Publicado por: Yogi | Dezembro 13, 2009

Como os ditadores nos observam na internet

Evgeny Morozov*

Minha terra natal, Belarus, é um lugar pouco provável para uma revolução da internet. O país, controlado desde 1994 pelo presidente autoritário Alexander Lukashenko, foi certa vez descrito por Condoleezza Rice como “o último entreposto da tirania na Europa”. A última eleição presidencial, em março de 2006, foi seguida por uma revolução mal sucedida e de vida curta. Os protestos iniciais foram brutalmente reprimidos. Mas quando as manifestações públicas não conseguiram ir para frente, os manifestantes se voltaram para formas de rebelião mais criativas: as flash mobs.

Numa flash mob, a mídia social e os e-mails são usados para reunir, num lugar público, um grupo de pessoas que então realiza uma ação breve, com frequência surreal. Alguns jovens bielo-russos usaram o serviço de blog LiveJournal para organizar uma série de eventos em Minsk com mensagens antigovernistas sutis. Os serviços de segurança fizeram muitas prisões, mas os blogueiros ocidentais e a mídia tradicional noticiaram, atraindo a atenção para a repressão.

Detalhes dessa rebelião foram desde então celebrados por vários pensadores, principalmente ocidentais, que acreditam que o ativismo digital pode ajudar a derrubar regimes autoritários. As flash mobs de Belarus são invocadas para ilustrar como uma geração de manifestantes descentralizados, armados apenas com a tecnologia, pode se opor ao Estado de formas que eram impensáveis em 1968 ou 1989. Mas esses entusiastas digitais raramente contam o que aconteceu depois.

O entusiasmo pela ideia da revolução digital é abundante: entre 2006 e 2008 eu mesmo trabalhei em projetos de internet financiados pelo Ocidente na antiga União Soviética – sobretudo com uma visão de “vamos promover a democracia através dos blogs”. Mas saí no ano passado. Nossa missão de usar a internet para estimular os cidadãos de regimes autoritários a desafiar o status quo tinha tantas consequências inesperadas que, às vezes, parecia prejudicar a própria causa que tentávamos promover.

A maior parte da mídia, tão irritada ao divulgar o impacto da internet sobre o seu setor, continua produzindo exemplos dramáticos do casamento do protesto político com a mídia social. E que lista é essa: monges birmaneses desafiando uma junta maléfica com câmeras digitais; adolescentes filipinos usando mensagens de texto para criar uma “revolução textual”; ativistas egípcios usando criptografia para se esconderem do olho que tudo vê de Mukhabarat; até ecologistas brasileiros usando mapas do Google para mostrar o desmatamento na Amazônia. E eu mencionei Moldova, China e Irã? Esses dissidentes cibernéticos, dizem, agora fazem sua luta online, trocando os panfletos e os esquecidos aparelhos de fax por iPhones.

Mas não foi isso que aconteceu em Belarus. Depois da primeira flash mob, as autoridades começaram a monitorar a By_mob, comunidade do LiveJournal onde as atividades eram anunciadas.

A polícia começou a aparecer nos eventos, com frequência antes dos manifestantes. Ela não só prendia os participantes, mas também tirava fotos. Estas – junto com as próprias imagens online dos manifestantes – eram usadas para identificá-los, muitos dos quais foram interrogados pela KGB, ameaçados de serem suspensos de universidades, ou pior. Essa intimidação não passou despercebida. Logo, apenas os ativistas mais duros compareciam aos eventos. A mídia social criou um panóptico digital que ameaçou a revolução: suas redes, transmitindo o medo público, foram infiltradas e superadas pelo poder do Estado.

Apesar do que dizem os entusiastas digitais, o surgimento de novos espaços digitais para a dissidência também gerou novos meios para rastreá-la. O ativismo analógico era bastante seguro: se um nó da rede de protesto fosse descoberto, o resto do grupo provavelmente estava seguro. Mas ter acesso aos e-mails de um ativista coloca todos os seus interlocutores sob suspeita. O resultado é um jogo de gato e rato em que os manifestantes tentam se esconder das autoridades se esforçando para criar nichos não convencionais. No Irã, os dissidentes costumavam atuar no Goodreads, um site internacional de rede social para amantes de livros. Aqui eles se engajavam discretamente em conversas sobre política e cultura, que não eram vistas pelos censores – ou melhor, até que o Los Angeles Times deu uma ajudinha e publicou um artigo sobre o que estava acontecendo, dando a dica para as autoridades.

Assim, as redes sociais, inadvertidamente, tornaram mais fácil reunir informações de inteligência sobre as redes de ativistas. Mesmo uma minúscula falha de segurança nas configurações do perfil do Facebook pode comprometer a segurança de muitas outras pessoas. Um estudo feito por dois alunos do MIT, divulgado em setembro, mostrou que é possível descobrir a orientação sexual de uma pessoa analisando seus amigos no Facebook; má notícia para os que vivem em regiões em que a homossexualidade é ameaçada com espancamento e prisão. E muitos regimes autoritários estão procurando companhias de prospecção de dados para ajudá-los a identificar manifestantes. A TRS Technologies na China é uma dessas companhias. Ela se vangloria do fato de que “graças à nossa tecnologia, o trabalho de dez policiais de internet pode ser feito agora por apenas um”.

Isso não significa que a dissidência cibernética é uma ilusão. Há três principais modelos para a teoria da “democracia pelos tweets”. Primeiro, apesar da minha cautela, a internet pode, se usada apropriadamente, fornecer aos dissidentes formas seguras e baratas de comunicação. Os ativistas russos podem usar o Skype, que é difícil de ser grampeado, em vez de linhas telefônicas inseguras, por exemplo. 

Os dissidentes podem criptografar e-mails, distribuir materiais antigovernistas sem deixar um rastro de papel e usar ferramentas inteligentes para burlar filtros da internet. Agora é fácil ser uma “ONG de um homem só”: com o Google Documents, você mesmo pode imprimir os documentos, reduzindo o risco de vazamentos. Em segundo lugar, as novas tecnologias tornam a repressão sangrenta arriscada, uma vez que a polícia está cercada por câmeras digitais e as fotos podem ser rapidamente enviadas para as agências de notícias ocidentais. Alguns governos, como o de Mianmar e o da Coreia do Norte, não se importam de serem considerados brutais, mas muitos outros sim.

Em terceiro lugar, a tecnologia reduz os custos marginais do protesto, ajudando a transformar observadores em manifestantes em momentos críticos. Um estudante iraniano apolítico, por exemplo, pode descobrir que todos os seus amigos do Facebook estão protestando e decidir tomar parte.

Este terceiro ponto, entretanto, precisa de uma avaliação cuidadosa. O argumento é o seguinte. Graças à internet, os governos perderam seu monopólio sobre o controle da informação, enquanto os cidadãos adquiriram acesso a outras fontes de conhecimento e a capacidade de se organizarem com mais segurança. Muitas pessoas usarão este acesso para aprender mais sobre democracia, o que as libertará da propaganda do governo. Elas usarão esse novo poder para pressionar o governo a se responsabilizar. Quando a próxima crise surgir – como a eleição fraudada no Irã em 2009, ou os preços altos de combustível em Mianmar em 2007 – os cidadãos buscarão a internet para ver o quanto o seu regime se tornou impopular. 

Descobrindo outras pessoas que pensam parecido, eles organizarão protestos e, se o regime não responder com violência, criarão uma “bola de neve” capaz de destruir a mais rígida estrutura autoritária.

Os cientistas sociais chamaram essas “bolas de neve” de “cascatas de informação”. Elas explicam porque, embora a maioria dos cidadãos possa acreditar que uma revolução não será bem sucedida, mesmo assim vão para as ruas quando todo mundo está protestando; tanta gente não pode estar errada. Talvez o exemplo mais famoso tenha sido descrito num estudo de 1994 pela cientista política Susanne Lohmann, da UCLA. Ela tentou explicar o apelo súbito dos “protestos de segunda-feira” na cidade de Leipzig na Alemanha Oriental, que começaram em setembro de 1989.

Lohmann argumentou que os alemães orientais que estavam em cima do muro observavam o andamento dos protestos e, percebendo a falta de retaliação do governo, decidiram se juntar a eles. Dadas as circunstâncias, era a coisa mais racional que poderiam fazer. 

Não é difícil ver como a internet pode amplificar as cascatas de informação e fortalecer assim a posição dos ativistas. Mas a verdade é, com frequência, diferente. Em Belarus, a maior parte das pessoas que estavam em cima do muro viu a resposta do Estado e, agindo racionalmente, foi procurar um muro mais alto. No Irã este ano, a famosa foto de Neda Agha-Soltan, assassinada nas ruas, espalhou-se rapidamente e se tornou um símbolo da “revolução verde”. Mas se ela encorajou os indecisos, não é tão óbvio. As cascatas de informação normalmente não se traduzem bem para as multidões, mesmo sem a influência do medo provocado pelo Estado.

Mas os defensores da internet têm outro argumento, mais sutil. Para que a democracia seja bem sucedida, dizem, é preciso que os movimentos civis ajudem a tornar os protestos mais intensos, frequentes e com mais pessoas. Uma sociedade civil vibrante pode desafiar os que estão no poder ao documentar a corrupção ou revelar atividades como o assassinato de inimigos políticos. Nas democracias, esta função é desempenhada principalmente pela mídia, organizações não governamentais ou partidos de oposição. 

Nos Estados autoritários, isso está nas mãos principalmente de indivíduos isolados, que normalmente são presos como resultado. Mas se os cidadãos puderem formar grupos afins, ganhar acesso a informações não tendenciosas e se conectarem uns aos outros, os desafios ao Estado serão mais comuns. E teóricos sociais como Robert Putnam argumentam que o surgimento de grupos assim aumenta o capital social e a confiança entre os cidadãos.

Mas as principais características da mídia social – o anonimato, a “viralidade”, a interconexão – também são suas maiores fraquezas. Como vimos, os serviços de segurança podem usar a tecnologia contra a logística do protesto. Mas o surgimento dos blogs e das redes sociais também tornou mais fácil para o Estado plantar e promover suas próprias mensagens, inventando histórias e neutralizando discussões online antes que elas se traduzam em ações offline. Os governos há muito perderam o controle absoluto sobre como as informações que se espalham online, e extirpá-las dos blogs não é mais uma opção viável. Em vez disso, eles revidam. Não é difícil lançar comentários para acusar um dissidente de ser infiel, maníaco sexual, criminoso ou espião.

Então será que devemos parar de financiar projetos que usam a internet para promover a democracia? É claro que não. Mesmo um cético como eu pode ver o lado bom. Mas o incentivo à democracia digital dever ser melhorado. Uma forma seria ajudar a fazer com que as plataformas para o ativismo cibernético – Twitter, Facebook e assim por diante – conscientizem-se de suas novas obrigações globais, incluindo a necessidade de proteger os dados confiados a eles pelos ativistas. Fora isso, é provável que os ataques cibernéticos às ONGs se intensifiquem. Nós no Ocidente devemos estar preparados para agir e ajudar as vozes dos dissidentes, fornecendo assistência gratuita e imediata para colocá-los online o mais rápido possível.

Também precisamos de uma certa consistência para lidar com os ataques cibernéticos. Os governos ocidentais deveriam evitar confirmar as teorias dos autocratas paranóicos sobre uma revolução do Twitter, que precisaria portanto ser reprimida. Durante os protestos no Irã este ano, o departamento de Estado dos EUA chamou os executivos do Twitter e pediu para que eles postergassem uma manutenção no site para que os iranianos pudessem continuar usando-o para protestar. Não houve melhor maneira de confirmar as suspeitas iranianas de que o governo dos EUA estava de certa forma por trás do protesto.

Uma última ideia. Que no futuro sejamos um pouco mais céticos sobre a necessidade de reinventar a roda em relação aos protestos. Em quase todos os países comandados por regimes autoritários há uma reserva de ativistas, dissidentes, e intelectuais antigovernistas que mal ouviram falar do Facebook. Contatar essas redes efetivas, porém sem conexão à internet, terá mais resultados do que tentar persuadir os blogueiros a assumirem atividades políticas. As embaixadas ocidentais que trabalham em campo em Estados autoritários com frequência são excelentes em identificar e empoderar essas redes, e a alfabetização nas novas mídias deveria se tornar parte do treinamento diplomático. Afinal, esses caras das antigas são pessoas que trouxeram a democracia para a Europa central e do leste. E provavelmente serão eles que conquistarão a liberdade para a China e para o Irã.

*Evgeny Morozov é membro da Universidade Georgetown. Seu livro sobre a internet e a democracia será publicado no final de 2010. 

Tradução: Eloise De Vylder

Publicado por: Yogi | Novembro 30, 2009

Bilheteria de “2012″ reconcilia China e Hollywood

Pequim – O filme “2012″, no qual a China tem papel crucial para salvar a humanidade da catástrofe, causou sensação e gerou muitos elogios no país asiático, pouco acostumado a assumir o papel de “bom” nas superproduções de Hollywood.

O filme de Roland Emmerich se transformou em uma das maiores bilheterias do ano no país asiático – cerca de US$ 30 milhões arrecadados nos dez primeiros dias de estreia -, e o fato não é nada casual: os chineses correm aos cinemas para se ver retratados em Hollywood como “salvadores do mundo”.

“É uma mudança notável, antes, os filmes americanos sempre nos deixavam mal. É um reflexo da nova realidade, agora os chineses produzem muitas coisas para o Ocidente e somos mais fortes”, diz à Agência Efe o estudante Xu Xiaoqian, um dos milhões de chineses que se deleitaram com “2012″.

Nos cinemas de todo o país, soam aplausos quando o mapa do país asiático aparece na tela, ou quando um militar americano, apontando arcas gigantescas construídas contra o relógio para salvar a humanidade, afirma que “só os chineses são capazes de construir algo assim”.

O filme marca, segundo críticos e analistas políticos chineses, uma mudança na ótica de Hollywood – e talvez dos Estados Unidos – em relação ao país asiático, que chegou justamente no ano em que a China recebeu elogios em relação à recuperação econômica ou com o combate à mudança climática.

“A China está se tornando mais aceitável para a sociedade americana, o que se reflete em mais elementos chineses nas produções de Hollywood”, analisava, esta semana, o jornal “Global Times”.

“Graças a filmes como ‘Kung Fu Panda’ e ‘2012′, a imagem da China é mais popular do que nunca”, afirmava no mesmo artigo o professor Zhang Yiwu, da Universidade de Pequim.

A situação contrasta com a de anos recentes, quando os personagens chineses de Hollywood costumavam ser criminosos, soldados inimigos e gente “destinada a morrer” no roteiro, ou quando os cenários escolhidos para retratar China eram lugares pobres e sujos.

Os chineses – um povo em geral nacionalista que não recebe bem as críticas de fora – não têm, por exemplo, lembranças muito boas de filmes como “Justiça Vermelha” (1997), protagonizada por Richard Gere, na qual um americano na China revela um escândalo de corrupção que envolve altos líderes comunistas.

O filme, proibido na China, iniciou a conversão de Gere em “persona non grata” no país, o que se fortaleceu depois por sua amizade pessoal com o dalai lama e seu ativismo pró-independência do Tibete.

O tema tibetano, justamente, também fez com que Hollywood apresentasse a China de forma negativa, como se pôde ver em “Kundun” (1997), de Martin Scorsese, que relata a biografia do atual dalai lama.

Os espectadores chineses também não viram com bons olhos que o terceiro filme da série “Missão Impossível” (2003) fosse filmado em becos pobres de Xangai, em vez de nos arranha-céu futuristas da metrópole.

Também foi alvo de críticas que, em filmes como “O Mundo de Suzie Wong” (1960), o já mencionado “Justiça Vermelha” ou o britânico “Surpresa em Xangai” (1986), as personagens femininas chinesas fossem prostitutas ou “mulheres fatais”.

A situação ainda era mais curiosa nos “anos dourados” de Hollywood, quando filmes como “A Estirpe do Dragão” (1944) retratavam de forma mais positiva os chineses, mas os personagens protagonistas eram ocidentais maquiados como chineses (Katherine Hepburn, por exemplo), enquanto atores chineses faziam papel de “malvados” invasores japoneses.

O filme “2012″ representa, segundo críticos e espectadores chineses, um giro de 180 graus em todas essas tendências, certamente com fins comerciais, já que Hollywood já observa a China como um de seus principais mercados e quer chegar às telas do país.

De fato, muitos filmes nas quais os orientais têm papéis antagonistas – por menores que sejam – acabam sendo não autorizados pelas autoridades estatais da China nos cinemas, onde cerca de 20 produções americanas são exibidas ao ano.

Isso aconteceu, por exemplo, em “Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo”, só porque o início mostra piratas chineses em casebres obscuros de Cingapura.

Publicado por: Yogi | Novembro 29, 2009

Goetia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Goetia ou Ars Goetia refere-se a uma prática que inclui a invocaçãoevocação de demônios. Baseia-se na lenda judaico-cristã na qual o rei de Israel, Salomão fora agraciado pelos anjos com um sistema que lhe dava poder e controle sobre os principais demônios da Terra e consequentemente a todos os espíritos menores governados por eles. Desta forma, o rei salomão, e posteriormente seus discipulos, teria toda espécie de poderes sobrenaturais, como invisibilidade, sabedoria sobre-humana e visões do passado e futuro.

A Arte Goética, (Latin, provavelmente: “A Arte de Uivar”), geralmente chamado simplesmente de Goetia, é a ensinada na primeira parte das Clavículas de Salomão, um grimório doSéculo XVII. Este primeiro capítulo é conhecido como “Lemegeton Clavicula Salomonis” ou “A Chave Menor de Salomão” e nele são descritos todos os 72 Espíritos Infernais assim como todo o sistema que supostamente havia sido usado pelo rei Salomão.

Em 1997, foi assinado acordo entre países desenvolvidos para reduzir emissões, mas CO2 na atmosfera só aumentou

Jamil Chade, GENEBRA

A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera continua a crescer, apesar de todos os esforços mundiais e discursos inflamados de líderes políticos para reduzi-la. Em 2008, chegou ao índice mais alto registrado desde o início da era industrial, segundo um relatório divulgado ontem pela Organização Mundial de Meteorologia (WMO, em inglês). Desde 2007, quando foi assinado o Protocolo de Kyoto – tratado internacional para baixar as emissões -, o aumento foi de 6,5%.

A concentração de dióxido de carbono (CO2), gás que mais contribui para o problema do aquecimento global, chegou a 385,2 ppm (partes por milhão), com potencial para chegar a 390 ppm já no ano que vem. “Faz um milhão de anos que não chegamos a 390 ppm”, disse o físico John Barnes, diretor do Observatório de Mauna Loa, no Havaí, um dos que contribuem com informações para a WMO.

Em relação à era pré-industrial (antes de 1750), o aumento foi de 38%. “Temos de pensar o que é que isso vai causar.” O limite considerado “seguro” pela maioria dos cientistas, para evitar mudanças climáticas mais catastróficas, é 450 ppm.

O dano é considerado tão grave que, mesmo se o mundo interrompesse todas as emissões de CO2 hoje, em cem anos haveria ainda uma concentração de gases de efeito estufa 30% superior à de 1750. “O aumento é exponencial”, afirmou Michel Jarraud, secretário-geral da WMO.

A entidade estrategicamente divulgou sua avaliação às vésperas da cúpula mundial do clima realizada pela ONU, no mês que vem, em Copenhague. E pede que haja um acordo ambicioso até o fim do ano sobre emissões de CO2.

Questionado pelo Estado, Jarraud disse que o Protocolo de Kyoto “não foi suficiente” para impedir um aumento de emissões e da concentração dos gases. “Mas sem Kyoto, sabemos que a situação seria ainda pior.” O acordo prevê uma redução de 5% das emissões dos países mais desenvolvidos (industrializados) até 2012, em relação ao que era emitido em 1990 – metas que deverão ser revistas agora, em Copenhague, para o período pós-2010. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), é preciso reduzir as emissões das nações industrializadas entre 25% e 40% até 2020.

A WMO ainda evita falar em fracasso nas negociações de Copenhague, apesar das declarações recentes de alguns países de que não será possível estabelecer metas de redução já nesta conferência. “Não podemos desistir. As emissões de CO2 dobraram em 30 anos. Agora, precisamos de um acordo forte”, disse Jarraud. As emissões dos Estados Unidos aumentaram em 3,7%, entre 1997 e 2008. A China mais que dobrou suas emissões nesse período.

Os maiores responsáveis pelo excesso de gases na atmosfera, segundo o IPCC, são as atividades humanas, principalmente em decorrência da queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) e do desmatamento. Jarraud disse que a preservação de florestas, como a Amazônica, será fundamental no futuro e que o desmatamento na última década colaborou para o aumento da concentração de CO2. “Se queremos controlar a concentração de CO2, a floresta tropical será fundamental. O desmatamento gera emissões e, preservada, a floresta consome o CO2 que estaria na atmosfera.”

Os estudos do IPCC apontam para uma alta na temperatura do planeta que poderia variar entre 1,5 grau a 4,5 graus Celsius. “Estamos caminhando para a parcela mais alta desses cenários”, alertou Jarraud. “As notícias que estamos dando não são nada boas.”

COLETA DE DADOS

Os dados divulgados ontem são resultados da maior coleta já feita sobre a concentração de gases-estufa na atmosfera. A WMO usou número de 200 estações espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil. Além do dióxido de carbono, foram medidos o metano e o óxido nitroso, que são os principais gases envolvidos no aquecimento global.

“Isso era um problema abstrato em 1997, algo que parecia estar só em círculos de cientistas. Agora, o problema está na cara de todo mundo” disse Andrew Weaver, especialista da Universidade de Victoria.

Um dos efeitos mais estudados é o derretimento de geleiras.Desde 2000, a Groenlândia perdeu mais de 1,5 trilhão de toneladas de gelo. A Antártida também perdeu 1 trilhão desde 2002. As inundações em consequência do degelo em uma centena de grandes cidades poderiam causar danos de US$ 28 bilhões, segundo um estudo divulgado ontem pela organização WWF. Isso porque, o aumento do nível dos mares em cidades como Nova York – que poderia chegar a 15 centímetros – provocaria tormentas e furacões.

COM AP E AFP

Publicado por: Yogi | Novembro 17, 2009

Ideologia na Educação?

Mais presente do que nunca.

Sua morte foi decretada, mas o túmulo nunca foi fechado: a questão ideológica continua muito presente na educação (e também fora dela). E não é demais questionar: é possível haver educação sem ideologia, ou a simples expressão desse desejo já é reveladora de um lugar de onde se vê (e pensa ) o mundo?

Fabiano Curi

 

Berlim, 1989: a queda do muro foi vista por alguns, como o americano Francis Fukuyama, como um marco do fim da história em termos de conflitos ideológicos. O tempo se encarregou de mostrar que esse dia ainda está por vir

 

Há cerca de duas décadas, o mundo testemunhou a implosão do socialismo de Estado encabeçado pela União Soviética. Mais do que isso, passou a viver num planeta que abandonava a bipolaridade das superpotências para caminhar na direção do sistema político-econômico sobrevivente. Sim, sobrevivente, pois para muitos a queda do modelo soviético levava consigo para o túmulo toda a ideologia que o cercava. Comunismo, socialismo, marxismo e todas as suas ramificações pareciam se haver evaporado do cenário geopolítico global, sumiço este que reduziria a pó a existência dos conflitos ideológicos. O mundo viveria sob a égide de um modelo hegemônico e, assim, decretava-se o fim das ideologias.

Desde então, análises ideológicas passaram a ser vistas como objeto de estudo exclusivamente de historiadores que olhavam para o passado na tentativa de caracterizar enfrentamentos de grupos com conjuntos de ideias antagônicas. O esmorecimento de um mundo marcado por ideologias acabou afetando uma instituição que sempre esteve intimamente ligada ao debate ideológico: a escola.

Recentemente, a promulgação de uma nova Lei de Educação na Venezuela inflamou a grita daqueles que se opõem a Hugo Chávez. Os pontos divulgados – o controle do Estado na seleção e supervisão de professores, a proibição de conteúdos que vão contra a soberania do país e algumas propostas amplas de princípios de responsabilidade social, solidariedade e comunhão entre escola, comunidade e família, entre outros – foram vistos como mais um golpe autoritário e totalmente deslocado dos rumos da educação no mundo contemporâneo.

Contudo, o discurso de que tensões ideológicas são obsoletas não deixa de ser também ideológico. Para Marcos Cassim, professor de sociologia da educação da USP de Ribeirão Preto, “ideologia é concepção de mundo e a educação faz parte dessa concepção de mundo; assim, toda a educação é ideológica”. Ele explica a razão disso argumentando que “todas as sociedades constroem o homem a partir de sua concepção de ser humano. O homem se constitui humano e se constitui historicamente”.

Na opinião de Sílvio Gallo, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e autor do recente livro Subjetividade, ideologia e educação (Alínea, 2009), o problema começa na definição do próprio conceito de ideologia, que é visto de forma distinta por diferentes autores. “Temos essa ideia de ideologia dominante muito claramente em (Karl) Marx e em alguns autores marxistas”, diz. Ele lembra que, para Marx, há a ideia de um falseamento da realidade por parte das classes dominantes que, ao impor seus valores, buscam fazer com que sejam vistos como únicos e legítimos, enquanto para outros autores, mesmo no campo  marxista, como (Antonio) Gramsci e (Louis) Althusser (leia texto na página 51), a ideologia representa os interesses de uma determinada classe e não, necessariamente, um falseamento.

“Em Marx, há oposição entre ideologia e ciência. A classe dominante, para falsear, produz ideologia, a classe dominada, para se libertar, produz ciência”, desenvolve Gallo. “Nos autores posteriores vamos ter a extensão do conceito de ideologia para dizer que toda a produção de conhecimento por uma determinada classe é ideologia, independentemente de ela ser um falseamento da realidade ou uma afirmação da realidade, dependendo dos interesses do grupo”, completa.

Dermeval Saviani, professor emérito da Faculdade de Educação da Unicamp, ressalta que essa tentativa de evitar os conflitos de ideias fica evidente ainda no início da massificação da educação europeia: “a partir do momento em que a burguesia se consolida no poder, começa a adotar uma ideologia, no sentido de mascaramento da realidade, de naturalização da realidade como se a ordem burguesa fosse a ordem definitiva”.

Gallo lembra que existe também uma outra conceituação na qual uma determinada ideologia social é produzida com a participação consciente ou inconsciente da sociedade como um todo, mesmo que ela atenda a determinadas prerrogativas ou desejos da classe dominante, mas com a aceitação da classe dominada, pois, se não houver reação, há, em algum nível, o consentimento.

Avaliações
Nos últimos anos, o esvaziamento do debate ideológico no campo educacional tem sido marcado pela associação direta da educação com o mercado de trabalho. Ainda que a formação de mão de obra seja uma das finalidades sociais da educação em qualquer regime político, no período recente a perspectiva utilitarista do espaço escolar ganhou muita força.
Entre os indicadores educacionais que podem ser apreciados, há hoje em dia muita ênfase naqueles que relacionam escolaridade com renda e empregabilidade. Assim, muitos dos investimentos em educação só são justificados quando garantem saldos significativos na produtividade e na renda.

Na avaliação de Saviani, a educação sofre a “determinação das exigências de mercado, que envolve a busca de resultados com o mínimo dispêndio. Os investimentos em educação estão subordinados à busca de resultados e os resultados são aferidos pelos indicadores de mercado”.

Para medir os efeitos da educação na vida das pessoas e no funcionamento da sociedade, os anos de reforma do Estado democrático foram ricos na proliferação de sistemas de avaliação de escolas, professores e estudantes. No Brasil, por exemplo, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a educação teve papel central e, dentro das políticas de universalização da Educação Básica, criaram-se mecanismos que buscavam de alguma forma mensurar a qualidade do ensino. Alvo de muitas críticas da oposição na época, tais políticas, com algumas mudanças pontuais, foram preservadas pelo governo Lula e, ainda que possam existir debates acerca das metodologias empregadas, as avaliações não são mais questionadas. De acordo com Odair Sass, psicólogo e professor do programa de educação da PUC-SP, as avaliações servem para “definir o que é funcional e o que é disfuncional para tentar consertar os problemas, mas não é colocado em questão o modelo de educação”.

Fernando Veloso, economista e professor do Ibmec-RJ que co-organizou o livro Educação básica no Brasil: construindo o país do futuro (Campus, 2009), argumenta que “a mudança de política de avaliações não acontece apenas no Brasil, é uma tendência mundial, e eu não vejo ideologia nisso”. Ele lembra que esse movimento começou nos Estados Unidos, e agora acontece em outros lugares “a ideia de que você tem de mensurar de alguma forma a qualidade da educação”.
Veloso recorda que existiam no Brasil anteriormente vários indicadores de quantidade, como taxa de
frequência, de matrícula e índice de escolaridade, mas que não havia uma medida de qualidade como as que foram implantadas nas últimas duas décadas.

O professor do Ibmec-RJ cita o exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no período recente: “Em seu governo, Bush criou o No child left behind, um sistema de responsabilização, ou seja, você não só mede os resultados, mas responsabiliza as escolas pelo resultado. Isso não quer dizer culpar, mas saber qual é a contribuição da escola no contexto dela e estabelecer premiações e punições”. O professor conta que, atualmente, “Obama, do partido adversário e com uma visão de mundo completamente diferente, deu um nome diferente para o programa, mas que, na essência, é muito parecido. Ele aprofundou e corrigiu alguns problemas do programa de Bush.”

Veloso aponta que a nova administração está estabelecendo padrões mínimos de qualidade, pois lá os estados têm autonomia para fazer o sistema de avaliação e de responsabilização. “Alguns fizeram um programa bom e outros, um programa fraco.” O economista complementa seu exemplo dizendo que esses sistemas não são ideológicos, pois o governo atual tem dado grande apoio às charter schools, que são escolas públicas com a gestão a cargo de organizações não governamentais ou mesmo do sistema privado, o que é visto em qualquer lugar do mundo como “atividade de mercado”, diz ele.

“Não vejo ideologia nos Estados Unidos, mas sim a ideia de que você tem de mensurar e fazer o possível para melhorar”, avalia. “E acho que no Brasil é igual: se pegarmos o governo Lula, talvez tirando os dois primeiros anos nos quais houve um desvio da atenção ao ensino básico que era dada no governo anterior mas que depois a retomou, no fundo, mesmo que ele não reconheça, o governo atual tem dado continuidade e aprofundado políticas adotadas no governo Fernando Henrique.”

Veloso afirma que tais medidas são políticas de Estado, “o que não quer dizer que educadores e economistas concordem, mas acho que há um certo consenso de que qualquer política educacional bem feita tem de avaliar o resultado e usar essa avaliação para aprimorar”. “É uma questão de princípio e não de ideologia”, conclui.

José Leon Crochik, professor da Instituto de Psicologia da USP, também acredita que “estamos na era das grandes avaliações, não só no Brasil, mas em todo o mundo”. E pondera que “isso é muito ruim quando se cria um ranking que torna a escola uma questão de mercado, mas, por outro lado, há uma preocupação com o índice de qualidade e com metas a serem perseguidas”.

Escola e Estado
A determinação dos modelos de educação pelo Estado, ainda que seja para, na abordagem de certos espectros políticos, servir aos interesses privados, coloca nas mãos dos governos um importante instrumento ideológico. Em regimes despóticos, a ingerência do Estado é mais perceptível, mas ela não deixa de acontecer também em sistemas políticos democráticos.

Marcos Cassim problematiza que “se a escola não está sob a tutela do Estado, a sociedade não a reconhece, pois não há um certificado”. “A escola não apenas produz o conhecimento, mas também o certifica.”

Entretanto, ele enfatiza que se confunde educação com escola. “Escola é uma instituição do Estado e a educação é processo. A escola como aparelho do Estado é organizada de acordo com a visão desse Estado e das classes dominantes, mas no interior da escola acontecem processos diversos, às vezes não como afirmação, mas como negação”, explica.

Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo Rosimar Esquisani, é possível haver contraideologia em relação ao Estado. “No Rio Grande do Sul, temos a gestão democrática do ensino público que tem dado certo em muitas instituições de ensino”, revela. A escolha de diretores, a descentralização administrativa e a participação da comunidade nas decisões da escola podem alimentar ideologias muitas vezes contrárias ao que é de interesse do Estado ou de grupos dominantes.

O venezuelano Hugo Chávez: proposta de lei busca introduzir um maior controle da educação por parte do estado

Vale ainda ressaltar que muitas escolas hoje estão aparelhadas com redes de computadores e atendem a um alunado cada vez mais inserido em realidades tecnológicas que dividem espaço com conteúdos preparados pelo professor, com o material didático e com as diretrizes da escola. Ainda que a maior parte dos modelos educacionais se sustente na lógica livresca e do professor como guardião do conhecimento, os canais de consulta ao redor e dentro da escola são mais numerosos do que em outros tempos.

Sílvio Gallo acredita igualmente que a educação também pode produzir contraideologia o tempo todo, mesmo no espaço da escola. Ele observa que “na medida em que a educação é tratada como coisa pública, existe o lado importante do investimento do Estado na formação dos cidadãos e também o controle efetivo que o Estado exerce”. Contudo, ressalta que “ao mesmo tempo que isso acontece, nós temos no âmbito das relações cotidianas da escola reações por parte dos professores, dos estudantes e do corpo diretivo. Não há uma assimilação direta e acrítica por parte desses indivíduos”.

Para Gallo, nenhum modelo progride se não houver uma aceitação de todas as esferas envolvidas na educação, principalmente do docente. “O professor é o verdadeiro ator desse processo todo. Uma política educacional só acontece se o professor a assumir e a realizar.”

Professores ideológicos
No cenário da educação brasileira é muito comum emergirem críticas a professores que expõem dentro da sala de aula suas afinidades ideológicas. Não são poucos os que defendem que a escola deve manter uma postura neutra e ensinar o que deve ser ensinado sem pender para discursos políticos. Mas será que a neutralidade na educação é atingível ou, até, desejável?

“O que vemos nessas críticas ao professor ideológico são pessoas de extrema-direita criticando professores de extrema-esquerda ou pessoas de extrema-esquerda criticando professores de extrema-direita”, crê Sílvio Gallo. Para a sua colega da Faculdade de Educação da Unicamp Ana Lúcia Goulart de Faria, “todo conhecimento é engajado, seja para as coisas melhorarem para todos, seja para melhorarem só para alguns.”

Já José Leon Crochik alerta que “quando a educação se pretende neutra, equidistante, como se fosse possível abrir mão de si mesma e assumir um lugar imaginário sobre todo o mundo, aí se esposa talvez uma das piores ideologias”.

No ponto de vista de Odair Sass, as críticas aos “professores ideológicos” acontecem porque “a ideologia não é vista na própria sequência pedagógica”, ou seja, nas políticas educacionais, no material didático, na infraestrutura da escola. “Ela é individualizada na figura do professor.”

Marcos Cassim identifica a ideia de neutralidade na educação como uma herança do pensamento positivista. Para ele, mesmo que a escola não se envolva em questões políticas, principalmente de política partidária, é preciso pensar a política como a capacidade de contribuir nas decisões.

Saviani também descarta a possibilidade de uma educação em que a questão ideológica não esteja presente. “Não existe conhecimento desinteressado. A ideologia é um elemento integrante da vida humana. O homem age sobre a natureza para transformá-la no interesse de sua própria sobrevivência. Ele conhece para dominar, conhecimento é poder.”

Gallo acrescenta um aspecto desse processo: a formação de docentes. “A gente não tem homogeneidade na formação de professores. Vemos muitas críticas à universidade pública dizendo que formam professores ideológicos, que elas não preparam tecnicamente o professor, mas sim politicamente. Mas será que faz sentido uma formação estritamente técnica do professor? Uma boa formação técnica não está desvinculada de uma boa formação política e vice-versa”, reflete.

A discussão, entretanto, recai sobre a capacidade de mediar debates e tensões ideológicas dos professores que se formam. Crochik nota que “a formação dos professores de uma maneira geral é muito imediata, concreta, precária, pouco afeita ao raciocínio, à imaginação, àquilo que seria próprio de um homem formado”.

Os problemas de preparo desses professores acabam colocando na sala de aula profissionais acríticos ou doutrinários, o que, evidentemente, não é nada vantajoso para qualquer modelo de educação que se pretenda plural. “Não sou favorável a defender doutrinas na escola, mas sim que se passem as ideias dos pensadores de cada doutrina. Sou partidário da leitura do movimento da sociedade e das contradições visíveis nela”, revela Crochík.

E como ficam os estudantes nesse processo de enfrentamento ideológico? Disse certa vez o crítico literário e cultural galês Raymond Williams sobre o processo de alfabetização na Europa depois das revoluções burguesas: “não há como ensinar uma pessoa a ler a Bíblia sem também ensiná-la a ler a imprensa radical”.

Publicado por: Yogi | Novembro 17, 2009

ONS nega sabotagem e divulga laudo sobre apagão amanhã

Blog do Fernando Rodrigues

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nega a possibilidade de ter havido sabotagem nas 3 linhas de transmissão de Itaipu que foram responsáveis pelo apagão da última terça-feira (10.nov.2009).

“A hipótese de sabotagem está descartada. Temos a comprovação dos danos causados aos equipamentos, que estão chamuscados na subestação de Itaberá. Um ser humano não conseguiria fazer isso. Os oscilogramas mostram que os eventos ocorreram de maneira simultânea. No relatório da terça-feira saberemos o local exato nas linhas. Para ter sido sabotagem seria necessário que três pessoas, ao mesmo tempo, tivessem conseguido conectar um aparelho às linhas, gerado grande diferença de potencial, rompido os isolamentos e provocado os curtos-circuitos. Tudo num tempo total, nas três linhas, de 120 milissegundos”, explica o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp (integra no post abaixo).

O RAP (relatório de análise de perturbações) ficará pronto, segundo Chipp, “até o fim do dia na terça-feira”. O documento vai esclarecer o que de fato ocorreu durante o apagão. O ONS deve apresentar o relatório também em Brasília, na quinta-feira, na Comissão de Minas e Energia da Câmara.

Como é possível raios simultâneos terem atingidos 3 linhas de transmissão ao mesmo tempo? Como é possível esse fenômeno ter ocorrido quando não se tem notícias de grandes tempestades no local do acidente? Hermes Chipp diz não ser “relevante constatar se houve ou não incidência intensa de muitos raios”. Para ele, “o que importa é saber se houve descarga nas linhas a ponto de derrubar o circuito”. Isso estará, afirma, “comprovado nos oscilogramas”.

Mas, então, o sistema é vulnerável? Chipp acha que não. “Houve um fato inédito: descargas elétricas simultâneas que derrubaram três circuitos de uma só vez em um local próximo à mesma subestação”. Mas como fazer para evitar que isso ocorra no futuro? “A única forma de evitar um blecaute como o de terça-feira seria construir um sistema de pelo menos mais dois circuitos correndo em paralelo ao atual. Algo como um sistema redundante. É economicamente inviável”.

No post abaixo, a íntegra da entrevista com Hermes Chipp. Ele fala também longamente sobre a vulnerabilidade de computadores do sistema do ONS. Até 6a feira, como relatado em reportagem da Folha,  os computadores do ONS ainda estavam com várias falhas de segurança que permitiam com certa facilidade a invasão de piratas cibernéticos.

Publicado por: Yogi | Novembro 10, 2009

Lula, o Filho do Brasil – HD – Trailler Oficial

Hackers e crimes cibernéticos são uma ameaça do século 21. Nenhum país está inteiramente preparado. Alguns estão mais à frente. Outros, mais atrasados. O Brasil está caminhando com algumas medidas (como um departamento no Planalto só para monitorar essa área), mas ainda falta muito, como mostram esses textos de hoje, na Folha.

Hacker troca senha de servidor de um ministério e exige US$350 mil

Criminoso, que estava no Leste Europeu, invadiu o servidor de computadores de um órgão federal em maio do ano passado

Dinheiro não foi pago, e hacker não foi capturado; computadores do governo federal sofrem, por hora, 2.000 tentativas de ataque

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Um hacker baseado num país do Leste Europeu invadiu o servidor de computadores de um órgão ligado a um ministério no ano passado. O criminoso trocou a senha do sistema. Paralisou a operação de acesso aos dados. Deixou apenas um recado: só recolocaria a rede novamente em operação após receber US$ 350 mil.
O ataque ocorreu em maio de 2008. Está até hoje cercado de sigilo. A Folha obteve a confirmação do crime, mas não a indicação de qual foi o ministério e o órgão atacado. O dinheiro não foi pago ao criminoso.

“Decidiu-se por não pagar. Esse órgão ficou 24 horas sem operar, com cerca de 3.000 pessoas sem ter acesso aos dados daquele servidor”, relata Raphael Mandarino Junior, 55, o matemático no cargo de diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Uma espécie de ciberczar da administração federal, Mandarino comanda cem pessoas no seu departamento, criado em 2006. Só no ano passado, entretanto, passou a existir uma política geral e específica a respeito de crimes cibernéticos na esfera federal. Ele relata como foram as providências tomadas após o mais grave ataque de hacker sofrido até hoje pelo governo brasileiro.

“Foram momentos tensos. Acionamos a Polícia Federal. Havia um backup [cópia] de todos os arquivos em outro lugar. Uma equipe reconstruiu o servidor com as mesmas informações que o hacker havia tentado destruir. Mas ainda demorou uma semana para quebrar os códigos deixados pelo criminoso no servidor original.”

Uma vez decodificada a senha deixada pelo hacker, notou-se que a máquina da qual partira o ataque estaria localizada no Leste Europeu. “Foi possível descobrir isso pela natureza do IP registrado no servidor atacado”, diz Mandarino. “IP” é a sigla para “internet protocol”, o número individual de cada máquina e que serve para indicar a localização possível do equipamento.

Aqui, o texto completo (para assinantes).

Para EUA, hacker causou apagão no Brasil

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Agentes de segurança e informação do governo dos Estados Unidos têm vários indícios de que empresas de energia do Brasil já sofreram ataques de hackers. Alguns apagões que deixaram dezenas de cidades no escuro nos últimos anos podem ter sido obra de cibercriminosos, como mencionou de forma indireta o presidente americano, Barack Obama.

Num discurso em maio deste ano, Obama disse: “Nós sabemos que esses invasores cibernéticos têm colocado à prova nosso sistema interligado de energia e que, em outros países, ataques assim jogaram cidades inteiras na escuridão”.

A referência a “outros países” feita pelo chefe da Casa Branca incluía o Brasil, segundo a Folha apurou.

De acordo com agentes de segurança que fazem relatórios para dar subsídios aos discursos de Obama, os apagões brasileiros que teriam ocorrido por causa da ação de hackers foram os de janeiro de 2005 e de setembro de 2007, entre outros, sempre atingindo regiões no Espírito Santo e no Rio.

A responsável por aquela região é a estatal federal Furnas. AFolha entrou em contato com a empresa, que negou ter conhecimento da ação de hackers em seu sistema. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) também afirmaram desconhecer o envolvimento de criminosos cibernéticos nos apagões. As quedas de energia são sempre atribuídas a fenômenos climáticos, falha de manutenção ou sobrecarga do sistema.

Autoridades dos EUA já chegaram até a mencionar o assunto em público. Em junho de 2007, o então secretário assistente de Defesa dos EUA, John Grines, numa conferência em Paris, disse o seguinte: “Não faz muito tempo, houve um ataque [de hackers] ao sistema de energia do Brasil, à chamada rede Scada [um tipo de sistema de gerenciamento], que causou grandes distúrbios”.

No mês passado, em uma reportagem publicada pela revista norte-americana “Wired”, um ex-assessor especial no governo de George W. Bush (que deixou a Casa Branca neste ano), também mencionou o Brasil. “Dado o grau de seriedade com que a administração Obama trata a segurança cibernética e a rede inteligente [de transmissão de energia], nós podemos nos preparar para acontecer aqui o tipo de coisa que aconteceu no Brasil, onde hackers conseguiram, com sucesso, derrubar o fornecimento de energia”, disse Richard Clarke, hoje presidente da Good Harbor, uma empresa que faz consultoria nessa área.

Raphael Mandarino Junior, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, diz ter checado o assunto com empresas de energia “sem encontrar rastros”.

“Há sempre a possibilidade de um ataque de hackers para tentar derrubar uma subestação de energia, mas creio que estamos de certa forma protegidos pelo fato de termos chegado tarde aos avanços tecnológicos. As empresas não têm os seus sistemas operacionais conectados diretamente à internet. Isso dificulta muito a um hacker entrar na rede interna”, diz Mandarino.

Mas ele acredita que quase todos os setores na administração pública no Brasil estão atrasados na preparação para enfrentar esse risco relativamente novo de ataques de hackers. “Quem trabalha na segurança muitas vezes é um gato gordo e lento. Quem está atacando é um rato magro e ágil, que sempre toma a iniciativa.”

A fragilidade do fornecimento de energia no Brasil e o risco de ataques de hackers deve ser assunto hoje à noite no programa jornalístico “60 Minutes”, da rede norte-americana CBS, segundo a Folha apurou.

A reportagem falará também das vulnerabilidades locais, mas o caso brasileiro será citado. Amanhã, a reportagem poderá ser assistida na internet, no site da emissora americana (www.cbsnews.com). (FR)

Publicado por: Yogi | Novembro 8, 2009

Olavo de Carvalho fala sobre Religião e Sociedades Secretas

Neste sexto bate-papo (lado A) com o escritor Yuri Vieira, o filósofo Olavo de Carvalho discorre sobre os seguintes temas: Islã, Frithjof Schuon, religião comparada, judaísmo/hinduísmo/budismo, Conceito de religião, revelação e doutrina, Cristianismo, o indiví duo, fé e crença, a filosofia perene, Martin Heidegger, religião evolutiva?, Islã e terrorismo, queda do Império Romano, os feudos, a Igreja Católica, racionalismo e moral cristã, Emmanuel Swedenborg, a Bí blia, ateus, sociedades secretas, Maçonaria, os Illuminati, René Guénon, o caos e a unidade do Islã, califado mundial, etc. http://www.olavodecarvalho.org http://karaloka.net Arquivos mp3: http://www.archive.org/details/Bate_papo_com_Olavo_de_Carvalho

Publicado por: Yogi | Novembro 6, 2009

Lula afirma que Obama ignora América Latina

LONDRES – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas ontem ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, segundo ele, não tem dado atenção à América Latina. Lula criticou a instalação de uma base militar americana na Colômbia e disse que ela tem que se restringir aos domínios daquele país, não atuando “na fronteira (da Colômbia) com outros países”.

“Ficamos surpresos com a transferência de Manta, no Equador, para a Colômbia. Nós não mexemos com a soberania da Colômbia, mas o que queremos é que, no tratado assinado com os EUA, fique explícito, para nos dar garantia do direito internacional, que a base tem como princípio fundamental a atuação dentro da Colômbia e não na fronteira de outros países”, disse o presidente.

Os comentários foram feitos durante café da manhã com os editores do jornal britânico “Financial Times”, que promoveu ontem, em parceria com o jornal “Valor Econômico”, o seminário “Investing in Brazil”.

Num dado momento do encontro, um editor do “FT” disse que os americanos estão preocupados com a Venezuela de Hugo Chávez e perguntou a Lula se teria algum conselho a dar a eles.

“Não sei se os americanos deveriam estar preocupados com o Chávez ou o Chávez com os americanos. Um discurso justifica o outro”, respondeu o presidente.

Lula disse que, em abril, a Cúpula das Américas, realizada em Trinidad Tobago e que teve a presença de Obama e Chávez, além da maioria dos líderes dos países latino-americanos, foi uma reunião “maravilhosa”, mas não rendeu frutos.

“Eu disse ao presidente Obama depois da reunião que estava dado o pontapé inicial para que ele restabelecesse uma relação mais produtiva com a América Latina e a América do Sul. O dado concreto é que não aconteceu nada depois disso, a não ser o golpe de Honduras”, comentou Lula.

O presidente afirmou que, nas décadas de 60 e 70, havia forte ingerência política do governo americano nos países da região. Ele mencionou que embaixadores americanos costumavam se intrometer em questões internas desses países. “A verdade é que, hoje, somos um continente que exerce a democracia de maneira muito forte”, assegurou ele.

Lula cobrou maior atenção do presidente Obama à América Latina. “As preocupações com o Iraque, o Afeganistão e o plano de saúde não estão permitindo que o Obama dedique uma atenção maior à AL. Eu penso que era importante que os EUA tivessem mais interesse na AL para que a gente pudesse consagrar definitivamente uma dinâmica de paz e envolvimento com o continente.”

Um outro editor do “Financial Times” ponderou que Chávez teria prometido não apenas dificultar o comércio com a Colômbia, mas eliminá-lo. Lula respondeu que “não é possível fazer política” a partir de manchetes dos jornais. “Um chefe de Estado não pode se pautar por isso”, observou, acrescentando que há grande complementariedade entre Colômbia e Venezuela.

O presidente reiterou a crença de que Chávez e o presidente colombiano, Alvaro Uribe, vão se entender. Disse que jantou recentemente com Chávez e almoçou com Uribe, “em dias diferentes” , e informou que vai colocar os dois juntos durante encontro, no dia 26 deste mês, em Manaus, dos países da região amazônica, com o objetivo de definir uma posição comum para a conferência da ONU sobre clima.

Durante o café da manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou sobre a recuperação da economia brasileira da crise financeira mundial e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre os compromissos do Brasil com a redução de emissão de gases-estufa. Participaram também do evento o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e do BNDES, Luciano Coutinho, e o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

(Cristiano Romero | Valor)

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