Publicado por: Yogi | fevereiro 8, 2010

A tomada da democracia norte-americana pelo setor corporativo

The New York Times

Noam Chomsky

O dia 21 de janeiro de 2010 será lembrado como uma data sombria na história da democracia norte-americana e seu declínio.

Naquele dia, a Suprema Corte dos EUA determinou que o governo não pode proibir as corporações de fazerem gastos políticos durante as eleições – uma decisão que afeta profundamente a política do governo, tanto interna quanto externa.

A decisão anuncia uma tomada ainda maior do sistema político dos EUA por parte do setor corporativo.

Para os editores do The New York Times, a decisão “atinge o coração da democracia” ao “abrir caminho para que as corporações usem seus vastos tesouros para dominar as eleições e intimidar as autoridades eleitas a cumprirem suas ordens”.

  • Fachada do prédio da Suprema Corte norte-americana, em Washington (EUA), de onde saiu a decisão sobre o financiamento de campanhas eleitorais por corporações dos mais variados tipos

O tribunal ficou dividida, 5 a 4, com os quatro juízes reacionários (equivocadamente chamados de “conservadores”) recebendo o apoio do juiz Anthony M. Kennedy. O juiz chefe John G. Roberts Jr. selecionou um caso que poderia facilmente ter sido resolvido em esferas mais baixas e manobrou o tribunal, usando-o para empurrar uma decisão de amplo alcance que derruba um século de precedentes que restringiam as contribuições corporativas às campanhas federais.

Agora os gerentes corporativos podem de fato comprar as eleições diretamente, evitando meios indiretos mais complexos. É bem sabido o fato de que as contribuições corporativas, às vezes reempacotadas de formas complexas, podem influenciar em peso as eleições, direcionando assim a política. O tribunal simplesmente deu muito mais poder ao pequeno setor da população que domina a economia.

A “teoria do investimento na política” do economista político Thomas Ferguson faz um prognóstico muito eficaz da política do governo durante longos períodos. A teoria interpreta as eleições como ocasiões nas quais segmentos de poder do setor privado se unem para investir com o objetivo de controlar o Estado.

A decisão de 21 de janeiro apenas reforça os meios para minar a democracia em funcionamento.

O pano de fundo é esclarecedor. Em seu argumento contrário, o juiz John Paul Stevens reconheceu que “há muito sustentamos que as corporações estão cobertas pela Primeira Emenda” – a garantia constitucional para a liberdade de discurso, que incluiria o apoio aos candidatos políticos.

No começo do século 20, teóricos de direito e tribunais implementaram a decisão do tribunal de 1886 de que as corporações – essas “entidades legais coletivistas” – têm os mesmos direitos que as pessoas de carne e osso.

Este ataque contra o liberalismo clássico foi duramente condenado por um tipo de conservadores que está desaparecendo. Christopher G. Tiedeman descreveu o princípio como uma “ameaça à liberdade do indivíduo, e à estabilidade dos Estados norte-americanos enquanto governos populares”.

Morton Horwitz escreve em sua história legal que o conceito de “pessoa” corporativa evoluiu lado a lado com a mudança de poder dos acionistas para os gerentes, e finalmente para a doutrina de que “os poderes do quadro de diretores (…) são idênticos aos poderes da corporação”. Anos depois os direitos corporativos foram expandidos bem além dessas pessoas, principalmente pelos equivocadamente denominados “acordos de comércio livre”. Por esses acordos, por exemplo, se a General Motors estabelece uma fábrica no México, ela pode pedir para se tratada da mesma forma que as empresas mexicanas (“tratamento nacional”) – bem diferente de um mexicano de carne e osso que busca “tratamento nacional” em Nova York, ou mesmo os direitos humanos mínimos.

Há um século, Woodrow Wilson, na época um acadêmico, descreveu uns Estados Unidos em que “grupos comparativamente pequenos de homens”, gerentes corporativos, “exercem o poder e controlam a riqueza e os negócios do país”, tornando-se “rivais do próprio governo”.

Na realidade, esses “pequenos grupos” se tornaram cada vez mais os mestres do governo. O tribunal de Roberts deu a eles um alcance ainda maior.

A decisão de 21 de janeiro veio três dias depois de outra vitória da riqueza e do poder: a eleição do candidato republicano Scott Brown para substituir o finado senador Edward M. Kennedy, o “leão liberal” de Massachusetts. A eleição de Brown foi retratada como uma “virada populista” contra as elites liberais que comandam o governo.

Os dados da votação revelam uma história diferente.

Altos índices de participação nos subúrbios ricos, e baixos em áreas urbanas em grande parte democratas, ajudaram a eleger Brown. “50% dos eleitores republicanos disseram que estavam ‘muito interessados’ na eleição”. Informou a pesquisa do The Wall Street Journal/NBC, “comparado a 38% dos democratas”.

Então os resultados foram de fato uma virada contra as políticas do presidente Obama: para os ricos, ele não estava fazendo o suficiente para deixá-los mais ricos, enquanto que para os setores pobres, ele estava fazendo demais para atingir esse fim.
A irritação popular é bastante compreensível, dado que os bancos estão prosperando, graças à ajuda do governo, enquanto o desemprego aumentou para 10%.

Nas fábricas, uma em cada seis pessoas está sem trabalho – desemprego nos níveis da Grande Depressão. Com a financialização crescente da economia e o esvaziamento da indústria produtiva, as perspectivas são não trazem esperanças de recuperação dos empregos que foram perdidos.

Brown apresentou a si mesmo como o 41º voto contra o sistema de saúde – ou seja, o voto que poderia acabar com a maioria no Senado dos EUA.

É verdade que o programa de saúde de Obama foi um fator importante na eleição de Massachusetts. As manchetes estão corretas ao dizer que o público está se voltando contra o programa.

Os números da pesquisa explicam porquê: o projeto de lei não vai longe o suficiente. A pesquisa do The Wall Street Journal/NBC descobriu que a maioria dos eleitores desaprova a forma como tanto Obama quanto os Republicanos estão lidando com o sistema de saúde.
Esses números se alinham com as recentes pesquisas nacionais. A opção do sistema público foi apoiada por 56% dos entrevistados, e a adesão ao Medicare aos 55 anos por 64%; ambos os programas foram abandonados.

Oitenta e cinco por cento acreditam que o governo deveria ter o direito de negociar os preços dos medicamentos, como acontece em outros países; Obama garantiu à indústria farmacêutica que não perseguirá esta opção.

Grandes maiorias apoiam o corte de custos, o que faz bastante sentido: os custos per capita dos EUA com a saúde são cerca de duas vezes maiores que os dos países industrializados, e os resultados da saúde são de má qualidade.

Mas o corte de custos não pode ser seriamente empreendido enquanto as companhias farmacêuticas são agraciadas, e o sistema de saúde está nas mãos de seguradoras praticamente desreguladas – um sistema caro peculiar aos EUA.

A decisão de 21 de janeiro levanta novas barreiras significativas para superar a séria crise do sistema de saúde, ou para lidar com assuntos críticos como as ameaçadoras crises do meio ambiente e da energia. O hiato entre a opinião pública e a política pública cresce cada vez mais. E o prejuízo para a democracia norte-americana dificilmente pode ser superestimado.

Tradução: Eloise De Vylder
Publicado por: Yogi | janeiro 29, 2010

Tsang kin-wah

Artist Statement (http://www.tsangkinwah.com)

What are TRUTH and REALITY? Do they exist? Can people perceive or find them out? And how?

Generally, those concepts and ideas accepted and believed by the majority would be considered as “Truth” or “Reality”, but is it really the case or they are just relatively “true” and “real”? We can say that the so-called “Truth” and “Reality” are subjective, temporal and regional.

The appearance of things does not necessarily reflect the inner ‘Truth’. Beautiful things could be either beautiful or ugly inside and the same case also applies to ugly or vulgar objects. The linkage between the surface and the inside, the outer and the inner is rather fragile and is relied on how people perceive or interpret things and whether they would carry out these processes under the existed norms, believes or from different points of view.

The so-called “Art”, for some artists, has its own realm that exists for its own sake and does not or even should not reflect or interact with the things and objects outside. However, as we are living in the world and are surrounded by different things and objects, the ways we think, live and behave are inevitably affected by and linked with the outside world. In fact, we are embedded in a close and inseparable relationship with our surroundings. For me, art is not emancipated from the world but rather reflect or link with it. By posing different kind of questions and thinking about what we are familiar with, what happens around us and the legitimacy of pre-existing things, ideas, believes, etc., showing altered compositions which is different from the existing, and combining and juxtaposing the classic, elegant form with vulgar, secular content, viewer would be lead to rethink about the legitimacy, authority and authenticity of the existing views and ideas from a different angle.

Publicado por: Yogi | janeiro 20, 2010

Lula receberá prêmio inédito de Estadista Global em Davos

Objetivo é destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar a situação do mundo

Daniela Milanese, da Agência Estado

LONDRES - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no dia 29. Esta é a primeira edição da homenagem, criada para marcar o aniversário de 40 anos do Fórum.

Conforme a organização do evento, o prêmio tem o objetivo de destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar a situação do mundo. “O presidente do Brasil tem demonstrado verdadeiro compromisso com todas as áreas da sociedade”, disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em nota à Agência Estado.

Segundo ele, esse compromisso tem seguido de mãos dadas com o objetivo de integrar crescimento econômico e justiça social. “O presidente Lula é um exemplo a ser seguido para a liderança global.”

A entrega do prêmio será feita pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e está prevista para às 11h30 (horário local; 8h30 de Brasília) do dia 29, quando o presidente brasileiro fará um discurso. Em seguida, terá início um painel de discussão sobre o Brasil. O objetivo é debater os atuais condutores do crescimento do País e os desafios à frente.

Entre os participantes do painel estarão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o copresidente do conselho de administração da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan, o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young e o vice-presidente do argentino Banco Hipotecario, Mario Blejer. Lula também fará o encerramento do painel sobre o Brasil.

Publicado por: Yogi | janeiro 18, 2010

Sambô – Rock’n Roll (Led Zeppelin em Samba!)

Publicado por: Yogi | janeiro 14, 2010

Obama propõe taxa sobre bancos e ataca Wall Street

Presidente quer cobrir gasto de US$ 117 bilhões usados para socorrer setor financeiro durante a crise

Alister Bull e Caren Bohan, da Reuters

WASHINGTON - O presidente norte-americano, Barack Obama, propôs nesta quinta-feira, 14, que Wall Street pague uma taxa para cobrir o gasto de US$ 117 bilhões com dinheiro dos contribuintes para socorrer o setor financeiro durante a crise, e criticou os banqueiros por “lucros massivos e bônus obscenos”.

“Meu compromisso é recuperar cada centavo que o povo norte-americano tem direito”, afirmou Obama, por meio de comunicado.

“E minha determinação para alcançar esse objetivo é enfatizada quando eu vejo notícias de grandes lucros e bônus absurdos nas empresas que devem sua existência ao provo norte-americano.”

Numa tentativa de se distanciar de Wall Street, em meio ao crescente descontentamento popular com os elevados bônus pagos a executivos dos bancos, Obama acusou os banqueiros de estarem fora da realidade sofrida da população que enfrenta o desemprego na casa de dois dígitos.

A taxação vai recuperar gastos com o pacote de US$ 700 bilhões para socorrer bancos norte-americanos (Tarp, na sigla em inglês), idealizado em 2008 pelo então presidente George W. Bush, diante da crise financeira global.

Criado após o colapso do banco de investimentos Lehman Brothers e do resgate da seguradora AIG, o programa ajudou a estancar a crise ao injetar dinheiro público nos maiores bancos norte-americanos.

A medida, juntamente com forte estímulo monetário e fiscal, foi incapaz de evitar que o país entrasse na pior recessão desde a Grande Depressão, o que levou a taxa de desemprego para o maior nível em 26 anos.

Wall Street, no entanto, voltou aos lucros com a recuperação dos mercados acionários em 2009. Isso ajudou muitos deles a pagar de volta os recursos do Tarp, livrando-os das regras do governo sobre compensação a funcionários e permitindo que pagassem grandes bônus a seus executivos.

O plano de Obama, que precisa de aprovação do Congresso, inclui uma taxa de 0,15 ponto percentual no balanço de grandes instituições com ativos de mais de US$ 50 bilhões.

O governo espera levantar US$ 90 bilhões em 10 anos, mas acredita que a cobrança, ao final, poderá acabar por cobrir todas as perdas com o Tarp, atualmente projetadas em US$ 117 bilhões.

A AIG estará sujeita à taxa. Mas as concessoras de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac serão excluídas, assim como as montadoras que foram ajudadas.

Publicado por: Yogi | janeiro 14, 2010

Trabalistas – Um a Um

more about "Trabalistas – Um a Um", posted with vodpod

Publicado por: Yogi | janeiro 14, 2010

Novos Baianos – Arquivo Trama

more about "Novos Baiano – Arquivo Trama", posted with vodpod

Publicado por: Yogi | janeiro 14, 2010

Sampa – Caetano Veloso (a versão)

more about "Sampa – Caetano Veloso (a versão)", posted with vodpod

Publicado por: Yogi | janeiro 14, 2010

Billie Jean – Caetano Veloso (the version)

Publicado por: Yogi | janeiro 13, 2010

Google ameaça sair da China após ataque

No final desta terça-feira (12) o Google ameaçou encerrar suas operações na China – fechando a filial local e tirando do ar o serviço de busca – após sofrer um ataque em seus servidores.

De acordo com o New York Times, a empresa teve contas de Gmail atacadas, com ativistas de direitos humanos e outras 20 empresas de setores diversos como alvos principais.

Devido à intensidade e ao alto nível de tecnologia empregados na invasão, analistas externos acreditam que o ataque tenha partido do próprio governo. A decisão do Google, apesar de não explicitar a acusação, é baseada em evidência suficientemente concreta, afirma o Times.

Em post no blog oficial do Google, o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo, David Drummond, afirmou que “nas próximas semanas estaremos discutindo com o governo chinês um cenário em que possamos operar um mecanismo de busca sem filtros e completamente legal”.

As declarações apontam para o fim das operações do Google na China caso o governo local não concorde com os termos propostos pelo Google. A entrada da empresa americana no gigante asiático, em 2006, aconteceu cercada de polêmica na exigência da China em filtrar parte do conteúdo compilado pelo sistema do Google.

Postagens Antigas »

Categorias