Boa sorte, presidente Obama – Rogério Simões / editor BBC Brasil

Publicado: janeiro 19, 2009 por E=m.c² em Politics, Tudo

obamaportrait.jpgAdeus, George W. Bush. Bem-vindo, Barack Hussein Obama. A mudança de comando nos Estados Unidos não poderia ser mais radical nem acontecer num momento mais dramático da história americana. O ano de 2009 começou com notícias ainda mais negativas no cenário econômico doméstico, assim como em outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Também começou com mais um sangrento capítulo da guerra entre árabes e judeus na Terra Santa. Se o mote da campanha do candidato Obama foi “esperança”, ou a “audácia da esperança”, como diz um dos seus livros, este ano novo já mostrou o tipo de desafio que espera esse sentimento.

“Sim, nós podemos”, dizia Obama. Inicialmente, a frase estava ligada à hercúlea tarefa de colocar pela primeira vez um negro na Casa Branca. Mas e agora? O que poderá mesmo fazer o presidente Barack Obama? Por pouco o presidente da esperança não teve sua posse prejudicada por frescas imagens de corpos de crianças palestinas mortas pelos tanques israelenses. Israel concordou com a tese de um cessar-fogo unilateral, seguido por uma trégua do grupo Hamas, e o mundo pode agora concentrar suas atenções nas festas em Washington DC. Mas o conflito na Faixa de Gaza foi apenas interrompido. Não foi vencido, nem perdido. Por ninguém. O que sobrou foram as imagens de devastação. Palestinos e israelenses continuam em compasso de espera. À espera de Obama.

O presidente Bush talvez tenha sido o maior amigo que Israel já teve, como políticos israelenses gostam de lembrar. Mas também abraçou oficialmente a idéia de um Estado palestino existindo ao lado de Israel. E fez várias viagens ao Oriente Médio, encontros, conferências, reuniões. A última, no final de 2007, em Annapolis (EUA), visava obter um acordo sobre a criação do Estado palestino em 12 meses. Não chegou nem perto. Vem Obama, e com ele a esperança. Mas um lugar onde o discurso do novo presidente ainda custa a ter efeito é o Oriente Médio. Israelenses, que perdem o amigo Bush, não sabem direito o que esperar do sucessor. Palestinos, com seus mais de 1.200 mortos em Gaza, seguem sem motivos para confiar em um futuro melhor.

Obama pode dar aos americanos e a grande parte do mundo um futuro melhor, de mais diálogo, numa nova relação entre o governo americano e seus cidadãos e entre a Casa Branca e a comunidade internacional. Ele pode até acabar repetindo Franklin Roosevelt e conseguir, com o tempo, recolocar a economia dos Estados Unidos nos trilhos. Mas resolver o conflito entre Israel e os palestinos poderá ser ainda mais difícil. As fronteiras indefinidas de Israel, os assentamentos judaicos em terras palestinas, as divisões internas palestinas, os mísseis do Hamas, os bombardeios israelenses, a polêmica sobre o futuro de Jerusalém… Tantos problemas teriam de ser solucionados nos próximos quatro, ou oito, anos. Esperança, infelizmente, não será suficiente. Boa sorte, presidente Obama.

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