioneiro. Cada voluntário podia ver no computador o rosto do outro jogador, e só com isso tinha que decidir se compartilhava com ele seu dinheiro ou tentava fazer uma trapaça. A trapaça, na realidade, havia sido feita por DeBruine com todos os voluntários, porque do outro lado do computador não havia ninguém. O suposto jogador não passava de um programa e os rostos tinham sido gerados por software. O resultado foi que a maioria dos voluntários decidiu compartilhar seu dinheiro francamente quando o rosto do outro jogador era… o seu próprio!

Se há uma quarta fase do amor, o mais provável é que esteja do outro lado do espelho.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

AUTOPSICOGRAFIA

Publicado: janeiro 20, 2009 por Yogi em Poetry, Tudo

O poeta é um fingidor. 

Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor
 
A dor que deveras sente.
 

E os que lêem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem,
 
Não as duas que ele teve,
 
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão,
 
Esse comboio de corda
 
Que se chama coração.

Nesta vida, em que sou meu sono, 
Não sou meu dono,
Quem sou é quem me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que eu outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo.

Quem quando eu era infante me guiava
Senão a vera alma que em mim estava?
Atada pelos braços corporais,
Não podia ser mais.
Mas, certo, um gesto, olhar ou esquecimento
Também, aos olhos de quem bem olhasse
A Presença Real sob disfarce
Da minha alma presente sem intento.

Pousa um momento, 
Um só momento em mim,
 
Não só o olhar, também o pensamento.
 
Que a vida tenha fim
 
Nesse momento!

No olhar a alma também 
Olhando-me, e eu a ver
 
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
 
A ver até esquecer
 
Que tu és tu também.

Só tua alma sem tu 
Só o teu pensamento
 
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
 
Ficou com o momento
 
E o momento parou.

Fernando Pessoa